Descendente da família Irlandesa O´Reilly. Devidamente iniciado em tradição familiar aos 17 anos, quando então optou pela Religião Wicca. Mestre Maçom do Rito Adonhiramita (Guardiães da Tradição) do GOB/GORJ, Membro da A.’.A.’.(Astrum Argentum) e escritor. Estudioso das doutrinas filosóficas e práticas de Bardon, Levi, Agrippa, Papus e Hermes.
Mantém o site Diário de um Bruxo, assim como lista de discussão do Diário de um Bruxo sobre magia e paganismo (yahoogroups – fundada em Julho de 2001 e atualmente com mais de 500 participantes). Atualmente encontra-se à frente do projeto Templo de Brighit. Recentemente lançou seu 1º livro sobre Bruxaria pela Editora Madras (Wicca: a Bruxaria saindo das sombras) e nos concedeu gentilmente esta entrevista.
Olá Millennium. Em 1º lugar, agradeço por nos ceder esta entrevista. Gostaria que começasse falando um pouco sobre você e como iniciou seu caminho na Wicca.
Bom, venho de uma família tradicional Irlandesa, a família O’Reilly (um dos maiores clãs Irlandeses, o clã que expulsou os Bretões da Ilha Esmeralda). Com a separação de meus pais (aos meus 2 anos), saímos (eu e minha mãe) de Ribeirão Preto (minha cidade natal) e viemos ao RJ para morar com avós e bisavós. Meu bisavô era um homem excepcional, um verdadeiro pagão. Criou-me até os 8 anos de idade com conceitos como: Existe a energia feminina, tanto quanto a masculina… Papai e Mamãe “do céu” e assim por diante. Com a morte de meu bisavô vi-me profundamente inclinado ao cristianismo (graças a parte feminina da família – filhas do Sagrado Coração de Jesus)… Mas os conceitos já estavam bem fundamentados em meu espírito. Expulso de 2 colégios cristãos, iniciado aos 17 anos na Wicca por familiares, mais tarde no segundo grau, aos 23 anos (por motivos particulares) abandonei absolutamente tudo, tornei-me quase um ateu. Aos 26 os Deuses retornaram de forma forte e violenta à minha vida, o chamdo pela segunda vez… Algo bem raro de ocorrer, mas gratificante. Sigo então, aos 35 anos amando aos Deuses antigos mais e mais a cada dia.
Você sempre foi um daqueles sacerdotes conhecidos por criticar a chamada “pink Wicca”. O que define como Wicca cor-de-rosa?
A Wicca, os Deuses… São a própria expressão da natureza. A natureza é equilibrada. Assim, wicca cor de rosa é aquela permeada de conceitos errôneos sobre a Natureza dos Deuses. Criações de Igrejas Universais do Reino da Deusa, cultos a uma Barbie cósmica maravilhosa, magra, loira, que espalha estrelas com os pés… A Deusa é tão bela quanto destruidora. Tão magra quanto gorda. Tão branca quanto negra, quanto amarela ou vermelha. A natureza tem força construtiva, tanto quanto destrutiva. O fogo constrói e transforma, mas também queima e desintegra. Me preocupa esses cultos a Deuses que são pura beleza e bondade, o que seria a maior negação da natureza, tanto quanto querer afirmar que uma energia, seja ela masculina ou feminina tem maior participação no que chamamos de vida e natureza. Sou contra também a essa “vingança”contra o masculino (que acaba respingando no DIVINO MASCULINO) engendrada por feministas convíctos que disfarçam-se de
religiosos.
O que o levou a escrever um livro?
Achei que fosse minha obrigação como pagão. Vejo muitos que se dizem preocupados exatamente com tudo o que disse na resposta acima, mas poucos fazem isso na vida real, fora de monitores e teclados. Eu de minha parte, prefiro viver a vida real, assim como o neo-paganismo real, não o virtual. Alguns acusam de querer ganhar dinheiro… (rs) Foram lançados 3.000 exemplares do livro, nos quais recebo 8% do preço de capa. Isso dará com os devidos descontos um valor próximo a R$ 6.000,00, valor esse dividido em pequenas partes no período em que os 3.000 exemplares forem vendidos…. 1 ano, 2, 3, 4 quem sabe? Nem prá comprar um “fusca”daria! (rs) Escrevi como uma missão, uma missão minha, mas dedicada aos Deuses.
Que tópicos você aborda em seu livro? O que ele tem de diferente dos outros livros sobre o tema?
Bom, eu acho que existem diversos diferenciais no livro. Primeiro que falo de tudo o que os outros costumam falar… Mas explico. Tragos os conceitos de magia que inspiraram Gardner na vivificação da Antiga Bruxaria. Respiração Ódica por exemplo… Algo que muitos bruxos seguem, mas não sabem porquê. Mas a parte de que mais tenho satisfação é o capítulo chamado de “Perseguições Atuais”. Um capítulo criado exatamente para parentes dos que desejam seguir a Wicca e são contra esse desejo. Num só capítulo eu forço o leitor a pensar, e principalmente desmistificar diversos tópicos polêmicos e errôneos sobre a bruxaria. Assim, creio que ler um capítulo e compreender é bem mais fácil do que ter de ler um livro inteiro… O que vai facilitar de sobremaneira a muitos praticantes, tirando aquela visão puramente malígna da bruxaria.
Você se lembra do 1º ritual que realizou como Sacerdote?
