Provavelmente, Aleister Crowley foi uma das figuras mais controversas e mal interpretadas da bruxaria moderna. Conhecido pela imprensa popular como ‘A Grande Besta’, Crowley foi um poderoso mago, poeta, profeta e famoso ocultista.
Crowley, assim como muitos homens famosos, estava à frente do seu tempo. Ele viveu em uma sociedade que pouco poderia compreendê-lo ou apreciar sua inteligência. Seus escritos chocaram as pessoas de sua era que lhe roubaram o direito ao elogio e como poeta, nunca recebeu o reconhecimento que merecia.
Crowley nasceu em 12 de outubro de 1875 em Leamington Spa, em Warwickshire. Seus pais eram Edward Crowley e Emily, que eram muito bem posicionados financeiramente sendo donos de uma cervejaria. Tanto Edward quanto Emily eram cristãos devotados e educaram o pequeno Crowley dentro desta atmosfera católica e restrita, contra a qual o filho tanto se rebelou. Durante toda a sua vida, Crowley se mostrou revoltado contra tudo que seus pais acreditavam como sendo mais sagrado. Seu pai morreu quando Aleister tinha 11 anos de idade.
Depois da morte de seu pai, Crowley herdou a fortuna da família e foi continuar seus estudos no Trinity College em Cambridge. Em 1898 ele publicou o seu primeiro livro de poesia chamado “Aceldama”. Foi durante o seu período em Trinity que Crowley se tornou interessado no ocultismo e junto com seu colega de dormitório, Allan Bennett, começou a estudar tudo o que encontrava sobre o assunto. Crowley logo descobriria que se sentia atraído por descrições de tortura e sangue; ele também gostava de se imaginar sendo abusado por uma mulher dominante e independente.
Um dos livros que ele leu, nesta época, foi de autoria de ‘Arthur Edward Waite’, e era intitulado “O Livro da Magia Negra dos Pactos”. O livro falava sobre uma sociedade secreta de ocultistas e Crowley ficou ainda mais interessado. Assim, ele escreveu para Waite pedindo maiores informações e recebeu a indicação de leitura de “The Cloud upon the Sanctuary – de Carl von Exkartshausen”. Neste a sociedade secreta é definida como a ‘Grande Branca Irmandade’ e Crowley decidiu que ele conseguiria pertencer a um desses grupos e galgar altos níveis. Mais tarde, neste mesmo ano, em 18 de novembro de 1898, ele e Bennett se juntaram a hermética ordem da ‘Golden Dawn’.
Em 1899 Crowley parece ter se tornado membro de um dos covens descendentes Old George Pickingill, situado na área de New Forrest. Todavia ele logo se indispôs e foi banido logo após obter o seu segundo grau, em face de suas atitudes contra as mulheres, seu ego, sua falta de assiduidade e sexualidade desorientada (Crowley tinha tendências homossexuais e ao bizarro que eram capazes de chocar até as bruxas).
Crowley deixou o Trinity Collage sem concluir e receber o diploma e alugou um apartamento em Chancery Lane, Londres, se auto-intitulando ‘Conde Vladimir’ e começou a desenvolver os seus estudos no ocultismo em tempo integral. Crowley tinha uma aptidão natural para a mágica e avançou rapidamente pelos graus da Golden Dawn, porém os responsáveis pela Ordem em Londres o consideram inapto para receber o segundo grau. Crowley seguiu para Paris em1899 para ter uma audiência com ‘S.L. MacGregor Mathers’, o então responsável pela Ordem e insistiu em ser iniciado no segundo grau. Mathers, que na época estava recebendo muita oposição de Londres, em face de sua tendência absolutista, vislumbrou em Crowley um potente aliado. Consequentemente, para consternação do grupo londrino, ele concordou que Crowley fosse iniciado no segundo grau.
No entanto tal aliança não saiu como o previsto, uma vez que ambos eram imensamente competitivos. Ambos brigavam constantemente e viviam estabelecendo guerras mágicas. Em abril de 1900 tanto Mathers como Crowley acabaram expulsos da Ordem.
Crowley começou a viajar e aprofundar seus estudos sobre ‘Tantric Yoga’; ele também estudou o ‘Budismo’ e o ‘I Ching’. Por um período ele viveu isolado, perto do Lago Ness, na Escócia. Em 1903 ele conheceu e se casou com Rose Kelly e juntos tiveram um filho. Quando ambos estavam em viagem pelo Egito, em abril de 1904, ele e Rose participaram de um ritual mágico, no qual Crowley alegou ter recebido uma mensagem dos Deuses. Como resultado desta mensagem, ele escreveu os três primeiros capítulos do seu livro mais famoso “Liber Legis, the Book of Law”.
Nunca longe de polemica entre os anos de 1909 a 1913, Crowley expôs vários rituais da Golden Dawn em sua revista de nome ‘the Equinox’, a qual ele também usou como veículo para sua poesia. Mathers, que tinha escrito a maioria dos rituais, e que ainda era o seu maior antagonista, tentou (porém falhou) abrir um processo para impedir que Crowley continuasse a expor material secreto. No fundo esta tentativa só serviu para dar a Crowley mais publicidade e notoriedade.
