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Artigos > A influência de Aleister Crowley a partir do Livro da Arte Mágica

"Há porém certas expressões e certas palavras utilizadas que batem com as de Crowley; possivelmente emprestou coisas dos escritos do culto, ou mais provavelmente outra pessoa emprestou alguma coisa dele."
pág. 49 - Bruxaria Hoje - Editora Madras.

Direitos autorais: Roger Dearnaley, 1999-2002.
Tradução e observações: Roberto Quintas

É permitida a cópia deste documento desde que sem alterações e em sua íntegra, incluindo o aviso de direitos autorais, bem como não há custo da duplicação e distribuição dele. Todos os demais direitos estão reservados.

Em minha opinião e de minha Alta Sacerdotisa, nada do material neste ensaio está sob juramento. Uma versão mais longa deste ensaio contém um pequeno conteúdo marginal adicional sob juramento disponível a pedidos para gardnerianos iniciados.

Introdução

Desde 1960 havia um rumor que Aleister Crowley escreveu os rituais da Wicca para Gerald Gardner. Um autor foi longe o bastante a afirmar conhecer o preço que Gardner supostamente pagou a Crowley: 3 guinéus por página! Certamente existem bases que parecem embasar esta afirmação: a alguém familiar com os trabalhos publicados de Crowley e Wicca Gardneriana notará um pedaço da poesia de Crowley nos rituais, mesmo após Doreen Valiente, por admissão dela, reescreveu os rituais para remover ou disfarçar muito do material de Crowley. Entretanto, eu espero aqui poder demonstrar que isto é completamente implausível que Crowley compôs os rituais da Wicca, mas também para quem quer que o tenha feito, enquanto pegava material dos poucos trabalhos publicados de Crowley, não estava evidentemente familiarizado com os escritos de Crowley e parece ser pouco provável que tenha tido uma iniciação na OTO

O Livro da Arte Mágica

A cópia mais recente dos extensos rituais gardnerianos desde antes da reelaboração por Valiente, estão em um grimório manuscrito chamado o "Livro da Arte Mágica" (LAM para abreviar), o qual está nos próprios manuscritos de Gardner. Evidências internas neste texto torna claro que é precedente às versões dos Textos "A", "B" e "C" do "Livro das Sombras Gardneriano" e do livro "Ajuda da Alta Magia" [NT: High Magic's Aid no original], por volta de 1946-48, desde que os rituais da Wicca descritos ali parecem terem sido derivados da versão do Texto A.

O LAM contem um material misturado (como muitos Livros das Sombras das bruxas, é uma espécie de caderno de rascunho de magia), alguns dos quais está relacionado à (Judaico-Cristão) magia cerimonial salomônica, outros com bruxaria e tem alguns que fazem referencia a ambos. Como muitos autores notaram, o material no livro está evidentemente fora de ordem cronológica: Gardner parece ter tido o habito de escrever o material do livro com algumas páginas em branco. Algo deste material parece ser dispersado em pedaços em muitos lugares diferentes, possivelmente como uma medida de segredo.

Eu tenho em minha posse uma boa transcrição do LAM. Esta transcrição pula algo (mas não significa tudo) do material do LAM que é Judaico-Cristão e/ou magia cerimonial salomônica (particularmente no fim da LAM, onde o transcrevente estava presumivelmente ficando com pouco tempo). Eu tenho usado algo enquanto estudo esta transcrição com a exceção (desde que eu sou um Gardneriano de 2* grau) destas partes que minha Alta Sacerdotisa tem indicado serem mais do que de material de 2* grau (principalmente o texto do ritual de iniciação de 3* grau).
Especificamente, eu tenho estudado transcrições de tudo, menos as páginas 64, 108-113, 143-150, 165-188, 195-203, 205-224, 229-241, 243 e 277 (numeração de Gardner) da LAM. Do conteúdo das paginas da LAM, o sumário mostra na transcrição os conteúdos destas páginas puladas e algumas das discussões de Ronald Hutton do conteúdo da LAM, a natureza do material na maior parte destas páginas é clara e eu estou bem certo que, com exceção das pags 108-113, 128, 143-150, 203 e 243, estas não possuem material derivado de Crowley. (De acordo com Ronald Hutton, a passagem nas pags 108-113 tem certamente material de Crowley, provindo de seu trabalho a "Missa Gnóstica", como veremos abaixo, outras partes da LAM claramente vieram desta fonte também.) Especificamente, o conteúdo das pags 64, 128, 143-150, 165-188, 205-224 e 229-241 são claramente salomônicas, presumivelmente vindas das "Chaves do Rei Salomão" e "Legemeton" (em último caso, possivelmente vem da edição de 1903 traduzida por Matters e editado por Crowley), a pag 243 é cabalística, enquanto as pags 195-203 é descrita como talmúdica [NT: talmud é um código de regras no Judaísmo] e as pags 108-113 e 227 são mais wiccans. Eu acredito que (com considerável assistência das ferramentas de busca da rede [NT: Internet] e diversas home-pages [NT: páginas virtuais] da OTO.

Eu localizei com sucesso todo o material vindo de Crowley nas partes que eu estudei e irei agora descrever todos os pedaços que encontrei.

Estes pedaços claramente se encaixam em quatro categorias:

1) Passagens em Teoria Mágica. Estas passagens de teoria da magia vindo dos trabalhos publicados por Crowley citavam muitos verbetes, mas com algumas edições abaixo. Há quatro destas:

a) Páginas 114-117 da LAM contem material do (e, usualmente, explicitamente creditada na LAM a este) "Livro 4 de Frater Perdurabo (i.e. Aleister Crowley) e Soror Virakam (Mary d'Este Sturges). Especificamente, o material vem do "Capitulo IV" (pags 27-30, mais o diagrama mostrado na pág 27) da "Parte 2" do "Livro 4", o qual foi publicado em Londres em 1913. (Esta passagem foi copiada na LAM com "/" substituindo toda a pontuação. Muito do material na LAM tem essa formatação: meu palpite é que isto seja uma fase que Gardner repassou e foi feito intencionalmente para a LAM parecer mais arcaica.)

b) Páginas 60-63 da LAM cotem material do "Capitulo IX" (pags 68-71) da "Mágica em Teoria e Prática" de Aleister Crowley, o qual foi impresso privadamente, disponível apenas por requisição, em Paris em 1929 e não foi reimpresso até 1960. Se alguém não foi um dos requisitantes, isto tornaria muito difícil possui-lo em 1930 e 1940, interessantemente nós sabemos que Arnold Crowther obteve uma cópia por acaso durante a Segunda Guerra Mundial e que ele era então um amigo de Gardner. Parece ser possível que Gardner pode ter emprestado a cópia de Arnold Crowther, leu algo e copiou algo na LAM. No contexto da LAM, as partes contém material de magia cerimonial tanto Wicca e salomônica, uma vez que isto discute o uso de nomes bárbaros [NT: nomes de entidades pertencentes a outro sistemas mistico-mágicos], uma técnica fundamental na magia salomônica mas pouco usada na Wicca.

c) Paginas 132-138 da LAM contém também material da "Magia em Teoria e Prática" (1929) de Aleister Crowley, especificamente do "Capitulo XII" (pags 92-99). Ao contrario das outras passagens de "magia em Teoria e Prática" mas parecido com o "Livro 4", estas tem grifos de barras no lugar da pontuação. Novamente, no contexto da LAM esta passagem parece estar mais relacionada com a magia cerimonial salomônica do que com o material wiccan; certamente, o conteúdo das paginas da LAM de Gardner inclui referencias cruzadas com uma passagem tirada das "Chaves do Rei Salomão" para o mesmo assunto.

d) Paginas 12-13 da LAM contém uma pequena passagem em teria mágica a qual está claramente relacionada com a passagem do "Capitulo X" (pags 80-81) do "Magia em Teoria e Prática" (1929) de Aleister Crowley. Esta passagem recai em duas partes: a parte na pág 12 são notas entre parênteses adicionadas na parte da pág 13. O texto no pedaço da pág 13 não parece com algo parecido da "magia em Teoria e Prática", mas é bem similar à passagem das pags 150-151 de "A Árvore da Vida: Um Estudo em Magia" por Israel Regardie (Londres, 1932)(o qual, por sua vez, foi claramente influenciado pelo "Magia em Teoria e Prática" de Crowley). As notas na pág 12, por outro lado, contém diversas citações não encontradas na "Árvore da Vida" mas são encontradas em "Magia em Teoria e Prática". Parece claro que (a menos que haja alguma fonte em comum da qual a "Árvore da Vida" e "Magia em Teoria e Prática" possam ter vido) o autor desta passagem na LAM leu tanto a "Árvore da Vida" e "Magia em Teoria e Prática". Pelo formato do material a ordem mais aparente parece que ele leu a "Árvore da Vida" primeiro, copiou uma pequeno trecho dele e então depois ao ler a "Magia em Teoria e Prática" ele percebeu as similaridades entre as duas passagens e adicionou algumas notas em sua cópia, incluindo algo do material que Crowley forneceu mas que Regardie omitira. Uma vez que a "Árvore da Vida" foi publicado 10 anos após "Magia em Teoria e Prática", isto sugere que o autor desta passagem na LAM obteve de alguma forma acesso a uma cópia da "Magia em Teoria e Prática" bem depois de sua publicação.

