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Sabás e festivais mitológicos

25.01.09 | comente | imprimir | rss

Celebrando os equinócios

A escritora Margaret Murray disse: “Os equinócios nunca foram observados na Bretanha.” Os equinócios são também festivais solares mas são recém-chegados na Europa céltica e teutônica. Embora a influência dos “invasores solsticiais” saxões (termo de Margaret Murray) tenham acrescentado a celebração dos solstícios aos quatro grandes sabbats celtas, a nova Roda abrangia apenas seis festivais. No entanto, hoje já sabemos que povos pré-célticos megalíticos os observavam.

O calendário das bruxas modernas tem sua raiz nos oito festivais das estações, que para nós marcam pontos-chave na Roda do Ano. O Paganismo é essencialmente orientado pela Natureza, que tem muitos níveis e todos são vistos nos sabbats: agrícola, pastoral, vida selvagem, humano, botãnico, solar, lunar, planetário, psíquico, pois são ondas de poder que afetam a todos nós.

De qualquer forma, hoje em dia os equinócios estão conosco. Todas as bruxas modernas os celebram e ninguém sugere que eles não deveriam estar sendo celebrados, pois tratam-se de mudanças das estações. Não foi uma invenção de Gardner ou de neo-druidas, mas uma parte da tradição pagã tal qual é vivida atualmente. A Bruxaria hoje não é igual à Bruxaria dos povos do período Paleolítico, que não é a mesma bruxaria dos povos celtas, nem dos povos africanos, muito menos das bruxas do período Medieval.

Janet e Stewart Farrar, em seu livro ‘Oito Sabás Para Bruxas’, dizem que é bastante possível que as celebrações do equinócio de primavera na Grã-Bretanha possam ter sido inspirados nas festividades cristãs da Páscoa. No entanto, a Páscoa traz percepções pagãs da primavera com raízes no Mediterrâneo, com vários mitos sobre sacrifício e ressurreição, todos eles muito anteriores ao cristianismo. Não há o que se discutir a respeito do que veio antes. O próprio ovo de Páscoa é pré-cristão.

Os dois equinócios são pontos de equilíbrio. Dia e noite são iguais e a energia flui com firmeza. Mas os equinócios apresentam temas opostos: o de primavera representa um período de descanso partindo para a ação, enquanto que o de outono representa uma preparação para o descanso. O equinócio de primavera representa iniciação; o de outono, repouso.

As mais freqüentes aparições espectrais de certas assombrações acontecem em março e setembro, justamente na época dos equinócios. Os ocultistas reconhecem estes períodos como épocas de grande tensão psíquica.

Por um lado, essa informação pode até nos fazer pensar em uma contradição: Como os equinócios podem representar tensão se eles são o símbolo do equilíbrio entre a luz e as trevas? Mas é algo apenas aparente, pois, se analisarmos melhor a situação, vemos que os períodos de equilíbrio são épocas quando o véu entre o visível e o invisível está mais tênue, jstamente por estarem em equilíbrio. Assim, podemos presumir que seja muito mais uma turbulência psíquica e psicológica, mas devemos tirar proveito dessas fases naturais, extraindo alegria ao invés de aflição.

Os sabbats são a maneira de celebrar das bruxas e é assim que estas entram em harmonia com os ciclos naturais, pois nós somos parte da Natureza e vivenciamos tudo o que lhe acontece.

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