Artigos > A influência de
Aleister Crowley a partir do Livro da Arte Mágica
"Há porém certas expressões
e certas palavras utilizadas que batem com as de Crowley; possivelmente
emprestou coisas dos escritos do culto, ou mais provavelmente
outra pessoa emprestou alguma coisa dele."
pág. 49 - Bruxaria Hoje - Editora Madras.
Direitos autorais: Roger Dearnaley, 1999-2002.
Tradução e observações: Roberto Quintas
É permitida a cópia deste documento desde que sem
alterações e em sua íntegra, incluindo o
aviso de direitos autorais, bem como não há custo
da duplicação e distribuição dele.
Todos os demais direitos estão reservados.
Em minha opinião e de minha Alta Sacerdotisa, nada do
material neste ensaio está sob juramento. Uma versão
mais longa deste ensaio contém um pequeno conteúdo
marginal adicional sob juramento disponível a pedidos para
gardnerianos iniciados.
Introdução
Desde 1960 havia um rumor que Aleister Crowley escreveu os
rituais da Wicca para Gerald Gardner. Um autor foi longe o
bastante a afirmar conhecer o preço que Gardner supostamente
pagou a Crowley: 3 guinéus por página! Certamente
existem bases que parecem embasar esta afirmação:
a alguém familiar com os trabalhos publicados de Crowley
e Wicca Gardneriana notará um pedaço da poesia de
Crowley nos rituais, mesmo após Doreen Valiente, por admissão
dela, reescreveu os rituais para remover ou disfarçar muito
do material de Crowley. Entretanto, eu espero aqui poder demonstrar
que isto é completamente implausível que Crowley
compôs os rituais da Wicca, mas também para quem
quer que o tenha feito, enquanto pegava material dos poucos trabalhos
publicados de Crowley, não estava evidentemente familiarizado
com os escritos de Crowley e parece ser pouco provável
que tenha tido uma iniciação na OTO
O Livro da Arte Mágica
A cópia mais recente dos extensos rituais gardnerianos
desde antes da reelaboração por Valiente, estão
em um grimório manuscrito chamado o "Livro da Arte
Mágica" (LAM para abreviar), o qual está nos
próprios manuscritos de Gardner. Evidências internas
neste texto torna claro que é precedente às versões
dos Textos "A", "B" e "C" do "Livro
das Sombras Gardneriano" e do livro "Ajuda da Alta Magia"
[NT: High Magic's Aid no original], por volta de 1946-48, desde
que os rituais da Wicca descritos ali parecem terem sido derivados
da versão do Texto A.
O LAM contem um material misturado (como muitos Livros das Sombras
das bruxas, é uma espécie de caderno de rascunho
de magia), alguns dos quais está relacionado à (Judaico-Cristão)
magia cerimonial salomônica, outros com bruxaria e tem alguns
que fazem referencia a ambos. Como muitos autores notaram, o material
no livro está evidentemente fora de ordem cronológica:
Gardner parece ter tido o habito de escrever o material do livro
com algumas páginas em branco. Algo deste material parece
ser dispersado em pedaços em muitos lugares diferentes,
possivelmente como uma medida de segredo.
Eu tenho em minha posse uma boa transcrição do
LAM. Esta transcrição pula algo (mas não
significa tudo) do material do LAM que é Judaico-Cristão
e/ou magia cerimonial salomônica (particularmente no fim
da LAM, onde o transcrevente estava presumivelmente ficando com
pouco tempo). Eu tenho usado algo enquanto estudo esta transcrição
com a exceção (desde que eu sou um Gardneriano de
2* grau) destas partes que minha Alta Sacerdotisa tem indicado
serem mais do que de material de 2* grau (principalmente o texto
do ritual de iniciação de 3* grau).
Especificamente, eu tenho estudado transcrições
de tudo, menos as páginas 64, 108-113, 143-150, 165-188,
195-203, 205-224, 229-241, 243 e 277 (numeração
de Gardner) da LAM. Do conteúdo das paginas da LAM, o sumário
mostra na transcrição os conteúdos destas
páginas puladas e algumas das discussões de Ronald
Hutton do conteúdo da LAM, a natureza do material na maior
parte destas páginas é clara e eu estou bem certo
que, com exceção das pags 108-113, 128, 143-150,
203 e 243, estas não possuem material derivado de Crowley.