2) Crowleismos [NT: o neologismo inevitável nos leva a considerações quanto ao conceito, significado e aplicação do mesmo]. Palavras, frases, conceitos ou símbolos cunhados por, associados com, ou reminescentes de Crowley que ocorrem no texto:

a) Na página 28 da LAM, próximo à descrição da consagração do bolo e vinho, são uma coletânea de símbolos que podem ser um adorno da OTO, entretanto eu posso ver varias possibilidades interpretativas dos símbolos, ao menos um deles (relacionado ao mistério wiccan) eu achei mais plausível que o da OTO. O ritual de consagração do vinho que acompanha estes símbolos poderia ser bem familiar a qualquer Gardneriano iniciado e carrega nenhuma aparência particular aos rituais de Crowley publicados além daquele que possui um copo, vinho e simbolismos freudianos. Certamente, o ritual mais similar que eu fui capaz de achar é uma cerimonia de iniciação na Golden Dawn do grau Adeptus Minor, onde um dos três iniciadores segura um copo de vinho e outro mergulha uma adaga ali e então a usa para consagrar a pessoa a ser iniciada (com um sinal da cruz). Isto pode ser encontrado na pág 215 do "Volume 2" do livro "A Golden Dawn" de Israel Regardie (Chicago, 1938). Entretanto, o simbolismo freudiano nele não é explicito no ritual da Golden Dawn e ele é um elemento pequeno em um ritual extremamente longo e elaborado. Este ritual foi publicado primeiro de uma forma sumária por Aleister Crowley em "O Templo do Rei Salomão, Parte 2" no "The Equinox, Volume I, Número III"( Londres, 1910): nesta referência, o copo e a adaga são portados pela mesma pessoa e os comentários de Crowley acerca do ritual via a adaga como símbolo da Cruz ou Morte, enquanto o copo simboliza o Lótus ou Ressurreição, o contexto (positivamente cristão) do restante do simbolismo deste ritual faz muito mais sentido do que uma interpretação freudiana. Uma versão detalhada deste ritual foi posteriormente publicada por Israel Regardie no "Volume 2" do "A Golden Dawn" (1938), como mencionado acima, mas sem comentários acerca do simbolismo. Neste tem pessoas diferentes portando o copo e a adaga como descrito acima: isto pode ser um equivoco na versão de Crowley, ou pode simplesmente refletir uma mudança na prática cerimonial da Golden Dawn entre a época da iniciação como Adeptus Minor de Crowley, segundo a matéria da Golden Dawn em Paris em 1900 e a iniciação de Regardie em 1930 na Stella Matutina, um grupo filiado da Golden Dawn.

b) Na pág 37 da LAM, acompanhado do texto Blessed Be estão alguns símbolos que podem conceitualmente ter a intenção de simbolizar a frase de Crowley "amor sob a vontade", eu acho que posso ver novamente outras possíveis interpretações, ao menos uma que eu acho mais plausível.

c) Os símbolos "V,V,V,V,V" (ou "v,v,v,v,v") aparecem em várias partes da LAM, incluindo pág 37, 98 ou 99 ( a numeração original de minha transcrição está obscura neste ponto) e 226. Do contexto em que isto é usado, parece sempre que é escrito no lugar de algum nome(s) de uma divindade secreta onde isto ocorra no texto de um ritual wiccan. Em algumas partes o(s) nome(s) foram acrescentados próximos (mais tarde, segundo alguns) em escrita tebana. A primeira vista isto é perturbador, uma vez que um dos muitos nomes mágicos de Crowley era normalmente escrito "V.V.V.V.V." (isto significa "Vi Veri Vniversum Vivus Vici", i.e.: "Pela Força da Verdade Eu Conquistei o Universo Enquanto Vivo" [NT: eu creio que o mais próximo disso é "Venci Vivo Verdadeiramente o Vniverso"] e ele tomou este nome em 1909). Entretanto, eu suspeito que o compositor não estava ciente disto e não era a intenção de indicar que Crowley fosse (ambos) o(s) Deus(es) das bruxas, mas que ele simplesmente viu o símbolo nos escritos de Crowley e pensou ser um símbolo adequado para indicar a presença de um nome sem menciona-lo. Esta forma de nome de Crowley aparece em várias partes de seus trabalhos publicados, incluindo o "Liber Cordis Cincti Serpente", "Curriculum da A.'. A.'.", "Liber LXI vel Causae", "A Syllabus of the Official Instruction of A.'. A.'. Hither Published", "The Vision and The Voice", "Liber Liberi to vel Lapis Lazuli", "Liber Porta Lucis", "Liber NV, the Abuldiz Working", "The Book of Lies","The Book of Thot" e o "Introduction to Magick in Theory and Practice". Os três primeiros foram publicados no "Equinox, Volume III, Número 1" (The Blue Equinox, Detroit, Michigan, 1919). Na maior parte deles está claro que "VVVVV" é o nome de uma pessoa, mas em outros tudo é (ao menos a alguém familiar aos hábitos de Crowley de falar de si mesmo na terceira pessoa sob vários pseudônimos) extremamente discutível que seja Crowley e somente no "The Vision and The Voice" está explicado do que isto é uma abreviação (penso que "Vi Verum Vniversum Vivus Vinci" também ocorre sem "VVVVV" no "The Book of Thot" e "The Herb Dangerous").

d) Na pág 47 da LAM a frase "PL and PT" [NT: Perfeito Amor e Perfeita Confiança] aparecem duas vezes. No contexto isto significa claramente "Perfect Love and Perfect Trust". Como foi sugerido por Doreen Valiente isto pode ter vindo da sentença "perfeito amor, perfeita fé, perfeita confiança e você está protegido" a qual aparece na "Parte 1" no "The Revival of Magic" de Aleister Crowley, o qual foi publicado no "The International" em Agosto de 1917. Entretanto, o "The International" era uma revista pró-germânica publicada em uma pequena tiragem em Nova Iorque durante a Primeira Guerra Mundial (o qual Crowley havia pego o cargo de editor). Isto então tornaria bem difícil de acha-lo na Inglaterra. A única biblioteca na Bretanha que possui a coleção é a Biblioteca Britânica e mesmo esta coleção perdeu algumas edições (acho que eles tinham a edição de Agosto de 1917). As frases "perfeito amor e perfeita confiança" também aparece em vários contextos cristãos, como em "as palavras 'amarás o Senhor teu Deus' exige perfeita obediência, perfeito temor e perfeito amor", no comentário sobre a "Epístola aos Gálatas" de Martinho Lutero (1535), como foi traduzido por Theodore Graebner (Grand Rapids, Michigan, 1949). É também possível que tanto Crowley e a LAM foram atraídos por alguma fonte desconhecida (as frases não soariam fora de lugar em um contexto maçônico). Elas são também curtas o suficiente que simplesmente foram reinventadas não é implausível: eu as encontrei juntas tanto em poesia amadora e erotismo BDSM [NT: bondage, dominação, sado-masoquismo] que não seriam obviamente wiccan na origem.

e) Na pág 47 da LAM a "posição do Aprendiz" {NT: position of Enterer, no original, não consigo encaixar em uma palavra, sem conhecer seu conceito ou uso dentro dos trabalhos de Crowley] é mencionado duas vezes e na pág 94 a "posição do Aprendiz" é mencionado. Isto presumivelmente vem do "Signo do Aprendiz" da Golden Dawn (que é mais uma posição ou estado do que alguém normalmente pensaria como sendo um "signo"). Isto pode ter sido pego da Golden Dawn, seja diretamente ou através do "Volume 3" do "A Golden Dawn" de Israel Regardie(Chicago, 1939), u pode ter vindo dos escritos de Aleister Crowley. Crowley somente usou a expressão "posição de Aprendiz" uma vez, em um dos pontos onde este estado é mencionado em seus extratos vindos dos papéis Z2 da Golden Dawn na "Parte 2"de sua coluna autobiográfica "The Temple of Salomon the King" no "The Equinox, Volume I, Número III"(Londres, 1910) entretanto, neste artigo isto nunca é explicado como é feito ou como se parece. O signo é mencionado por vários outros nomes em várias partes dos trabalhos de Crowley: ele muitas vezes o chama de "signo do Aprendiz" ( no "Liber Pyramidos", "The Mass of the Phoenix", "Liber V vel Reguli", "Liber Samekh" e "The Book of the Thot"), ou então como o "signo de Hórus" (no "The Star Ruby" e "Liber V vel Reguli"). Entretanto, o único lugar onde ele explica como faze-lo é em "Liber O vel Manus et Sagittae", onde isto é referido como somente uma "típica posição do Deus Hórus". Isto então parece impossível que os trabalhos publicados de Crowley sejam a fonte de onde isto tenha vindo. Outra possibilidade é que tenha derivado do "A Golden Dawn" de Israel Regardie, o qual contém instruções da Golden Dawn explicando como faze-lo (penso que aqui também isto está sempre se referindo como o "signo do Aprendiz", exceto em uma parte nos papéis Z2, mas ao ver e falta de outra evidência material que a LAM derivou do "A Golden Dawn" de Regardie, isto parece ser implausível também. O melhor candidato a ser sua fonte, na minha opinião, é um livro recente de Israel Regardie, "The Tree of Life: a Stydy in Magic", do qual um par de outras passagens na LAM claramente deriva e do qual nas págs 142-143 também explica (em termos que evidentemente vindos do "Liber O vel Manus et Sagittae" de Crowley) como fazer o signo do Aprendiz.

f) Na pág 98 ou pág 99 da LAM (como menciono, a numeração original de minha transcrição é obscura neste ponto) o uso de cordas para amarrar objetos mágicos é mencionado. Pela terminologia especificamente usada, isto parece vir originalmente dos papéis Z2 da Golden Dawn. Os extratos relevantes deles foram publicados primeiro por Crowley, em sua revista "The Equinox, Volume I, Número III" (Londres, 1910) na "Parte Z2" de sua coluna autobiográfica "The Temple of Solomon the King" e foram publicados posteriormente na íntegra por Israel Regardie no "Volume 3" de sua obra "A Golden Dawn" (Chicago, 1939). Uma vez que há pouco material vindo disto na LAM e é proeminentemente muito superficial (veja item 3, b, abaixo), é evidentemente por Crowley e outro livro de Regardie do que diretamente da Golden Dawn, eu suspeito que o compositor da LAM não leu o "A Golden Dawn" de Regardie e então, que a fonte que isto veio, era de Crowley mais do que "A Golden Dawn", mas o posterior pode não ter sido.

g) Um bem conhecido crowleismo que não está na LAM está na pronuncia "magick": através da LAM (mesmo em passagens atadas dos trabalhos de Crowley mencionados acima), a pronuncia "magic", "magician" e "magical" são usadas mais do que as expressões de Crowley "magick", magickian" e "magickal" [NT: em português, o mais próximo seriam: magia, mágica, mágico, mago, Magista, magicamente, etc.]. isto somente é suficiente para sugerir para mim que o(s) compositor(es) do material na LAM não eram iniciados da OTO na época. Se o próprio Crowley o tivesse escrito, ele certamente o teria entitulado como "The Art of Magick, vel Liber XL" (ou "Da Arte Mágica", não "Ye Bok of Ye Art Magical"!).

