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Mitologia

30.03.09 | comente (1 comentário) | imprimir | rss

Duoteísmo

Diana e Dioniso

Em antigos textos clássicos da Grécia e Roma, encontramos a imagem do casal divino em pares, como por exemplo Zeus e Hera. Em 217 a.C., os romanos selecionaram doze divindades e as agruparam em casais divinos de acordo com o panteão helênico. Foi daí que surgiu a versão romana das Doze Principais Deidades na mitologia romana, versão que influenciou bastante as deidades celtas em séculos seguintes.

Os celtas que viveram na Idade do Ferro não costumavam criar representações físicas de deidades com uma regularidade que fosse suficiente para continuar uma tradição artística ou cultural. No entanto, após a ocupação romana na Gália e na Bretanha, de repente começaram a surgir inúmeras representações de deidades celtas, em grande parte por influência romana.
Raven Grimassi, estudioso das tradições pagãs italianas, disse em um de seus livros: “Muitas pessoas acreditam que o conceito de Bruxas adoradoras de uma Deusa e um Deus vem da Wicca Gardneriana; no entanto, este conceito aparece nos primeiros escritos de Charles Leland”.

E continua: “Leland retrata as bruxas italianas adorando as deidades romanas Diana e Lúcifer. Na mitologia romana, Diana era a Deusa da Lua e Lúcifer era o Deus da Primeira Luz do Dia e, por essa razão, ele era também associado ao Sol”.

Algumas poucas tradições italianas incluem Lúcifer em seu panteão, pois a maioria das bruxas utiliza os nomes Diana e Diano. Além disso, a deusa Diana tem muitos outros nomes pelos quais é conhecida e venerada pelas streghe (bruxas italianas). Dependendo do aspecto desejado, ela pode ser Tana, Losna ou Atimite. Em algumas tradições, ela também leva o nome de Jana. Da mesma forma, Diano é conhecido por Tano, Poloce ou Jano. Ele também é chamado de Cornuno – latim para “aquele que tem chifres” ou “Cornífero”.

A imagem tradicional dos deuses na Wicca é de uma Deusa com uma Crescente na testa e um Deus com chifres. Essa imagem doc asal divino é bastante comum no sul europeu (Diana e Pã, Ártemis e Dionísio). Entre os celtas, foram encontradas imagens de deuses com essa descrição, porém não juntos, como um casal divino.


De uma forma geral, podemos dizer que a maioria dos wiccanos vê a Divindade como a Fonte Criadora, a qual é a um tempo masculina e feminina. Tais polaridades são personificadas pela Deusa e pelo Deus, cada um deles conhecido por muitos nomes diferentes, dependendo da cultura e da época.

Hera e Zeus

Hera e Zeus

Na Wicca, a Natureza estabelece os padrões e, assim, a Deusa e o Deus existem como símbolos dessa polaridade. Na Natureza temos tais polaridades trabalhando pela procriação, e tais polaridades remetem à noção de que, se existe uma Divindade, esta deve conter elementos femininos e masculinos. Ou, quem sabe, seja ambas.

Também é importante compreender que nem todos os deuses e deusas são egrégoras. O Deus e a Deusa existem há mais tempo que a raça humana. São arquétipos, mas não são só isso. Estão vivos.

Há quem diga que o termo duoteísmo não exista, porém ele é real. O culto a um só Deus chama-se monoteísmo. O culto a vários deuses é chamado de politeísmo. Dessa forma, seguindo a etimologia real das palavras, podemos tranqüilamente dizer que o culto a duas divindades pode ser chamado de duoteísmo.

Devemos ter em mente o que fazemos hoje. É claro que não devemos jamais abrir mão de nosso passado, cultura, folclore, mitologia, especialmente se nos entregamos a esse caminho. Porém, é fundamental entendermos o que acontece hoje, no presente, e o que vemos são milhares de pagãos duoteístas. Há muitos livros sobre Wicca e Bruxaria no mercado, inclusive, que estimulam o leitor a clamar pela Deusa e pelo Deus, caso não seja de uma tradição específica e se sinta melhor com tais termos generalizados.

O duoteísmo é uma variação do politeísmo? A frase “todos os deuses são um só Deus e todas as deusas são uma só Deusa” está correta? Quem poderá dizer? O que vale para cada pessoa é o certo para ela. Assim, seja você duoteísta, politeísta ou o que quer que seja, o que importa é o desenvolvimento da sua espiritualidade dentro do Paganismo, se for esse o seu desejo.

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