Artigos > A Pseudo Bruxaria
Data: 13/03/2005
Autoria: Asgard
Àqueles que buscam a beleza nos caminhos da bruxaria,
eu também - pois muitos já o fizeram - vos alerto
de que aqui não a encontrarás, senão
mediante muito esforço, dedicação e sofrimento.
A bruxaria não é a tradição nem
o caminho para o povo, para o laico publico que deseja somente
mais um espetáculo, mais uma cena nesse circo imaginário
em que vive. Os deuses não são palhaços,
como também os bruxos não são seus malabares.
Nenhuma divindade, no passado e no presente, no futuro desejamos
nós, procurou agradar o ser humano, pois para agrada-lo
é necessário consentir com seus erros, qual
mãe que acate todas as vontades do filho verá
nascer dele um homem sério e louvável? Nenhuma
é a resposta que a lógica nos dá. Assim,
pois não esperemos dos deuses fartos buquês de
rosas, ou bálsamos para todas nossas dores egocêntricas.
Os Antigos não estão aqui para nos agradar,
como tanto se diz, estão sim para nos ajudar nesse
eterno processo evolutivo, e para evoluirmos devemos confrontar
com nossos próprios defeitos, nossas fraquezas, esses
os verdadeiros demônios. Tal ciência não
é tida por muitos atualmente, procura-se enfeitar velhos
tempos e pinta-los de rosa para receber os deuses que criamos
em nossa imaginação, baseados em egregoras milenares,
mas que possuem como única característica o
fato de existirem apenas para alimentar e nutrir os temores
dos homens, esses deuses de hoje não são os
deuses de ontem, são bodes nos quais o homem põe
a culpa de seus atos pela evidente fraqueza que possuem no
momento de encara-los.
Após o crepúsculo dos deuses, quando os Antigos
deixaram a humanidade tornar-se órfã, apenas
poucos seletos abrigaram e guardaram consigo a chama sagrada,
mantendo protegidos velhos ensinamentos que, nas mãos
do laicato, se tornariam armas utilizadas em seu próprio
suicídio.
Nem todos os homens estão preparados para conhecer
certas verdades, os homens não são iguais, se
o fossem não haveria mais sentido em se manterem aqui,
logo fariam melhor suicidando-se coletivamente, e poupando
aos deuses o trabalho de limpar a terra de um mundo preenchido
de lodo e lama.
Esses grupos e sociedades que preservaram os segredos o fizeram
porque sabiam de sua importância, deixar os homens sozinhos
e permitir que os últimos mistérios se fossem
seria o mesmo que condenar à humanidade ao fatal destino
que tantos profetas já previram. A bruxaria está
aberta à todos, como ciência e religião,
é ela que mantém acesa na Gália a velha
chama de Hestia, que também queimava em Roma. Porém,
poucos são àqueles abertos à verdadeira
feitiçaria, aos verdadeiros segredos que regem os ciclos
da Terra, da Natureza e do Homem.
O que se encontra hoje tão disponível na grande
mídia não é a velha trilha que leva aos
antigos bosques de carvalho, esse se mantêm preservados
dos olhos invejosos de certos povos, o que se encontra nela
são apenas farsas, comédia e novelas para àqueles
que procuram diversão, muitas vezes acarretada de perigos
desconhecidos.
Brincar com os deuses é brincar com a vida, e com
a morte. Pois o mesmo que dá à vida, a toma,
assim é a eterna espiral, a Grande Mãe que alimenta
com seu corpo os filhos pródigos, e com esse mesmo
corpo os enterra.
O que estamos tentando explicar é que nem tudo que
reluz é ouro como já ensinavam nossos antepassados.
Não basta desenhar esferas para criar outros mundos,
não basta acender velas para conversar com o elemento
vital, é mister conhecer o segredo de que os deuses
não são e não podem ser banalizados como
peças de um jogo de xadrez.
Querer representar os deuses como lindos anjos dispostos
a servir à humanidade é errar de forma tríplice,
é atentar contra si mesmo, contra a verdade e contra
a divindade. Muito se procura banalizar os deuses em nosso
tempo, Afrodite tornou-se uma versão helênica
da Smurfeti, aquela duendezinha azul dos desenhos animados,
e esquece-se que na Trácia, sob o nome de Afrodite
Zerintia ela recebia como oferenda sacrifícios de cachorros,
animal que muitos têm como membros de sua família.
Ao ler isso muitos se assustarão ao saber que sua
bela e rosada deusa recebia sacrifícios de animais.
Poucos o sabem também que para os atenienses era ela
considerada como a mais velha das Moiras. As Moiras, sombrias
deusas do destino, que traçavam a vida e a morte dos
seres, tinham como irmã a deusa do amor, porém,
não esse amor fútil dos homens de hoje.
Hécate, senhora da encruzilhada vagava nas noites
escoltada por inúmeros fantasmas e monstros, e certas
criaturas a tem como Mãe, acendendo lindas velas e
proferindo belas orações em sua honra.
Sekhmeth, o leão do Egito, hoje mais parece Bastet,
um gato inofensivo. Isso nas mentes doentias das criaturas
que merecem mais a morte, do que a digna vida dada pelos Deuses
para que tornemo-nos Ventos e Tempestades.
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