(De acordo com Ronald Hutton, a passagem nas pags 108-113 tem
certamente material de Crowley, provindo de seu trabalho a "Missa
Gnóstica", como veremos abaixo, outras partes da LAM
claramente vieram desta fonte também.) Especificamente,
o conteúdo das pags 64, 128, 143-150, 165-188, 205-224
e 229-241 são claramente salomônicas, presumivelmente
vindas das "Chaves do Rei Salomão" e "Legemeton"
(em último caso, possivelmente vem da edição
de 1903 traduzida por Matters e editado por Crowley), a pag 243
é cabalística, enquanto as pags 195-203 é
descrita como talmúdica [NT: talmud é um código
de regras no Judaísmo] e as pags 108-113 e 227 são
mais wiccans. Eu acredito que (com considerável assistência
das ferramentas de busca da rede [NT: Internet] e diversas home-pages
[NT: páginas virtuais] da OTO.
Eu localizei com sucesso todo o material vindo de Crowley nas
partes que eu estudei e irei agora descrever todos os pedaços
que encontrei.
Estes pedaços claramente se encaixam em quatro categorias:
1) Passagens em Teoria Mágica. Estas passagens
de teoria da magia vindo dos trabalhos publicados por Crowley
citavam muitos verbetes, mas com algumas edições
abaixo. Há quatro destas:
a) Páginas 114-117 da LAM contem material do (e, usualmente,
explicitamente creditada na LAM a este) "Livro 4 de Frater
Perdurabo (i.e. Aleister Crowley) e Soror Virakam (Mary d'Este
Sturges). Especificamente, o material vem do "Capitulo IV"
(pags 27-30, mais o diagrama mostrado na pág 27) da "Parte
2" do "Livro 4", o qual foi publicado em Londres
em 1913. (Esta passagem foi copiada na LAM com "/" substituindo
toda a pontuação. Muito do material na LAM tem essa
formatação: meu palpite é que isto seja uma
fase que Gardner repassou e foi feito intencionalmente para a
LAM parecer mais arcaica.)
b) Páginas 60-63 da LAM cotem material do "Capitulo
IX" (pags 68-71) da "Mágica em Teoria e Prática"
de Aleister Crowley, o qual foi impresso privadamente, disponível
apenas por requisição, em Paris em 1929 e não
foi reimpresso até 1960. Se alguém não foi
um dos requisitantes, isto tornaria muito difícil possui-lo
em 1930 e 1940, interessantemente nós sabemos que Arnold
Crowther obteve uma cópia por acaso durante a Segunda Guerra
Mundial e que ele era então um amigo de Gardner. Parece
ser possível que Gardner pode ter emprestado a cópia
de Arnold Crowther, leu algo e copiou algo na LAM. No contexto
da LAM, as partes contém material de magia cerimonial tanto
Wicca e salomônica, uma vez que isto discute o uso de nomes
bárbaros [NT: nomes de entidades pertencentes a outro sistemas
mistico-mágicos], uma técnica fundamental na magia
salomônica mas pouco usada na Wicca.
c) Paginas 132-138 da LAM contém também material
da "Magia em Teoria e Prática" (1929) de Aleister
Crowley, especificamente do "Capitulo XII" (pags 92-99).
Ao contrario das outras passagens de "magia em Teoria e Prática"
mas parecido com o "Livro 4", estas tem grifos de barras
no lugar da pontuação. Novamente, no contexto da
LAM esta passagem parece estar mais relacionada com a magia cerimonial
salomônica do que com o material wiccan; certamente, o conteúdo
das paginas da LAM de Gardner inclui referencias cruzadas com
uma passagem tirada das "Chaves do Rei Salomão"
para o mesmo assunto.
d) Paginas 12-13 da LAM contém uma pequena passagem em
teria mágica a qual está claramente relacionada
com a passagem do "Capitulo X" (pags 80-81) do "Magia
em Teoria e Prática" (1929) de Aleister Crowley. Esta
passagem recai em duas partes: a parte na pág 12 são
notas entre parênteses adicionadas na parte da pág
13. O texto no pedaço da pág 13 não parece
com algo parecido da "magia em Teoria e Prática",
mas é bem similar à passagem das pags 150-151 de
"A Árvore da Vida: Um Estudo em Magia" por Israel
Regardie (Londres, 1932)(o qual, por sua vez, foi claramente influenciado
pelo "Magia em Teoria e Prática" de Crowley).
As notas na pág 12, por outro lado, contém diversas
citações não encontradas na "Árvore
da Vida" mas são encontradas em "Magia em Teoria
e Prática". Parece claro que (a menos que haja alguma
fonte em comum da qual a "Árvore da Vida" e "Magia
em Teoria e Prática" possam ter vido) o autor desta
passagem na LAM leu tanto a "Árvore da Vida"
e "Magia em Teoria e Prática". Pelo formato do
material a ordem mais aparente parece que ele leu a "Árvore
da Vida" primeiro, copiou uma pequeno trecho dele e então
depois ao ler a "Magia em Teoria e Prática" ele
percebeu as similaridades entre as duas passagens e adicionou
algumas notas em sua cópia, incluindo algo do material
que Crowley forneceu mas que Regardie omitira. Uma vez que a "Árvore
da Vida" foi publicado 10 anos após "Magia em
Teoria e Prática", isto sugere que o autor desta passagem
na LAM obteve de alguma forma acesso a uma cópia da "Magia
em Teoria e Prática" bem depois de sua publicação.