3) Passagens Ritualísticas. Segmentos intactos de magia ritual que parecem ter vindo dos trabalhos de Crowley. São três destes e eles são todos justamente pequenos, mais elementos ritualísticos do que rituais completos.

a) Pág 29 da LAM tem um pedaço de poesia a qual é claramente derivada da primeira metade dos poemas de Crowley, "La Fortune", o qual foi publicado primeiro na pág 54 do "Seven Lithographs by Clot from the Water-Colour of Auguste Rodin, With a Chaplet of Verse by Aleister Crowley" ("Rodin in Rime", Londres, 1907, edição de 500 cópias), reimprimido na pág 120 do "Volume 3"do "The Works of Aleister Crowley" (Foyers, 1907). No original de Crowley aparece:

"Ave, Tyche! Do amalteano chifre
Derramai o vaso de amor!
Eu lentamente inclino
Diante dela! Eu a invoco no final
Quando outros deuses estão caídos e foram enxotados.
A estes pés são meus lábios; meus sinais germinais
Crescem, tocam e coroam sua cabeça; eles devotam
Complacente amor. Amavelmente piedosos, descendo
E trazendo-me sorte a quem sou solitário e desprezado"
[NT: não encontrei sinônimo para "forlom", coloquei "desprezado" por estar dentro do contexto].

De acordo com a pessoa que fez a transcrição da qual eu tenho uma cópia, a versão da LAM é mais difícil de ler, uma vez que não está legível mas está na manuscrita rabiscada de Gardner, mas parece estar um pouco alterada, com exceção do nome da Deusa evocada foi alterado: no lugar da Tyche de Crowley há um espaço em branco, presumivelmente com a intenção de ser preenchido com o nome de uma divindade wiccan.

b) Págs 44-45 da LAM contém o Ritual Menor do Pentagrama e há referencias para o uso dele nas partes introdutórias dos ritos wiccan na pág 46 e pág 94 (isto não significa que é a única ocorrência na LAM do uso de material de magia cerimonial de uma natureza claramente Judaico-Cristão no contexto de um ritual wiccan). Enquanto o Ritual Menor do Pentagrama parece ser uma criação da Golden Dawn (possivelmente baseado em uma oração judaica), dos detalhes das palavras e traduções do Hebraico indicados com ele, o texto da LAM tem visivelmente origem dos trabalhos de Crowley do que diretamente da Golden Dawn. Entretanto, ele está diferente da versão de Crowley em quatro aspectos significativos.

Primeiro, a transliteração do Hebreu para o alfabeto romano foi alterado pela versão cristianizada (baseada naquela usada para transliterar palavras hebraicas na bíblia) usada pela Golden Dawn e (com uma pequena mudança) por Crowley, para uma transliteração acurada da pronuncia hebraica no dialeto asquenazi (Leste e Norte europeu).

Segundo, algumas notas estão anexadas a ele que são evidentemente comentários por alguém familiarizado tanto com os trabalhos de Crowley quanto com a magia salomônica judaico-cristã: um deles usa a frase: "Santo Anjo Guardião", muito usado por Crowley mas originalmente vindo da tradução do "The Book of the Sacred Magic of Abra-Melin the Mage" de S.L. Mac Gregor Mather [NT: existe uma versão em português deste livro: "O Livro da magia Sagrada de Abra-Melin, o Mago" de John M. Watkins, Editora Anúbis, 1997]. Apesar deste aparente crowleismo, o conteúdo destas anotações não estão baseadas no material de lugar algum dos trabalhos publicados de Crowley.

Terceiro, a versão da LAM usa numerais arábicos onde Crowley usa apenas numerais romanos e em quarto, a versão da LAM omite muitos dos comentários de Crowley. Entretanto, todos estes quatro elementos ocorrem em outra fonte publicada: "The Tree of Life: a Study in Magic" por Israel Regardie (Londres, 1932). Uma vez que Israel Regardie fala o dialeto asquenazi do hebreu e defendeu seu uso por magos que falam inglês nativo e foi secretario de Crowley de 1928 a 1938 (durante o qual, por sua vez, Crowley nunca ensinou magia, ele evidentemente leu muitos dos trabalhos publicados por Crowley), nem o fato que esta versão do Ritual Menor do Pentagrama era baseado no trabalho de Crowley, nem a natureza das diferenças, são muito surpreendentes. Na passagem relevante do "The Tree of Life: a Study in Magic" aparece:

1. Tocando a testa, diga Atoh (a Ele)
2. Tocando o peito, diga Malkus (o Reino)
3. Tocando o ombro direito, diga ve-Gevurah (e o Poder)
4. Tocando o ombro esquerdo, diga ve-Gedulah (e a Glória)
5. Batendo as mãos abaixo do peito, diga le-Olahm, Amem (por toda a eternidade, amém)
6. Voltando para o Leste, faça um pentagrama da Terra com a vara ou espada e diga (vibrando) YHVH.
7. Voltando para o Sul, o mesmo, mas diga ADNI.
8. Voltando para o Oeste, o mesmo, mas diga AHIH.
9. Voltando para o Norte, o mesmo, mas diga AGLA.
10. Estique os braços na forma de uma cruz, diga:
11. Na minha frente, Raphiel
12. Atrás de mim, Gabriel
13. Na minha mão direita, Michael
14. Na minha mão esquerda, Auriel
15. Acima de mim, as Chamas do Pentagrama
16. E na coluna está a estrela de seis raios
17. Repetir de 1 ao 5, a Cruz Cabalística

Este trecho pode provar o interesse ao leitor que Aleister Crowley frisou para aqueles "que pensem neste ritual como um mero recurso, uma mera ferramenta para evocar ou banir espíritos, não merece possui-lo. Devidamente compreendido, ele é a Medicinados Metais e a Pedra do Sábio". Com a encenação dele existe, como eu frisei, um movimento complexo. O ritual primeiro invoca e tendo banido pelo pentagrama todos os elementos dos quatro pontos cardeais com a ajuda dos quatro nomes de Deus, ele então evoca os quatro Arcanjos como guardiões divinos para proteger a esfera da operação mágica. De perto, ele novamente invoca o Ser Superior, então desde o principio ao fim, a cerimonia inteira está sob a vigilância do Espírito. Na primeira seção, comprimindo os pontos de 1 a 5, identifica o Santo Anjo Guardião do Magista com os aspectos maiores do universo Sephirótico; de fato ele afirma a identidade da alma com Adão Kadmon.

Na Segunda seção, pontos 6 a 9, o Magista traça um circulo de proteção, enquanto sua imaginação está formulando um Círculo de Fogo Astral dentro do qual prosseguira com seu trabalho. No Norte, Sul, Leste e Oeste deste círculo, pentagramas de banimento do elemento Terra são traçados com a vara ou espada. Como estes pentagramas são formados no ar com a arma elemental, todo esforço deve ser feito para conceder vitalidade e realidade a eles. A performance cega deste ritual, como é tão verdadeiro em todos os aspectos da Teurgia, é um tanto inútil e é um desperdício tanto de tempo quanto de energia. A imaginação, simultaneamente, pode ser estimulada para criar estes pentagramas sobre o Magista no plano astral em figuras reluzentes de fogo, então que através das linhas de fluxo de luz e poder, representativos do ente espiritual, nenhuma entidade menor de tipo algum ousaria atravessar. É necessário que o Magista tenha certeza que ele não abaixe a arma elemental após formular o pentagrama no ar. O círculo deve ser completo, continuo e ligado de pentagrama a pentagrama. A fulgurante estrela de cinco pontas é como uma espada chamejante a aquela que expulsou Adão do Paraíso do Éden. Os quatro arcanjos, os regentes espirituais dos planetas do Sol, Lua, Mercúrio e Vênus, são então invocados para dar legitimidade ao trabalho e poder espiritual e proteção tanto para os pentagramas circundados e o círculo dentro do qual o Magista está inserido. A última frase do ritual declara um flamejante pentagrama acima dele e invoca mais uma vez o Santo Anjo Guardião para que a operação esteja selada com a marca da luz divina.

As notas da LAM cobrem muitos dos mesmos pontos como o comentário dado acima, usando muito as mesmas frases. Elas são muito mais breves, mas são claramente derivadas dos comentários de Regardie. Para alguém que quiser fazer uma comparação, a versão de Crowley do Ritual Menor do Pentagrama pode ser encontrado no "Liber O vel Manus et Sagittae" no "The Equinox, Volume I, Número II" (Londres, 1909) na pág 19 e na "Magick in Theory and Practice" (Paris, 1929) no "Apêndice VII" na págs 379-380. O original da Golden Dawn pode ser encontrado no "A Golden Dawn" de Israel Regardie, "Volume I" (Chicago,1937), págs 106-107.

c) Págs 191-193 na LAM contem um pedaço dos escritos de Crowley, aparentemente planejado para ser clamado pelo HP ( na terminologia da LAM, a Alta Sacerdotisa: o mais moderno "HPs" ou "HPS" não ocorrem na LAM). Este é um fragmento de ritual e não é dado no contexto de um ritual mais extenso. Existem dois lugares nos trabalhos de Crowley onde isto pode ter sido tirado: o primeiro é da obra canalizada "O Livro da Lei", Capítulo I, Versos 61 e 63-65, e o segundo é na Missa Gnóstica, onde exatamente este extrato do "Livro da Lei" ocorre e é falado pela Sacerdotisa. Aqui estão os versos 60-66 do Capítulo I do "Livro da Lei":
60. Meu número é 11, como todos os números dos que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio & o círculo é Vermelho. Minha cor é preta ao cego, mas azul e dourado são vistos pelo aspirante. Também Eu tenho uma glória secreta àqueles que me amam.

61. Mas para amar-me é melhor que todas as coisas: se debaixo das estrelas noturnas no deserto tu imediatamente queimares meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro e a Serpente chamejar nele, tu poderás vir um pouco para deitar em meu peito. Por um beijo tu irás então desejar dar tudo; mas aquele que der uma partícula de poeira irá perder tudo nesta hora. Irás juntar posses e guardar da mulher e temperos; irás vestir ricas jóias; irás exceder as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre em amor a mim e então virás para meu júbilo. Eu te comando determinadamente para vir diante de mim em um manto singular e coberto com um rico penteado. Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso, Eu que sou todo púrpura, recatado ou voluptuoso, Eu que sou todo prazer e púrpura e embriagado no sentido mais íntimo, te desejo. Ponha as asas e desperte o esplendor cacheado de dentro de ti: venha para mim!

62. Em todos os meus encontros contigo irá a Sacerdotisa dizer - e os olhos dela irá queimar de desejo enquanto ela descansa nua e regozijando em meu templo secreto - A mim! A mim! Chamando adiante a chama dos corações de todos em seu cântico de amor.

