Artigos > A sacralidade da
Terra
Cultura, religião e sociedade sempre caminharam juntas,
e apenas recentemente houve uma separação desses
setores. Para os povos antigos, que dependiam essencialmente
da terra para viver, cultos e celebrações eram
a mais natural forma de honrar a Natureza.
Pode-se dizer que há uma relação de
troca: da mesma forma que a Terra lhes dava boas colheitas,
o povo retribuia com celebrações, cultos, sacrifícios,
oferendas.
Hoje em dia fala-se tanto em desenvolvimento sustentável,
que é até irônico notar como mais uma
vez os povos celtas tinham costumes avançados para
o seu tempo. Antigamente, quando as aldeias atingiam uma população
muito grande, eles dividiam a aldeia em duas, sendo que esta
segunda migrava para um outro lugar, a fim de preservar a
Natureza no local anterior. Eles sabiam que, se a população
continuasse a crescer, logo os recursos naturais acabariam,
e isso era uma questão de sobrevivência. Não
só deles, mas da própria Terra.
A Hipótese Gaia, que afirma que a Terra é um
ser vivo, está cada vez mais sendo aceita.Vemos o nosso
planeta como algo sagrado porque moramos nele e dependemos
dele. Por mais que a maioria de nós more em cidades
urbanas, afastados da Natureza, não podemos jamais
nos esquecer que dependemos dela para sobreviver.
A água, as árvores, plantações,
animais, tudo isso faz parte do nosso dia-a-dia. Muitas vezes
escuto algumas pessoas dizerem: "Eu não sou chegado
a essa coisa de Natureza!", mas é inevitável.
É como dizer que não gosta de política.
É algo que se vive diariamente, o tempo todo. Você
pode "não ser chegado" em Natureza, mas respira
o ar que vem dela, bebe água, toma banho, faz comida
com alimentos orgânicos. Não dá pra fugir
disso.
O grande problema hoje em dia é que a população
mundial está crescendo rapidamente e, com isso, os
recursos naturais estão se esgotando. Um dia, se não
cuidarmos, nada mais teremos. No Japão, já se
discute o fato de que daqui a 50 anos não haverá
mais água no país. Esse caos não pode
acontecer.
É por isso que cuidar da Terra não é
uma frescura de quem se diz pagão ou bruxa; é
uma necessidade. Não só celebrar os rituais
da Roda do Ano, mas também botar a mão na massa
literalmente, participando de campanhas contra o derrubamento
de árvores, ajudar animais perdidos, plantar árvores
e plantas, cultivar uma horta em seu quintal, participar de
manifestações etc. Há tantas formas de
ajudar!
A conexão com a Natureza deve ser permanente. De nada
adianta celebrar maravilhosamente um ritual de solstício
de inverno se depois de duas horas você joga fora uma
latinha de alumínio sem reciclar. De nada adianta celebrar
um solstício de verão com seu caldeirão
cheio de água e flores se você demora mais de
uma hora no banho. São questões de bom-senso
e de preservação.
Sejamos bruxos sim, mas acima de tudo pagãos, no sentido
literal da palavra, que significa "ser do campo".
Cuidar da Terra é a vitalidade do Paganismo, mas deveria
ser a prioridade na vida de todas as pessoas, sejam elas pagãs,
cristãs, budistas, taoístas, o que seja.
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