2) Crowleismos [NT: o neologismo inevitável nos
leva a considerações quanto ao conceito, significado
e aplicação do mesmo]. Palavras, frases, conceitos
ou símbolos cunhados por, associados com, ou reminescentes
de Crowley que ocorrem no texto:
a) Na página 28 da LAM, próximo à descrição
da consagração do bolo e vinho, são uma coletânea
de símbolos que podem ser um adorno da OTO, entretanto
eu posso ver varias possibilidades interpretativas dos símbolos,
ao menos um deles (relacionado ao mistério wiccan) eu achei
mais plausível que o da OTO. O ritual de consagração
do vinho que acompanha estes símbolos poderia ser bem familiar
a qualquer Gardneriano iniciado e carrega nenhuma aparência
particular aos rituais de Crowley publicados além daquele
que possui um copo, vinho e simbolismos freudianos. Certamente,
o ritual mais similar que eu fui capaz de achar é uma cerimonia
de iniciação na Golden Dawn do grau Adeptus Minor,
onde um dos três iniciadores segura um copo de vinho e outro
mergulha uma adaga ali e então a usa para consagrar a pessoa
a ser iniciada (com um sinal da cruz). Isto pode ser encontrado
na pág 215 do "Volume 2" do livro "A Golden
Dawn" de Israel Regardie (Chicago, 1938). Entretanto, o simbolismo
freudiano nele não é explicito no ritual da Golden
Dawn e ele é um elemento pequeno em um ritual extremamente
longo e elaborado. Este ritual foi publicado primeiro de uma forma
sumária por Aleister Crowley em "O Templo do Rei Salomão,
Parte 2" no "The Equinox, Volume I, Número III"(
Londres, 1910): nesta referência, o copo e a adaga são
portados pela mesma pessoa e os comentários de Crowley
acerca do ritual via a adaga como símbolo da Cruz ou Morte,
enquanto o copo simboliza o Lótus ou Ressurreição,
o contexto (positivamente cristão) do restante do simbolismo
deste ritual faz muito mais sentido do que uma interpretação
freudiana. Uma versão detalhada deste ritual foi posteriormente
publicada por Israel Regardie no "Volume 2" do "A
Golden Dawn" (1938), como mencionado acima, mas sem comentários
acerca do simbolismo. Neste tem pessoas diferentes portando o
copo e a adaga como descrito acima: isto pode ser um equivoco
na versão de Crowley, ou pode simplesmente refletir uma
mudança na prática cerimonial da Golden Dawn entre
a época da iniciação como Adeptus Minor de
Crowley, segundo a matéria da Golden Dawn em Paris em 1900
e a iniciação de Regardie em 1930 na Stella Matutina,
um grupo filiado da Golden Dawn.
b) Na pág 37 da LAM, acompanhado do texto Blessed Be estão
alguns símbolos que podem conceitualmente ter a intenção
de simbolizar a frase de Crowley "amor sob a vontade",
eu acho que posso ver novamente outras possíveis interpretações,
ao menos uma que eu acho mais plausível.
c) Os símbolos "V,V,V,V,V" (ou "v,v,v,v,v")
aparecem em várias partes da LAM, incluindo pág
37, 98 ou 99 ( a numeração original de minha transcrição
está obscura neste ponto) e 226. Do contexto em que isto
é usado, parece sempre que é escrito no lugar de
algum nome(s) de uma divindade secreta onde isto ocorra no texto
de um ritual wiccan. Em algumas partes o(s) nome(s) foram acrescentados
próximos (mais tarde, segundo alguns) em escrita tebana.
A primeira vista isto é perturbador, uma vez que um dos
muitos nomes mágicos de Crowley era normalmente escrito
"V.V.V.V.V." (isto significa "Vi Veri Vniversum
Vivus Vici", i.e.: "Pela Força da Verdade Eu
Conquistei o Universo Enquanto Vivo" [NT: eu creio que o
mais próximo disso é "Venci Vivo Verdadeiramente
o Vniverso"] e ele tomou este nome em 1909). Entretanto,
eu suspeito que o compositor não estava ciente disto e
não era a intenção de indicar que Crowley
fosse (ambos) o(s) Deus(es) das bruxas, mas que ele simplesmente
viu o símbolo nos escritos de Crowley e pensou ser um símbolo
adequado para indicar a presença de um nome sem menciona-lo.