63. Cante a arrebatadora música de amor para mim! Incense perfumes para mim! Enfeite-se de jóias para mim! Beba a mim, porque eu te amo! Eu te amo!

64. Eu sou a filha de pupilas azuis do Crepúsculo; Eu sou o brilho despido do voluptuoso céu noturno.

65. A mim! A mim!

66. A manifestação de Nuit está no fim.

Crowley escreveu (ou transcreveu) "O Livro da Lei" em 1904 e publicou privadamente em "Thelema" (The Holy Books, Londres, 1909) Volume 3, no seu periódico "The Equinox" no Volume I, Número VII (Londres, 1912) com uma copia reduzida quase ilegível da versão do original manuscrito (garrancho) com um comentário, no Volume I Número X (Londres, 1913), em uma transcrição impressa e de novo no Volume II Número 3 ("The Equinox of the Gods, Londres, 1936) em uma transcrição impressa com um comentário extenso. Isto também foi impresso privadamente como uma brochura pela "Church of Thelema" em Pasadena, Califórnia em 1938 e também pela OTO em Londres, 1938. Crowley tinha o hábito de usar extratos do "Livro da Lei" (o qual ele recordava como a pedra fundamental e livro sagrado de sua filosofia-religião "Thelema" e afirmou que foi ditado a ele por uma "inteligência alterhumana") em muitos de seus escritos posteriores. Eis aqui as palavras da sacerdotisa da Missa Gnóstica. Crowley escreveu a Missa Gnóstica em 1913 e a publicou na revista americana "The International" em Março, 1918 9como discutido acima, isto pode ter sido bem difícil de obter na Inglaterra), em seu periódico "The Equinox, Volume III, Número I" ("The Blue Equinox", Detroit, Michigan, 1919) e em "Magick in Theory and Practice" (Paris, 1929), "Apêndice VI". A versão no "The Blue Equinox, eu acho que foi recomposta, é praticamente idêntica àquela no "The International", mas a versão na "Magick in Theory and Practice" tem um número de diferenças menores (a maior parte corrigindo pequenos erros nas citações do "Livro da Lei"), alguns dos quais estão nessas passagens. As diferenças serão mostradas em pedaços como: ["The International/"The Blue Equinox"/ "Magick in Theory and Practice"]:
Mas para me amar é melhor que todas as coisas [;/;/:] se debaixo das estrelas noturnas no deserto tu imediatamente queimares meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro, e a [s/s/S]erpente chamejar nele, tu poderás vir um pouco para deitar em meu peito. Por um beijo irás tu então estar desejando dar tudo, mas aquele que der uma partícula de poeira irá perder tudo nesta hora. Irás juntar posses e guardar da mulher e temperos; irás vestir ricas jóias; irás exceder as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre em amor a mim e então virás para meu júbilo. Eu te comando determinadamente para vir diante de mim em um manto singular e coberto com um rico [penteado/ ornato/ ]. Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso, Eu que sou todo prazer e púrpura e embriagado no sentido mais íntimo, te desejo. Ponha as asas e desperte o esplendor cacheado de dentro de ti [;/:/:] venha para mim! A mim! A mim! Incense perfumes para mim! [ / / Enfeite-se de jóias para mim!] Beba a mim, porque eu te amo [././!] Eu sou a filha de pupilas azuis do [c/c/C]repúsculo [:/:/.] Eu sou o brilho despido do voluptuoso céu noturno. A mim! A mim!

A LAM confere coma versão da "Magia em Teoria e Prática" e da "Missa Gnóstica" em quatro destes oito lugares: a palavra "serpente" está em maiúsculo, "penteado" contém hífen [NT: no original: head-dress], a frase "enfeite-se de jóias para mim" está presente e "crepúsculo" está em maiúsculo; mas há uma vírgula após "coisas" (inconclusivo), uma vírgula após "dentro de ti" (inconclusivo), uma parada total após o segundo "eu te amo" (conferindo com versões recentes) e uma vírgula após crepúsculo" (inconclusivo). Todavia (particularmente na parte da inclusão da frase "enfeite-se de jóias para mim") isto é suficiente para deixar claro que esta passagem na LAM não foi tirada da versão da "Missa Gnóstica" do "The International" ou do "The Blue Equinox", mas sim da versão da "Missa Gnóstica" do "The Magick in Theory and Practice" ou diretamente do "Livro da Lei". Dada a coincidência que a LAM reproduz exatamente os mesmos extratos do "Livro da Lei" que está na "Missa Gnóstica", começando e terminando nos mesmos lugares e com a mesma omissão do "Verso 62" e também mostra-o como sendo dito pela sacerdotisa, isto me sugere que este material foi tirado da "Missa Gnóstica" ( como fornecido no "Magick in Theory and Practice"), mais do que diretamente do "Livro da Lei". Parece ser plausível que esta passagem na LAM data do mesmo período de um ou mais passagens na teoria mágica copiada do "Magick in Theory and Practice" na LAM que foi discutido acima. Incidentalmente, algum material similar ocorre no "Capítulo XXII" da novela "Jurgen" de James Branch Cabell (Nova Iorque, 1919) e eu ouvi sugerirem que todo material derivado de Crowley na LAM vem desta fonte, ou que Crowley pegou material de Cabell ou que todos os três são provindos de um ancestral comum. Uma pequena comparação textual torna bem claro que não é qualquer um destes casos: existem materiais em "Jurgen" e na "Missa Gnóstica" de Crowley, mas não na LAM e em vários trabalhos de Crowley, mas não em "Jurgen", mas não há coisa alguma tanto em "Jurgen" e na LAM, mas não na "Missa Gnóstica". Similarmente, do material que está nos três, as versões no "Jurgen" e na LAM mais parece com a "Missa Gnóstica" mais do que se parecem entre si. Adicionalmente, algo do material que está no "Jurgen" e na "Missa Gnóstica" vem do "Livro da Lei" , o qual foi publicado primeiramente em 1909 e do qual nós temos boas razoes para crer que foi originalmente transcrito em 1904. Uma vez que Cabell foi um escritor prolífico, que escreveu mais de 30 livros, parece improvável que um manuscrito de "Jurgen" existiu em 1904, quinze anos antes de sua publicação em 1919 e então é extremamente improvável que Crowley possa ter tirado material de Cabell do que vice-versa (verdadeiramente, este tipo de plagiarismo não parece com Crowley: nas únicas ocasiões que eu estava alerta de em qual ele cometera plágio, foi nos papéis mágicos da Golden Dawn e foi feita com malícia planejada após Crowley deixar os autores/editores). Então está claro que o material em "Jurgen" vem da "Missa Gnóstica")verdadeiramente, é basicamente uma paródia dela: "Jurgen" é um livro de humor distorcido), presumivelmente baseado na versão que Crowley publicou na revista "The International" em Nova Iorque, em Março, 1918 (parece que enquanto Cabell estava escrevendo "Jurgen", que foi concluído no ano seguinte) e que a LAM é independentemente derivada de vários trabalhos publicados de Crowley, incluindo (Mas não limitado a) a "Missa Gnóstica".

4) Reutilização de Material. Frases, sentenças ou passagens vindas dos trabalhos de Crowley e reutilizadas no contexto de um ritual wiccan, tipicamente com consideráveis modificações:

a) Na pág 95-96 da LAM ocorre um par de linhas em um ritual que é bem similar às linhas do "The Supreme Ritual" em "Two Fragments of Ritual" supostamente ." (parece ser um . traduzido dos originais germânicos de Wesihaupt por "Fra. dos muitos pseudônimos de Crowley e publicados no "The Equinox, Volume I, Número X", Londres, 1913):
I: Estás armada?
O: Com uma adaga
[O. tira a adaga de seu cabelo]

b) Págs 225-227 da LAM contém um pedaço de ritual (possivelmente com a intenção de uma continuação dos pedaços nas págs 191-193). Primeiro o Alto Sacerdote diz um pedaço o qual (enquanto inclui um par de citações de partes diferentes do "Livro da Lei") está claramente provindo da "Missa Gnóstica"(1918,1919,1929). Na "Missa Gnóstica" o Sacerdote fala:
Oh segredo dos segredos que estão escondidos na existência de tudo que vive, não a Vós adoraremos pois aquele que adora sois Vós também. Vós sois Aquele e Ele sou eu.
[não há quebra de parágrafo aqui no "The International]
Eu sou a chama que queima em todo coração humano e no cerne de toda estrela. Eu sou Vida e o doador da Vida [;/;/,] agora então é o conhecimento de mim o conhecimento da morte. Eu estou solitário, não há Deus onde Eu sou.
No "The International" este é um parágrafo, não dois e a pontuação nas versões do "The International" e do "Blue Equinox" diferem como marcadas da versão do "Magick in Theory and Practice". A LAM o tem separado em parágrafos de sentenças individuais e tem uma vírgula após "vida", então de novo isto combina melhor com a versão do "Magick in Theory and Practice", acho que a evidência é menos conclusiva do que a de cima. Existe então um pequeno pedaço, também falado pelo Alto Sacerdote, o qual parece vir da Maçonaria e outras fontes. Então o Alto Sacerdote e a Alta Sacerdotisa juntos dizem outro pedaço pequeno claramente vindo da "Missa Gnóstica", no qual é falado pelo Sacerdote sozinho, deste modo:
Há nenhuma parte de mim que não seja dos Deuses.
Outra vez, as três versões da "Missa Gnóstica" combinam. Enquanto este material contém pequenas citações do "Livro da Lei" (todas as quais são também encontradas na "Missa Gnóstica"), muito disto é encontrado apenas na "Missa Gnóstica" e está claro que a fonte da qual este material na LAM vem da "Missa Gnóstica". A evidência não deixa claro qual versão da "Missa Gnóstica" ele veio mas de novo ele combina melhor com a versão do "Magick in Theory and Practice".

c) Págs 263-268 na LAM contém um pedaço muito interessante, aqui entitulado "Leviter Veslis", o qual é evidentemente a fonte do material o qual Doreen Valiente mais tarde reescreveu dentro da Carga da Deusa (inicialmente, como Stephen Jones indicou, a palavra "carga" é usada nos círculos maçônicos para significar "um discurso explanatório ou expositório", enquanto que em "Uma Evocação de Bartzabel o Espírito de Marte", Crowley o usou como um discurso feito para evocar um espírito, saudando-o e dando-lhe instruções). Eu irei discutir esta parte em detalhes na próxima seção.

d) Págs 271-278 da LAM contém rituais de sabath, nos quais tem algum material vindo de Crowley o qual é vindo enfim do "Livro da Lei", provavelmente pela "Missa Gnóstica". Entretanto, este material de Crowley está todo presente nos extratos da "Missa Gnóstica" na pág 225-227 da LAM discutida acima e então isto parece plausível que estes rituais são mais citações desta passagem na LAM do que citações de Crowley diretamente.