Sem dúvida. Assim como minhas iniciações em Wicca, Maçonaria, Astrum Argentum ou nas diversas ordens iniciáticas das quais faço parte, jamais poderia me esquecer das iniciações ou mesmo das ritualísticas. Aliás, me recordo de cada uma delas. Meu primeiro ritual como Sacerdote se deu junto ao grupo que mantínhamos aos meus 18 anos de idade. Morava em Copacabana e tinha a felicidade de morar num apartamento bem grande e sozinho. Tínhamos um grupo que se reunia para experiências e exercícios de Glamour (o verdadeiro, não isso que encontramos na net), manipulação de energias e evocações. Foi muito diferente poder invocar o poder do Deus e evocar o da Deusa na nova qualidade. A conexão era muito mais forte… Fiquei quase 2 dias sem dormir… Elétrico.
Por que você acha que ainda existe tanto preconceito com relação à Bruxaria?
Em parte graças as antigas campanhas cristãs que vêm desde a idade média e as queimas na idade moderna. Mas também, devemos dar louros a esses que praticam uma bruxaria deturpada, que ou é vista como um satanismo sem conhecimento ou como um culto de palhaços que gostam de se fantasiar e gritar “Viva a Deusa!”. A falta de informação também é parte importante desse processo de preconceito. Dar informação ao público em geral é uma grande ferramenta para tentarmos acabar com isso.
Que futuro você vê para o Paganismo nacional?
Não posso responder a isso, uma vez que não sou o único responsável por esse futuro. Mas eu busco fazer a minha parte. Se todos fizessem a sua, o futuro seria brilhante, mas brilhante aos praticantes, que são quem realmente interessam.
Você acredita numa possibilidade de organização da Wicca no Brasil, como ocorre em outros países? Por exemplo: nos Estados Unidos, há uma série de eventos pagãos ocorrendo o tempo todo, pessoas militando em favor da Bruxaria… O que você acha disso?
Vou te contar uma fábula cristianista, mas que se aplica muito bem a minha opinião (se eles se apropriaram de tantos de nossos costumes, consideremos isso como um pequeno “pay back” rs***)
Certo dia caminhavam pelo mundo um anjo e um diabo. Ao se darem conta de um homem que havia descoberto um pedaço da verdade, o anjo empolgado disse ao diabo:
- Viu só? Ele encontrou um pedaço da verdade! Eles vão dar certo!
Ao que o diabo respondeu:
- Nem me preocupo… Ele vai sistematizar…
Ou seja, o paganismo JAMAIS foi organizado ou centralizado em entidades “legalizadas”e agregadoras. As próprias tribos pagãs tinham seus reis diferenciados e sua liderança descentralizada, assim como matilhas de lobos. Como eu disse antes, tentar organizar leva a viagens sem propósito de poder e tentativas de exercer verdades absolutas. Quero crer que, se cada um dos que se dizem neopagãos fizerem a sua parte, de forma realmente efetiva (e não apenas virtual ou na forma de reclamações), com certeza ao menos seremos mais respeitados. Temos os direitos… Só que muitos não sabem como exercê-lo.
Você também possui um templo na cidade do Rio de Janeiro, chamado Templo de Brighit. Fale-nos um pouco de seu trabalho lá.
O TDB é um espaço de estudos Ocultistas onde temos as mais diversas doutrinas ligadas a Bruxaria, todas ministradas pelos melhores profissionais do Brasil. Mas é uma casa comercial… Ou seja, ela se leva por sí só. Muitos dizem que cobrar por ensinamentos seria errado… Mas não fazem nada a esse respeito, além de criticar. Temos aluguel, funcionários e todas as despesas de uma empresa legalizada… Mas somos acima de tudo um porto seguro para praticantes. Não cobramos para entrar, participar das palestras gratuitas e dos filmes que exibimos… Mas propiciamos a todos um contato real e não apenas virtual com outros praticantes de doutrinas ocultistas. Para quem pensa que fica-se rico trabalhando com esoterismo… Meu conselho é: abra uma casa, se não quiser cobrar… Não cobre, ou cobre e veja se realmente se fica rico… Depois me conte, ok?
Depois de tanto tempo, o que o motiva a continuar lutando pelo Paganismo no Brasill?
A grande motivação é: Wicca é minha religião, e o que puder fazer para que se mantenha limpa, ilibada e pura, é também minha responsabilidade. Como já disse e repito, caso cada um faça sua parte… Eu faço a minha. Amo minha religião, sinto que não sou um defensor dos fracos e oprimidos, até porque, não vejo pagãos como fracos… Tão pouco oprimidos. Mas acho que se amamos algo, é nossa maior obrigação defender e manter, não é assim nos demais campos de nossas vidas?
Que recado você daria àqueles que estão dando seus primeiros passos na Bruxaria?
O maior conselho que tenho a dar é: só entre se realmente for o desejo de seu coração. E como sabê-lo? Entregando-se, estudando, pesquisando. Mas muito cuidado… Assim como em todos os campos temos todo tipo de gente… Pessoas sérias, pessoas que têm distúrbios e necessitam de uma desculpa religiosa para os mais variados fins… Sexo, companhia, carências, grana… Assim, pesquise muito, questione, não creia em tudo o que vê… Informe-se… A informação é sua maior arma e seu maior trunfo.
Terminando, então, por que você acha que a Bruxaria deve sair das sombras?
A Bruxaria é para todos, mas nem todos são para a bruxaria. Assim, se pudermos INFORMAR de forma responsável e correta, todos sairemos ganhando. Tanto os que desprezam a bruxaria por desconhecê-la quanto os que desejam conhecer mais de perto a beleza dos Antigos Deuses.
Agradeço a oportunidade de falar um pouco aos internautas que visitam seu site e, desde já, me coloco à disposição desses leitores pelo e-mail: millennium@templodebrigith.com.br
Bênçãos a todos e que os Deuses antigos possam brilhar poderosos em nossos corações.
MillenniuM.’.




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