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Artigos > Como tratar os neófitos no dia a dia

Data: 21/03/2005
Autoria: Millennium

Estava acompanhando mais um grupo de formandos(corretores) aqui em meu escritório e, revendo uma de minhas fitas de treinamento encontrei uma analogia perfeita para alguns tipos de sacerdotes e seu tratamento para com os neófitos no dia-a-dia. Resolvi editar esse texto muito mais para sacerdotes que para neófitos realmente. Espero que surja o efeito desejado.

Para tanto, fazemos uma analogia com os pássaros, símbolo dos Deuses amplamente utilizado ao longo da história e das religiões e culturas.

Existem basicamente 3 tipos de sacerdotes (SEGUNDO ANALOGIA COM PÁSSAROS), os quais passaremos a expor:

1- O Sacerdote Papagaio: Esse é aquele que encontramos diariamente à busca de novos neófitos, sempre se dispondo a auxiliar, cheio de projetos, cheio de idéias, falante, amoroso, preocupado. O Grande problema é que seus projetos jamais se concretizam.

O Sacerdote papagaio sempre tem um encontro, curso, ritual, sempre prontos a angaria neófitos para participar. Só que sempre na última hora, justamente ao se dar conta das responsabilidades envolvidas, acaba por cancelar tudo. Ele carrega os neófitos no colo, não permite que os mesmos corram riscos, desenvolvam-se de forma correta, busquem e demonstrem estarem sendo merecedores das lições a aprender.

O Papagaio é o falador, expansivo, sempre pronto a atacar aquele que for contra seus pensamentos e idéias. Fala muito, deseja até realmente auxiliar, mas não se envolve.

2- O Sacerdote Urubu: Esse é aquele que se alimenta do trabalho dos outros. Busca a Arte, inicia-se em um coven, desagrega esse coven e parte para formar o seu próprio, com o que restou dos conflitos criados. Não que seja alguém ruim ou de natureza má (sabemos que o maniqueísmo é criado pelo homem e bem e mal não são dotes divinos), ele apenas não aceita também os compromissos de começar um trabalho do nada, para ele sempre será mais fácil encontrar pessoas já preparadas, prontas para segui-lo em suas filosofias e ideais. É o tipo que encontramos no dia-a-dia fazendo força para ser o contestador, o dono da verdade absoluta, que se aproveita das confusões e dos neófitos perdidos para formar seus seguidores. É aquele que se sente bem em ser chamado de MESTRE.

Não que todos não tenhamos um pouco de Papagaios e de Urubus. Faz parte da natureza humana. O mais importante no trato com os neófitos em nosso dia-a-dia é aprendermos a minimizar nossas características de Papagaio e de Urubu. O ideal seria que todos fossemos Águias em nossa jornada:

3- O Sacerdote Águia: A Águia é um pássaro espetacular. Ela supera sempre seus limites. Tem uma visão além do normal, enxerga suas necessidades e de seus entes queridos de forma quase sobrenatural. A Águia gasta suas garras nas pedras para afia-las e para que sempre nasçam garras melhores e mais fortes. A Águia arranca suas penas para formar seus ninhos e para que nasçam cada vez mais fortes e bonitas.

Quando o filhote da Águia nasce e já tem condições de voar, ela transforma o ninho num local desagradável com gravetos e pedras para que o mesmo decida-se por sair de seu aconchego. Ela agarra seu filhote e sai voando pelo espaço com ele. O Filhote apavorado se gruda à águia com suas asas, na intenção de não cair. Sabem o que a águia faz? Ela se sacode e derruba o filhote no espaço. O filhote começa uma descida em queda livre e... alguns voam...

Mas aí vem a parte mais bonita. Os que não voam nunca são abandonados pela águia. Pressentindo que o filhote poderá se esborrachar no solo, a águia dá um vôo rasante e a apenas alguns metros do chão... resgata seu filhote. Mas não para por aí... Ela olha ternamente para o bebê águia, desnorteado pela queda, sobe mais uma vez aos céus e... Repete a operação.

Assim, todos acabam por voar!!! E como é maravilhoso quando voam... Eles retornam para agradecer a águia, compreendendo que só através de sua ajuda e do próprio esforço podem alçar vôo e tornarem-se maduros.

É exatamente assim que nós sacerdotes temos de encarar os neófitos. Devemos sempre estar abertos para ensinar nossos conhecimentos na intenção de mais descobrirmos. Devemos sempre ter nossas mentes abertas para novas experiências que possam de alguma forma agregar a nosso conhecimento mágicko.

Ao pressentirmos que os neófitos estão prontos, também devemos forçá-los a conhecer o mundo e alçarem vôo por seu esforço. Não devemos carrega-los indefinidamente em nosso colo. Devemos sim, acompanha-los em sua jornada e permitir que sofram com seus erros e que se fortaleçam com eles. Mas nunca devemos permitir que -caiam nas pedras- . Estaremos sempre prontos a socorre-los quando necessário.

Quando esses neófitos chegarem a sua maturidade mágicka, não existirá maior recompensa ao sacerdote que o sentimento do dever cumprido. Ensinar é um exercício diário de paciência, desprendimento e acima de tudo AMOR.

Sejamos todos Sacerdotes Águias, permitindo assim que nossa Arte se desenvolva como deve ser e que tenhamos sempre o orgulho de sermos reconhecidos como bruxos.

MillenniuM.´.

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