Leviter Veslis

A passagem de "Leviter Veslis" é suficientemente complexa, interessante e é importante que eu sinto que ela vale ser mostrada inteira aqui e então analisar detalhadamente as fontes de onde ela vem.
O titulo da passagem "Leviter Veslis" enquanto sem sentido em latim clássico, é uma frase comum no latim da Igreja Medieval significando 'levantando o véu" [é interessante notar que a frase "levantando o véu" também ocorre na "Missa Gnóstica" de Crowley, na quarta seção que está entitulada "Da Cerimônia da Abertura do Véu"). Eu não posso reproduzir aqui o transcrito que eu tenho do "Leviter Veslis" uma vez que eu sinto que ele pode ser uma quebra do meu voto se o fizer e também porque eu não tive a permissão dos atuais proprietários da LAM. Entretanto, eu posso evitar isso, uma vez que um transcrito deste pedaço já foi publicado por Aidan Kelly, tanto no "Crafting the Art of Magic, Book I" e várias versões dele em um dos disquetes que ele tem vendido por muitos anos (sob o título "Os Conteúdos Públicos do Livro das Sombras"!) e como resultado isto pode ser encontrado até mesmo publicado na Web em cerca de doze lugares diferentes. A versão que eu mostro aqui é tirada do "Crafting the Art of Magic, Book I"; enquanto esta transcrição não é idêntica a esta em minha posse (realmente, eu irei mais longe ao dizer que esta versão é malfeita), ela é parecida o suficiente que as (numerosas mas com duas exceções menores) diferenças não irão afetar minha conclusão: uma analise similar da melhor transcrição que eu tenho conduz aos mesmos resultados, ela apenas providencia sutilmente evidências coerentes para elas.

Ouça às palavras da Grande Mãe, a qual pelos antigos era também chamada entre os homens de Ártemis, Astarte, Dione, Melusine, Afrodite, Cerridwen, Diana, Arianrhod, Brida e por muitos outros nomes:
Em meus altares os jovens da Lacedemônia em Esparta fizeram o devido sacrifício.
Sempre que houver necessidade de algo, uma vez ao mês e melhor que seja quando a lua estiver cheia, reunam-se em um lugar secreto e adore o meu espírito, que sou a Rainha de todas as Bruxarias e magias.
Nesta assembléia, aos que estão dispostos a aprender toda feitiçaria, mas que por ora não venceu seus profundos segredos. A estes eu irei ensinar coisas que ainda são desconhecidas.
E serão libertos da escravidão e como um sinal que são realmente livres, deverão estar nus em seus ritos, tanto homens quanto mulheres e deverão dançar, cantar, festejar, fazer música e amor, tudo em meu louvor.
Há uma Porta Secreta que eu fiz para estabelecer o caminho para sentir mesmo na terra o elixir da imortalidade. Digam: "que o êxtase seja meu e alegria na terra igualmente para mim, a mim".
Pois eu sou uma Deusa graciosa. Eu dou inimagináveis alegrias na terra, certeza, não fé, durante a vida! E na morte, paz inefável, descanso e êxtase, nem eu exijo coisa alguma em sacrifício.
Ouçam as palavras da Deusa Estrela:
Eu te amo. Eu anseio por ti: pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso.
Eu que sou toda prazer e púrpura e embriagada no sentido mais intimo, desejo-te. Ponha as asas, desperte o esplendor cacheado de dentro de ti, venha para Mim.
Pois Eu sou a chama que queima no coração de todo homem e no cerne de todas as estrelas. Que seu intimo divino esteja perdido no constante arrebatamento da alegria infinita.
Que os rituais sejam corretamente feitos com alegria e beleza. Lembra-te que todos os atos de amor e prazer são meus rituais. Então que haja beleza e vigor, risadas saltitantes, força e fogo por dentro de ti.
E se disseres "eu tenho vagueado em Ti e não fui aproveitado", melhor que digas "eu Te chamei e esperei pacientemente e eis, Tu estavas comigo desde o início", pois os que sempre me desejaram sempre me alcançaram, mesmo no fim de todo o desejo.

A forma mais fácil de resumir de onde isto vem será se nós primeiro dividirmos em cinco seções. Para cada seção eu irei sublinhar as partes as quais certamente vem de uma fonte ou fontes particulares, uma vez que elas são idênticas ou uma paráfrase parecida do material disto. Aquelas partes da transcrição de Kelly as quais exatamente combinam com o texto das fontes propostas estarão em negrito (uma vez que a transcrição de Kelly contem muitos pequenos erros, não será dada muita atenção a isto). Eu irei aproximar os pedaços tirados de diferentes lugares na fonte em (parênteses); aonde o material de diferentes fontes ocorrem na mesma seção será indicado por usar (diferentes) [estilos] de chaves. A primeira seção parece ser igual ao original, não foi tirada de outras fontes que eu fui capaz de localizar:

Ouça as palavras da Grande Mãe, a qual pelos antigos era também chamada entre os homens de Ártemis, Astarte, Dione, (Melusine), Afrodite, Cerridwen, Diana, Arianrhod, Brida e por muitos outros nomes.
Em meus altares os jovens da Lacedemônia em Esparta fizeram o devido sacrifício.

A única exceção obvia é a enigmático nome na lista, 'Melusine", que é uma fada serpente ou com rabo de peixe de uma estória medieval francesa. O que pelos céus ela está fazendo numa lista de Grandes Deusas clássicas? Entretanto, este nome ocorre na "Lei da Liberdade" de Crowley e é bem parecido: o compositor do "Leviter Veslis" pode ter usado somente por esta razão (também é possível que a inclusão da grega Ártemis foi inspirada pelas referencias a sua equivalente romana Diana no "Arádia ou o Evangelho da Bruxas" de Charles Godfrey Leland) (como Kelly já indicou, a frase "os jovens da Lacedemônia em Esparta fazem o devido sacrifício" pode ser uma referencia ao uso da flagelação nas práticas religiosas espartanas).

A próxima seção foi toda tirada de "Arádia ou o Evangelho das Bruxas" de Leland:

(Sempre que houver necessidade de algo, uma vez ao mês e melhor que seja quando a lua estiver cheia, reunam-se em algum lugar secreto e adore o Meu espírito, que sou Rainha) de todas as Bruxarias e magias. N(esta assembléia), (aos que estão dispostos a aprender toda feitiçaria, mas que por ora não venceu seus profundos segredos. A estes eu irei ensinar coisas que ainda são desconhecidas. E serão libertos da escravidão)(e como um sinal que são realmente livres, deverão estar nus em seus ritos, tanto homens como mulheres e deverão)(dançar, cantar, (festejar), fazer música e amor, tudo em meu louvor).

A próxima seção é bem curta, apenas uma meia sentença. Ela difere do material após ela no que ela não pode ter vindo da "Lei da Liberdade"; ela pode, entretanto, ter vindo do "Livro da Lei" de Crowley diretamente ou por "Khabs am Pehkt" ou "Uma Evocação de Bartzabel o Espirito de Marte":

(Há uma Porta Secreta que eu fiz para estabelecer o caminho)...

A sentença continua na próxima seção, a qual parece mais com "Leviter Veslis". Ela segue a Segunda parte do Capítulo II e a primeira parte do Capítulo III da "Lei da Liberdade" bem de perto, tanto no contexto e na ordem no qual este contexto aparece é bem provável que foi tirado por inteira deste texto.

As partes (entre parênteses) pode ter vindo apenas da "Lei da Liberdade" (e em alguns casos em outras partes dos trabalhos de Crowley) e aquelas em {colchetes} são encontradas na "Missa Gnóstica" e no "Livro da Lei" bem como na "Lei da Liberdade" (e em alguns casos em outras partes dos trabalhos de Crowley), mas não na "Missa Gnóstica". Notem que não há material nesta seção de lugar algum dos trabalhos publicados de Crowley que não possa ter vindo da "Lei da Liberdade":

...(para sentir mesmo na terra o elixir da Imortalidade). Digam, "que (o êxtase seja meu e alegria na terra igualmente para mim, a mim").
(Pois eu sou uma Deusa graciosa. [Eu dou inimagináveis alegrias na terra, certeza, não fé, durante a vida! E na morte, paz inefável, descanso e êxtase, nem eu exijo coisa alguma em sacrifício]).
(Ouçam as palavras da Deusa Estrela.
{Eu te amo. Eu anseio por ti: pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso.
Eu que sou toda prazer e púrpura e embriagada no sentido mais intimo, desejo-te. Ponha as asas, desperte o esplendor cacheado de dentro de ti, venha a Mim}).
Pois {Eu sou a chama que queima no coração de todo homem e no cerne de todas as estrelas}.
Que (seu íntimo divino esteja perdido no constante arrebatamento da alegria infinita).
({Que os rituais sejam corretamente feitos com alegria e beleza. Lembre-se que todos os atos de amor e prazer são meus rituais).
Então que haja [beleza e vigor, risadas saltitantes, força e fogo] por dentro de ti.
A última seção não tem material da "Lei da Liberdade" ou do "Livro da Lei", ela por sua vez vem do "Cordis Cincte Serpente" de Crowley, diretamente ou possivelmente de "Astarte vel Liber Berylli". As partes entre (parênteses) pode ter vindo apenas do "Liber Cordis Cincte Serpente", enquanto que as entre [chaves] são também encontradas no "Astarte vel Liber Berylli" tão bem quanto no "Liber Cordis Cincte Serpente":
E se disseres ["eu tenho vagueado em ti e não fui aproveitado",] melhor que digas, ["eu chamei e][ esperei pacientemente e eis, tu estavas comigo desde o início"], pois (os que sempre me desejaram, sempre me alcançaram, mesmo no fim de todo o desejo).

Agora, eu gostaria de examinar as passagens nos trabalhos de Leland e Crowley que esta seção veio. Eu sublinharei as partes que estão citadas, sejam diretamente ou em paráfrase similares, no "Leviter Veslis".