Em 1912 Crowley se envolve com a vertente britânica da O.T.O. (Ordo Temple Orientis), uma ordem ocultista alemã. Durante os anos de 1915 a 1919 ele se mudou para os Estados Unidos e em 1920 se mudou para Sicília (Itália).
Na Sicília ele se envolveu com a filial da ‘Ordo Temple Orientis’ em 1922. No entanto (como ele sempre fazia) ele começou a atrair má publicidade. A imprensa começou a denunciá-lo como satanista e fez diversas alegações que por mais absurdas que fossem surtiram efeito e em 1923 o presidente Mussolini decidiu expulsa-lo de vez da Itália.
Crowley passou por períodos viajando por lugares como a Tunísia e Alemanha, antes de se estabelecer por um tempo na França. Enquanto estava na França ele contratou os serviços de secretariado de outro espirante a bruxo ‘Israel Regardie’. Mais tarde, Regardie se tornaria famoso por expor por completo ao público os rituais da ‘Golden Dawn’. Crowley continuou a viajar pela Europa e acabou se viciando em heroína (um problema que o acompanhou pelo resto da vida). De volta a Inglaterra em 1929 ele conheceu e se casou com Maria Ferrari de Miramar (sua segunda esposa). O casamento ocorreu na Alemanha.
No seu penúltimo ano de vida (1946), um amigo em comum, Arnold Crowther, apresentou Crowley e Gerald B. Gardner. Os encontros entre Gardner e Crowley iriam, futuramente, gerar grande controvérsia sobre a autoria do Livro das Sombras Gardneriano original. Apesar da constatação de haver ensinamentos de Crowley, as pesquisas revelaram que foi muito mais em decorrência de um trabalho comparativo de experiências, e Doreen Valiente, no seu livro “Witchcraft for Tomorrow” faz um bom trabalho para esclarecer qualquer dúvida sobre o assunto.
Em 1 de dezembro de 1947 deixou a sociedade que tanto o incompreendia com a solicitação de ser cremado. De vários modos Aleister Crowley não era um homem querido, porém ele influenciou muito na reconstrução da moderna bruxaria. O conhecimento obtido de Crowley era sem dúvida, grande e profundo, o qual ele tentou transmitir através de seus livros; os quais hoje são tidos como clássicos da bruxaria.
Escrito e compilado por George Knowles
Tradução: Scathy Morrigan











Algumas curiosidades sobre o “Tio Al” (apelido de Crowley entre os amigos)
- Foi Maçom e chegou até o último grau desta ordem, o grau 33.
- Foi processado inúmeras vezes por divulgar rituais secretos da OTO e da Golden Dawn.
- Mathers, grão-mestre da Aurora dourada (Golden Dawn) iniciou uma batalha mágica que duraria anos sobre a acusação de que Crowley estaria divulgando so rituais secretos de magia sexual da GD. Aleister se defendia dizendo que apenas estava preparando a população ocultista para o que denominada o novo aeon (a nova era).
- O trabalho de Aleister Crowley influenciou grandes gênios, inclusive Ozzy Ozbourne que cantou em homenagem ao tio Al na música Mr. Crowley, o barbudinho dos nossos corções Raul Seixas também cantou Sociedade Alternativa e A Lei ifluenciado pelas idéias de Crowley. Podemos ainda citar Paulo Coelho que adorava escrever sobre a Grande Besta 666 numa coluna de um jornal. Marcos Torrigo e Israel Regardie teve seus trabalhos influenciados pelo grande mago.
- Toda a fortuna de Crowley foi doada para a criação da Astrum Argentum A.’. A.’. que divulgaria a Thelema. Trata-se de uma Ordem Secreta Iniciática.
- Crowley fazia demonstrações públicas para provar a força de Thelema (o sistema mágico extraído de o livro da lei e liber 333). Paulo Coelho narra um fato quando um jornalista londrino pediu uma demonstração, e Crowley apontou um rapaz que andava no outro lado da rua. Crowley imitou seus jeitos e andar, meditando e concentrando-se, quando derrepente deu um salto. Do outro lado, o rapaz se estatelou no chão, e levantou-se logo, vermelho de vergonha e procurando uma caca de banana ou algo que havia tropeçado sem encontrar nada.
- O apartamento que Crowley alugou foi para experimentar os poderes da magia chamada Goethia (pra que um homem milionário alugaria um apê?). Seu sucesso em evocar demônios foi tão grande que dois homens se acidentaram ao fazer a mudança de um espelho enorme do apto. e após isto, o apto ficou vago por mais de 3 anos. Os inquilinos se mudavam alegando barulhos, gritos e sussurros de noite.
- Quem deu o nome de A Grande Besta 666 à Crowley foi a igreja católica. O papa da época recomendou a excomungação do mago. Ele apenas aceitou o novo “nominho” pois se todos aceitam tudo que o papa fala, ele não faria diferente (adoro o sarcasmo dele).
- Crowley não era um pervertido sexual nem um doido por bizarrices ou orgias. Era praticante de magia sexual, que recomenda práticas um tanto diferentes.
- Thelema significa vontade em grego. Daí as palavras de Crowley:
“Faça o que quizeres. Há de ser o todo da lei.”
“A lei é o amor. O amor sobre vontade”
Mereceu a notariedade o tio Al não é?