Primeiro o "Arádia ou o Evangelho das Bruxas" (Londres, 1899) de Charles Godfrey Leland, o qual ele afirma ser baseado em uma tradução de um material dado a ele por uma bruxa tradicional italiana. Dos extratos no "Leviter Veslis" um vem das traduções de Leland e um vem dos comentários deste material que é uma extensão da paráfrase da tradução que a precede.

Do Capítulo I:
Quando eu tiver partido deste mundo sempre que precisar de algo, uma vez ao mês e quando a lua está cheia, reunam-se em assembléia em algum lugar deserto, ou em uma floresta todos juntem-se para adorar o poderoso espírito de sua rainha, minha Mãe, a grande Diana. Por Ela quem desejar irá aprender toda bruxaria e se ainda não venceu seus profundos segredos, então minha Mãe irá ensiná-lo, em verdade todas as coisas ainda desconhecidas. E serão todos libertados da escravidão e então seroa livres em tudo; e como um sinal que são verdadeiramente livres, estarão nus em seus ritos, tanto homens como mulheres também: isto deverá durar até o último de seus opressores estiver morto; e irão fazer os jogos de Benevento, extinguindo a luz e depois disto irão preparar seus jantares desta forma:

Do Capítulo II:
...E se a graça for garantida, oh Diana! Em honra a ti eu irei fazer esta festa, festa e sorver o cálice profundamente, nós iremos dançar e selvagemente pular. E se tu garantires a graça que eu peço , então a dança será mais selvagem e as candeias serão extinguidas e nós iremos amar livremente! E isto será feito: todos sentarão para jantar todos nus, homens e mulheres e a festa terminada, eles irão dançar, cantar, fazer música e então amor nas sombras, com todas as luzes extinguidas; pois isto é o espírito de Diana que as extinguiu e então eles irão dançar e fazer música em louvor a ela.
Enquanto está claro que Arádia é a fonte desta parte do "Leviter Veslis", é interessante notar que uma sentença similar também ocorre nos trabalhos de Crowley, no Editorial do "The Equinox, Volume III, Número I" ( "The Blue Equinox", Detroit, Michigan, 1919) págs 9-10:
As celebrações devem conformar aos costumes e natureza das pessoas.
O cristianismo destruiu a alegria das celebrações caracterizadas por musica, dança, festa e fazer amor e foi mantida somente a melancolia.
A Lei de Thelema oferece uma religião que preenche todas as condições necessárias.
O resto do "Leviter Veslis" está ultimamente (mas, como eu indiquei, não necessariamente direto) derivado do trabalho canalizado de Crowley, o "Livro da Lei", o qual (como mencionado acima) foi publicado no "The Equinox, Volume I, Número VII" (Londres, 1912), no "Volume I, Número X" (Londres, 1913) e no "Volume III, Número III" ("The Equinox of the Gods", Londres, 1936) e também em "Thelema" ("The Holy Books", Londres, 1909), "Volume 3" e como uma brochura em Pasadena, Califórnia em 1938 e também em Londres em 1938. Existem aqui seções relevantes do "Livro da Lei". De novo, eu alterei o texto por sublinhar as seções das quais o "Leviter Veslis" foi feito.

Capítulo I, versos 52-62:
52. Se isto não estiver certo; se tu confundires os espaços marcados, dizendo: eles são um ou dizendo eles são muitos; se o ritual não estiver mesmo sob mim: então espere o terrível julgamento de Ra Hoor Khuit!

53. Isto irá regenerar o mundo, o pequeno mundo minha irmã, meu coração e língua até quem eu mando este beijo. Também, oh escriba e profeta, acho que tu és da princesa, isto não o amenizará nem o absolverá. Mas êxtase são teus e alegria na terra: até a mim! A mim!

54. Não mude tanto quanto o estilo de uma letra, pois repare! Tu, oh profeta, não irá testemunhar todos estes mistérios escondidos dentro disto.

55. A criança de tuas entranhas, ela irá testemunha-los.

56. Não o espere no Leste, nem no Oeste; pois da casa inesperada vem esta criança. Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas sinceros; salvo somente que eles entendem um pouco; resolva a primeira metade da equação, deixe a segunda insoluta. Mas tu tem tudo na luz clara e mais, mas não tudo, na escuridão.

57. Invoque-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Não deixe que os tolos enganem o amor, pois aqui estão amor e amor. Aqui está a pomba e aqui está a serpente. Escolha bem! Ele, meu profeta, escolheu, sabendo a lei da fortaleza e o grande mistério da Casa de Deus. Todas estas velhas letras de meu livro estão certas, mas ? não é a Estrela. Isto também é segredo: meu profeta o revelará ao sábio.

58. Eu dou inimagináveis alegrias na terra, não fé, durante a vida, chegando a morte, paz inefável, descanso, êxtase, nem Eu exijo coisa alguma em sacrifício.

59. Meu incenso é de madeira resinosa e cola; e não há sangue nele: por causa de meu cabelo as árvores da Eternidade.

60. Meu numero é 11, como todos os números dos que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho. Minha cor é preta ao cego, mas azul e dourado são vistos pelo aspirante. Também tenho uma gloria secreta àqueles que me amam.

61. Mas para amar-me é melhor que todas as coisas: se debaixo das estrelas noturnas tu imediatamente queimares meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro e a Serpente chamejar nele, tu poderás vir um pouco para deitar em meu peito. Por um beijo tu irás enato desejar dar tudo; mas aquele que der uma partícula de poeira irá perder tudo nesta hora. Irás junta posses e guardar da mulher e temperos; irás vestir ricas jóias; irás exceder as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre em amor a mim e então virás para meu júbilo. Eu te comando determinadamente para vir diante de mim em um manto singular e coberto com um rico penteado. Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso. Eu que sou todo prazer e púrpura e embriagado no sentido mais íntimo, te desejo. Ponha as asas e desperte o esplendor cacheado de dentro de ti: venha para mim!

62. Em todos os meus encontros contigo irá a Sacerdotisa dizer - e os olhos dela irá queimar de desejo enquanto ela descansa nua e regozijando em meu templo secreto - A mim! A mim! Chamando adiante a chama dos corações de todos em seu cântico de amor.
Capítulo II, versos 5-7:
5. Olhai! Os rituais dos tempos antigos estão maculados. Que os malvados sejam expulsos, que os bons sejam purificados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá certo.

6. Eu sou a chama que queima em todo coração do homem e no cerne de toda estrela. Eu sou a Vida e o doador da Vida assim então o conhecimento de mim é o conhecimento da morte.

7. Eu sou o Magista e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda e o cubo no círculo. "Venha para mim" é uma palavra tola: pois este é eu que vou.

Capítulo II, versos 19-21:
19. Pode um Deus viver em um cão? Não! Mas os maiorais são nossos. Eles regozijarão, nossa escolha: quem arrepende-se não é dos nossos.

20. Beleza e vigor, risada saltitante e langor delicioso, força e fogo são dos nossos.

21. Nada temos com o proscrito e o inadequado: deixe que pereçam na sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é o vício dos reis: marca o canalha e o fraco; esta é a lei do forte: esta é nossa lei e a alegria do mundo. Não pense, oh rei, sobre esta mentira: que tu morrerás; verazmente não morrerás, mas viverá. Agora entenda: se corpo do Rei dissolver, ele permanecerá em puro êxtase para sempre. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol, Força & Visão, Luz; estes são para os servos da Estrela e da Serpente.

Capítulo II, versos 34-36:
34. Mas vós, oh meu povo, levante e acorde!

35. Que os rituais sejam corretamente feitos com alegria e beleza!

36. Existem rituais dos elementos e festas dos tempos.

Capítulo III, verso 38:
38. Então que tua luz está em mim; & esta chama vermelha é uma espada em minha mão para usar em tua ordem. Há uma porta secreta que eu fiz para estabelecer o caminho em todos os quadrantes, (estas são as adorações, como está escrito), tal como é dito:
A luz é minha seus raios me consomem:
Eu fiz uma porta secreta
Dentro da Casa de Ra e Tum,
De Khephra e de Ahathoor.
Eu sou teu tebano, oh Mentu
O profeta Ankh-af-na-Khonsu!
Por Bes-na-Maut meu peito eu bato
Pelo sábio Ta-Nech eu traço meu encanto
Mostre tua estrela esplendorosa, oh Nuit!
Convida-me adentrar em tua Casa para habitar
Oh serpente alada de luz, Hadit!
Permaneça comigo, Ra-Hoor-Khuit!
Eis aqui o extrato relevante da "Missa Gnóstica" de Crowley, o qual (como mencionado acima) foi publicada no "The International" (Nova Iorque) em Março, 1918; no "The Equinox, Volume III, Número I" ("The Blue Equinox", Detroit, Michigan, 1919), págs 247-270 e no "Magick in Theory and Practice" (Paris, 1929), Apêndice VI, págs 345-361:
Do "Of the Ceremony of the Opening the Veil" ( uma interessante coincidência de títulos):
[Durante este discurso a Sacerdotisa deve ter se despido completamente de seu manto. Veja CCXX, I, 62 {NT: aqui o autor duplica este mesmo período}]
[A Sacerdotisa/A SACERDOTISA].
Mas para amar-me é melhor que todas as coisas [;/;/:] se debaixo das estrelas noturnas no deserto tu imediatamente queimares meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro e a [s/s/S]erpente chamejar nele, tu poderás vir um pouco para deitar em meu peito. Por um beijo tu irás então desejar dar tudo; mas aquele que der uma partícula de poeira irá perder tudo nesta hora. Irás juntas posses e guardar da mulher e temperos; irás vestir ricas jóias; irás exceder as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre em amor a mim e então virás para meu júbilo. Eu te comando determinadamente para vir diante de mim em um manto singular e coberto com um rico [penteado, ornato]. Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso, Eu que sou todo prazer e púrpura e embriagado no sentido mais intimo, te desejo. Ponha as asas e desperte o esplendor cacheado de dentro de ti[;/:/:] venha para mim! A mim! A mim! Cante a arrebatadora música de amor para mim! Incense perfumes para mim! [ / / Enfeite-se de jóias para mim!] Eu sou a filha de pupilas azuis do [c/c/C]repúsculo [;/;/.] Eu sou o brilho despido do voluptuoso céu noturno. A mim! A mim!
[O Sacerdote monta o segundo passo/ O SACERDOTE monta o segundo passo]
[O SACERDOTE/ O Sacerdote]
Oh segredo dos segredos que está escondido na existência de tudo que vive, não a Vós adoraremos pois aquele que adora sois Vós também. Vós sois Aquele e Ele sou eu.
[Não há quebra de parágrafo aqui no "The International"]
Eu sou a chama que queima em todo coração humano e no cerne de toda estrela. Eu sou Vida e o doador da Vida [;/;/'] agora então é o conhecimento de mim o conhecimento da morte. Eu estou solitário; não há Deus onde Eu sou.
Como acima, os [colchetes] mostram diferenças entre as versões no "The International", "The Blue Equinox" e "Magick in Theory and Practice", respectivamente. Infelizmente nenhuma dessas diferenças estão na proporção relevantes ao "Leviter Veslis", então elas não nos ajudam aqui.
Aqui está o extrato relevante dos Capítulos II e III da "Lei da Liberdade" de Crowley, o qual foi publicado no "The Equinox, Volume III, Número I" ("The Blue Equinox", Chicago, 1919), no "The International" (Nova Iorque), Janeiro, 1918, foi impresso particularmente como um panfleto pela OTO em Londres por volta de 1940 e em lugar nenhum antes de 1970:
Este é o único ponto a levar na mente, que cada ato deve ser um ritual, um ato de adoração, um sacramento. Viva como os reis e príncipes, coroados e destronados, deste mundo, que sempre viveram, como mestres sempre vivem; mas que não seja auto-indulgência; faça sua auto-indulgência sua religião.
Quando você beber e dançar e tomar deleite, você não estará sendo "imoral", você não estará arriscando sua alma "imortal", você estará cumprindo os preceitos de sua santa religião - contando que somente que você lembre de considerar suas ações nesta perspectiva. Não e rebaixe e destrua e pechinche seu prazer por abandonar a suprema alegria, a consciência da Paz que ultrapassa a compreensão. Não adote somente Marian ou Melusine; ela é a própria Nuit, especialmente concentrada e encarnada em uma forma humana para dar-te amor infinito, para propor-te experimentar mesmo na terra o Elixir da Imortalidade. "Mas êxtase sejam meus a alegria na terra: sempre para Mim! Para Mim!
Outra vez Ela fala: "Amor é a lei, amor sob a vontade".
Mantenha puro seu supremo ideal; esforça-te sempre em direção a ele sem permitir que qualquer coisa te pare ou te desvie para o lado, mesmo quando uma estrela varrer sobre ele incalculável e infinito curso e gloria e tudo é Amor. A lei de sua existência torna-se Luz, Vida, Amor e Liberdade. Tudo é paz, tudo é harmonia e beleza, tudo é alegria.
Pois ouça, o quão graciosa é a Deusa: "Eu dou inimagináveis alegrias na terra; certeza, não fé, durante a vida, na morte; paz inefável, descanso, êxtase; nem Eu exijo coisa alguma em sacrifício".
Isto não é melhor que a morte em vida dos escravos dos Deuses-Escravos, quando como eles vão oprimindo pela consciência de "pecado", trajando aspirações ou simulando monótona e tediosa "virtudes"?
Com isto, nós que aceitamos a Lei de Thelema temos nada a fazer. Nós ouvimos a Voz da Estrela Deusa: "Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso, eu que sou toda prazer e púrpura e embriagada no sentido mais intimo, te desejo. Ponha as asas e desperte o esplendor cacheado de dentro de ti; venha a Mim! E então Ela termina:
"Cante a arrebatadora música de amor para mim! Incense perfumes para mim! Enfeite-se de jóias para mim! Beba a mim, porque eu te amo! Eu te amo! Eu sou a filha de pupilas azuis do Crepúsculo; eu sou o brilho despido do voluptuoso céu noturno. A mim! A mim!" e com estas palavras "A manifestação de Nuit está no fim".

III
No próximo capítulo de nosso livro é indicado a palavra de Hadit, que é o complemento de Nuit. Ele é energia eterna, o Movimento Infinito das Coisas, o cerne central de toda existência. O universo manifestado vem do casamento de Nuit e Hadit, sem o que nada existiria. Este eterno, este perpetuo casamento-banquete é então a natureza das coisas em si mesmas; e portanto tudo que é, é uma cristalização do êxtase divino.
Hadit nos conta dele mesmo: "Eu sou a chama que queima no coração de todo homem e no cerne de toda estrela". Ele é então seu próprio intimo ente divino; este é você e não outro, que está perdido no constante arrebatamento do abraço da Beleza Infinita. Mais para frente Ele nos diz:
"Nós não somos para os pobres e tristes: os senhores da terra são nossos familiares".
"Pode um Deus viver em um cão? Não! Mas os soberanos são dos nossos. Eles irão regozijar, nossa escolha: aquele que se arrepende não é nosso".
"Beleza e vigor, risada saltitante e langor delicioso, força e fogo, são nossos". Mais a frente, sobre a morte, Ele diz: "Não pense, oh rei, sobre esta mentira: que tu morrerás: verdadeiramente não morrerás, mas viverás. Agora entenda: se o corpo do Rei dissolver, ele irá descansar em puro êxtase para sempre". Quando você sabe disto, o que resta senão deleite? E como nós estamos vivendo enquanto isso?
"É uma mentira, esta tolice contra a natureza - seja forte, homem! Luxuria, desfrute de todos os sentidos e êxtases: não tema que nenhum Deus irá te negar isto".
Uma e outra vez, em palavras como estas, ele vê a expansão e o desenvolvimento da alma pela alegria.
Eis o calendário de nossa Igreja: "Mas tu oh meu povo, levante e desperte! Que os rituais sejam corretamente encenados com alegria e beleza! Lembre-se que todo os atos de amor e prazer são meus rituais, devem ser rituais. São rituais dos elementos e festas dos tempos. Uma festa pela primeira noite do Profeta e sua Noiva! Uma festa pelos três dias que se escreveu o Livro da Lei. Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta - segredo, oh Profeta! Uma festa pelo Ritual Supremo e uma festa pelo Equinócio dos Deuses. Uma festa pelo fogo e uma festa pela água; uma festa pela vida e uma grande festa pela morte! Uma festa todo dia em nossos corações na alegria de meu êxtase! Uma festa toda noite para Nu e o prazer do inefável deleite! Sempre! Festa! Regozijo! Não há medo no futuro. Há a dissolução e eterno êxtase nos beijos de Nu". Tudo depende de sua aceitação desta nova lei e não pedimos que acredite em tudo, aceitar um fio de fabulas tolas no nível intelectual de um colono e o nível moral de um drogado. Tudo que você precisa fazer é ser você mesmo, fazer sua vontade e regozijar.

A frase "há uma Porta Secreta que eu fiz para estabelecer o caminho" é evidentemente derivada originalmente de "há uma porta secreta que eu fiz para estabelecer o caminho" do "Livro da Lei", Capítulo III, verso 38. Isto não ocorre nem na "Lei da Liberdade" ou na "Missa Gnóstica". Entretanto, isto ocorre em dois lugares nos trabalhos publicados de Crowley: este verso é citado no texto do ritual dado no "Uma Evocação de Bartzabel o Espírito de Marte", o qual foi publicado no "The Equinox, Volume I, Número IX" (Londres, 1913), págs 117-136 e o verso também ocorre com um comentário adicionado em "Khabs am Pehkt" o qual foi publicado no "The Equinox, Volume III, Número I"( "The Blue Equinox", Detroit, Michigan, 1919), págs 170-182.

A parte relevante da "Evocação de Bartzabel o Espírito de Marte" é:
Quando o Mago Mor está satisfeito com a Descida do Deus, que todos se levantem e então o Mago Mor diga:
Então que Tua luz está em mim; e sua chama vermelha é uma espada em minha mão para usar por tua ordem. Há uma porta secreta que eu farei para estabelecer teu caminho em todos os quadrantes...e que diga:
A luz é minha, seus raios me consomem:
Eu fiz uma porta secreta
Na casa de Ra e Tum
De Khephra e de Ahathoor
Eu sou teu tebano, oh Mentu,
O profeta Ankh-f-n-Khonsu!
Por Bes-na-Maut meu peito eu bato
Pelo sábio Ta-Nech eu traço meu encanto
Mostre tia estrela esplendorosa, oh Nuit!
Convida-me adentrar em tua Casa para habitar
Oh serpente alada de luz, Hadit!
Permaneça comigo, Ra-Hoor-Khuit!
(O Mago mostra [o símbolo triangular do Fogo], e os demais o apoiam).
(É interessante notar que acima também contém a frase "A Descida do Deus").
A parte relevante de "Khabs am Pehkt" é:
Anote, ore, o método prático da oposição superada dada em CCXX,III,23-26.
Mas este não é nosso propósito imediato nesta epístola. Anote, ore, as instruções nos versos 38 e 39 do terceiro Capítulo do Livro da Lei. Deve ser citado por inteiro.
"Então que tua luz está em mim; e sua chama vermelha é uma espada em minha mão para usar por tua ordem".

Isto é, o Deus é uma chama com a Luz da Besta e irá Ele mesmo dar a ordem, através do fogo (talvez significando o gênio) da Besta.
"Há uma porta secreta que eu farei para estabelecer o caminho em todos os quadrantes (existem adorações, como já foi escrito) e que diga:
a luz é minha, seus raios me consomem:
Eu fiz uma porta secreta
Na casa de Ra e Tum
De Khephra e de Ahathoor
Eu sou teu tebano, oh Mentu<
O profeta Ankh-f-n-Khonsu!
Por Bes-na-Maut meu peito eu bato
Pelo sábio Ta-Nech eu traço eu encanto
Mostre tua estrela esplendorosa, oh Nuit!
Convida-me adentrar em tua Casa para habitar
Oh serpente alada de luz, Hadit!
Permaneça comigo, Ra-Hoor-Khuit!

No comentário em "The Equinox, Volume I, Número VII", esta passagem é virtualmente ignorada. É provável que esta "porta secreta" se refere aos quatro homens e quatro mulheres falados mais tarde no "The Paris Working", ou ode significar a criança profetizada em outra parte, ou alguma preparação secreta do coração dos homens. É difícil decidir em tal ponto mas nós iremos ter certeza que o Evento se mostrará que o discurso exato foi tão obscurecido para provar-nos um absoluto conhecimento avançado na maior parte que o Anjo Sagrado expressou no Livro.
Aqui estão as seções relevantes do "Liber Cordis Cincte Serpente":

Capítulo II, versos 58-61:
58. A montanha não se moveu. Então foi o profeta até a montanha e falou. Mas o pé do profeta estava calcado e a montanha não ouviu sua voz.

59. Mas Eu clamei em ti e eu passei por ti e não me avaliaste.

60. Eu esperei pacientemente e tu estiveste comigo desde o inicio.

61. Isto agora eu sei, oh meu amado e nós estamos esticados em nosso bem estar entre as vinhas.

Capítulo III, versos 62-64
62. Mas assim como tu és o Último, tu és também o Seguinte e como o Seguinte irei eu revelar-te para a multidão.

63. Eles que sempre desejaram-te, irão ganhar-te, mesmo no Fim dos Desejos deles.

64. Glorioso, glorioso, glorioso és Tu, oh meu sublime amante, oh Ser de mim mesma.
O Capitulo II, versos 59-60 do "Liber Cordis Cincte Serpente" são também citados em "Astarte vel Liber Berylli", verso 25, mas o verso 63 do Capítulo III do "Liber Cordis Cincte Serpente" é a fonte do qual este material da LAM veio. "Liber Cordis Cincte Serpente" foi publicado no raro e impresso privadamente "Thelema" ("The Holy Books", Londres, 1909) págs 63-98 e (juntamente com os comentários de Crowley) em uma edição pequena em Ontário em 1952.
De um exame minucioso de todas estas passagens, cinco coisas estão claras:
1. compositor do "Leviter Veslis" leu o "Livro da Liberdade" ( como já foi indicado por outros, incluindo Gareth Medway). Há material no "Leviter Veslis" que ocorrem no "Livro da Liberdade" e em nenhum outro lugar nos trabalhos publicados de Crowley. A obra "Livro da Liberdade" foi publicado no "The Equinox, Volume III, Número I" ("The Blue Equinox") em 1919, no "The International" (Janeiro, 1918), foi impresso privadamente como um panfleto pela OTO em Londres por volta de 1940 e em lugar nenhum antes de 1970.

2. compositor desta passagem pode ou não ter lido a "Missa Gnóstica". Se sim, não seria surpreendente, uma vez que o material da "Missa Gnóstica" ocorre em outros lugares na LAM e uma vez que a "Missa Gnóstica" estava também no "The Blue Equinox".

3. compositor desta passagem leu o "Liber Cordis Cincte Serpente", o qual foi também publicado no 'The Blue Equinox".

4. compositor desta passagem também leu "Khabs am Pehkt" ou "Uma Evocação de Bartzabel o Espírito de Marte" ou o "Livro da Lei". Uma vez que "Khabs am Pehkt" estava também no "The Blue Equinox", isto não é surpreendente.

5. De fato, dado acesso justamente a uma cópia do "The Blue Equinox", o compositor do "Leviter Veslis" pode não ter tido necessidade de acessar a outros trabalhos publicados de Crowley. Em particular, eles podem não ter precisado ler o "Livro da Lei" (o qual não está no "The Blue Equinox), penso que ele estava tanto na edição anterior e posterior do "The Equinox [não há Volume II nem um volume III, Número II]).

Assim sendo, eu penso que é importante que o compositor teve acesso ao "Livro da Lei". Há bastante poesia boa nele, algumas das quais pode ter sido bastante conveniente para incluir no "Leviter Veslis" ainda que nada dele foi usado; o compositor do "Leviter Veslis" mantém resolutamente ao material que pode ser encontrado no "The Blue Equinox", ignorando todo o resto do "Livro da Lei" (exemplos de passagens do "Livro da Lei" que poderia ser conveniente para usar no "Leviter Veslis", não foram usadas e não estava no "The Blue Equinox" inclui: "invoque-me sob minhas estrelas" e "lembre-se todos de que a existência é pura alegria; que todas as tristezas são apenas sombras, elas passarão e acabarão, mas eis aqui o que perdura"). Verdadeiramente, a impressão que se tem é que o compositor pode ter deliberadamente combinado o "The Blue Equinox" das citações do "Livro da Lei" e usou todas aquelas que ele achou que eram convenientes para seu propósito. Se foi, isto sugere que eles não tiveram acesso a uma cópia do "Livro da Lei": porque seguir pelo problema de dragar através de um grupo de outros artigos por citações disto se você tiver uma cópia do texto completo?

Eu também acho que é pouco provável que o compositor foi Crowley ou mesmo algum membro da OTO. Primeiramente, o "Livro da Lei" é a fundamentação da filosofia-religião da OTO e nenhum iniciado da OTO não ficaria sem uma copia - uma é presenteada ao candidato em sua iniciação de 0° (Minerval) e nós sabemos que Gardner comprou quatro cópias quando ele foi iniciado e tentou comprar mais. Segundamente, no Capítulo I, verso 54 do "Livro da Lei", falando de si mesmo, diz:
Não mude sequer o estilo de uma letra, pois repare! Tu, oh profeta, não verá todos estes mistérios escondidos dentro dele.
(o "profeta" é Crowley), enquanto o Capítulo II, verso 54 elabora:

Os períodos como tu quiseres; as letras?
Não as mude nem no estilo ou valor!
(ou seja, o caso das letras é inspiração divina, mas a pontuação fica a cargo de Crowley), Capítulo III, verso 47 especifica:
Este livro será traduzido em todas as línguas: mas sempre com o original na escrita da Besta, por causa da forma das letras e suas posições entre uma e outra: nisto estão mistérios que a Besta não adivinharia.
(a "Besta" é Crowley e no original manuscrito este verso tem um curioso diagrama sobreposto) e no Capítulo III, verso 36 reitera:
Meu escriba, Ankh-af-na-Khonsu, o sacerdote do príncipe, não irá mudar em uma letra este livro; mas a fim de que aqui não tenha insensatez, ele comentará imediatamente pela sabedoria de Ra-Hoor-Khuit.
( o "escriba" Ankh-af-na-Khonsu é Crowley novamente).
Há uma tradição na OTO (verdadeiramente me contaram que ao menos em uma das modernas vertentes da OTO isto é um requisito de segredo para todos os iniciados) de seguir estas instruções com um cuidado escrupuloso: reproduzir o "Livro da Lei" exatamente, letra por letra. Parece que isto se aplica (talvez menos estritamente) não somente quando fazendo cópias completas do "Livro da Lei", mas também quando citar o "Livro da Lei": deve ser feito com exatidão, como no caso das letras. Como pode ser visto das citações do "Livro da Lei" nos extratos dados acima de seus outros trabalhos, Crowley usualmente obedecia esta regra: ele citava o "Livro da Lei" exatamente, palavra por palavra e com a capitalização das letras e usualmente citava ao menos uma sentença inteira. É verdade que quando ele estava usando material do "Livro da Lei" no contexto de um ritual, em poucos lugares ele alterou superficialmente a pontuação (como pode ser visto justificado com "os períodos como tu quiseres" e em seu comentário no "The Temple of Solomon the King" no "The Equinox, Volume I, Número VII" ele nota que a pontuação é dele, feita após o texto ter sido ditado para ele, então presumivelmente ele sentiu que isto era divinamente inspirado), em ocasiões parece se sentir livre para mudar entre usar "&" e "e", e em "Uma Evocação de Bartzabel o Espírito de Marte" ele não foi além como omitir uma observação intercalada sequer que poderia não fazer sentido no contexto (acho que ele indicou o lugar onde isto foi omitido na citação por uma elipse) e em poucos lugares ele fez pequenos erros que podem ter sido tipográficos (na "Missa Gnóstica", por exemplo, ele corrigiu estes erros em uma versão posterior), entretanto, mesmo quando usava citações dele como parte de um ritual, ele ainda tratava o material do "Livro da Lei" com grande cuidado e respeito. O compositor do "Leviter Veslis", entretanto, tomou grandes liberdades com o material derivado do "Livro da Lei" que eles estavam usando. Não apenas mudou a pontuação e a forma das letras, eles editaram, parafrasearam, mudaram flexões e pessoas, refrasearam, combinaram partes de sentenças de diferentes lugares e por outro lado alteraram o material, nas ocasiões que alteraram seu significado (algumas vezes sugerindo que eles não o compreenderam completamente) e mesmo indo longe a ponto de colocar as palavras de Hadit na boca de Nuit - algo completamente inapropriado na teologia da OTO. Nem Crowley nem um verdadeiro iniciado da OTO teria tomado tais liberdades com o texto ou seu significado: isto está bem perto de ser uma blasfêmia se fosse possível ter vindo da OTO.

Eu penso então que nós podemos dizer com certeza que Crowley não compôs o "Leviter Veslis" ou os rituais wiccans e que parece ser implausível que quem o fez era um iniciado da OTO (naquele tempo), ou era particularmente familiar com os trabalhos impressos de Crowley. Melhor, eu acho que eles simplesmente tiveram acesso a uma cópia do "The Blue Equinox". Deve-se admitir que, mesmo após sua iniciação na OTO, Gardner não era meticuloso quanto a citações do "Livro da Lei". Em "O Significado da Bruxaria", capítulo VII, pág 102 ele citou "Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei. Amor é a Lei, amor sob a vontade" como "Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei. Amor é a Lei, Amor sob a Vontade". Entretanto, isto é um erro relativamente menor e foi publicado em 1959, uma década depois do flerte de Gardner com a OTO no tempo que ele estava tentando ter um contato com Crowley e muito depois da última data possível da composição do "Leviter Veslis" em 1953.

Implicações históricas

Então, o que isto nos mostra? Vamos começar com o que sabemos sobre os acessos aos trabalhos de Crowley por Gardner e a Fraternidade de Crotona.

1. A biblioteca da Fraternidade de Crotona, ao menos como doação para a Universidade de Southampton, não contém nenhum trabalho de Crowley (nem mesmo algum de Charles Godfrey Leland). Entretanto, ela tem uma cópia do "A Garden of Pomegranades: an Outline of the Qballah"(Londres, 1932) de Israel Regardie e uma cópia da tradução das "Chaves do Rei Salomão" (Londres, 1889,1909) de S.L. MacGregor Mather e tem muito material derivado dos trabalhos posteriores na LAM (também tem traduções do "Livro da Magia Sagrada de Abramelin o Mago" de Mather, mas eu não localizei nenhum material na LAM que tenha vindo disto).

2. A biblioteca de Gerald Gardner, ao menos como foi vendida pelos Ripley à Igreja Wicca do Canadá contém:
De Aleister Crowley:

- Amrita, t