Esta forma de nome de Crowley aparece em várias partes
de seus trabalhos publicados, incluindo o "Liber Cordis Cincti
Serpente", "Curriculum da A.'. A.'.", "Liber
LXI vel Causae", "A Syllabus of the Official Instruction
of A.'. A.'. Hither Published", "The Vision and The
Voice", "Liber Liberi to vel Lapis Lazuli", "Liber
Porta Lucis", "Liber NV, the Abuldiz Working",
"The Book of Lies","The Book of Thot" e o
"Introduction to Magick in Theory and Practice". Os
três primeiros foram publicados no "Equinox, Volume
III, Número 1" (The Blue Equinox, Detroit, Michigan,
1919). Na maior parte deles está claro que "VVVVV"
é o nome de uma pessoa, mas em outros tudo é (ao
menos a alguém familiar aos hábitos de Crowley de
falar de si mesmo na terceira pessoa sob vários pseudônimos)
extremamente discutível que seja Crowley e somente no "The
Vision and The Voice" está explicado do que isto é
uma abreviação (penso que "Vi Verum Vniversum
Vivus Vinci" também ocorre sem "VVVVV" no
"The Book of Thot" e "The Herb Dangerous").
d) Na pág 47 da LAM a frase "PL and PT" [NT:
Perfeito Amor e Perfeita Confiança] aparecem duas vezes.
No contexto isto significa claramente "Perfect Love and Perfect
Trust". Como foi sugerido por Doreen Valiente isto pode ter
vindo da sentença "perfeito amor, perfeita fé,
perfeita confiança e você está protegido"
a qual aparece na "Parte 1" no "The Revival of
Magic" de Aleister Crowley, o qual foi publicado no "The
International" em Agosto de 1917. Entretanto, o "The
International" era uma revista pró-germânica
publicada em uma pequena tiragem em Nova Iorque durante a Primeira
Guerra Mundial (o qual Crowley havia pego o cargo de editor).
Isto então tornaria bem difícil de acha-lo na Inglaterra.
A única biblioteca na Bretanha que possui a coleção
é a Biblioteca Britânica e mesmo esta coleção
perdeu algumas edições (acho que eles tinham a edição
de Agosto de 1917). As frases "perfeito amor e perfeita confiança"
também aparece em vários contextos cristãos,
como em "as palavras 'amarás o Senhor teu Deus' exige
perfeita obediência, perfeito temor e perfeito amor",
no comentário sobre a "Epístola aos Gálatas"
de Martinho Lutero (1535), como foi traduzido por Theodore Graebner
(Grand Rapids, Michigan, 1949). É também possível
que tanto Crowley e a LAM foram atraídos por alguma fonte
desconhecida (as frases não soariam fora de lugar em um
contexto maçônico). Elas são também
curtas o suficiente que simplesmente foram reinventadas não
é implausível: eu as encontrei juntas tanto em poesia
amadora e erotismo BDSM [NT: bondage, dominação,
sado-masoquismo] que não seriam obviamente wiccan na origem.
e) Na pág 47 da LAM a "posição do Aprendiz"
{NT: position of Enterer, no original, não consigo encaixar
em uma palavra, sem conhecer seu conceito ou uso dentro dos trabalhos
de Crowley] é mencionado duas vezes e na pág 94
a "posição do Aprendiz" é mencionado.
Isto presumivelmente vem do "Signo do Aprendiz" da Golden
Dawn (que é mais uma posição ou estado do
que alguém normalmente pensaria como sendo um "signo").
Isto pode ter sido pego da Golden Dawn, seja diretamente ou através
do "Volume 3" do "A Golden Dawn" de Israel
Regardie(Chicago, 1939), u pode ter vindo dos escritos de Aleister
Crowley. Crowley somente usou a expressão "posição
de Aprendiz" uma vez, em um dos pontos onde este estado é
mencionado em seus extratos vindos dos papéis Z2 da Golden
Dawn na "Parte 2"de sua coluna autobiográfica
"The Temple of Salomon the King" no "The Equinox,
Volume I, Número III"(Londres, 1910) entretanto, neste
artigo isto nunca é explicado como é feito ou como
se parece. O signo é mencionado por vários outros
nomes em várias partes dos trabalhos de Crowley: ele muitas
vezes o chama de "signo do Aprendiz" ( no "Liber
Pyramidos", "The Mass of the Phoenix", "Liber
V vel Reguli", "Liber Samekh" e "The Book
of the Thot"), ou então como o "signo de Hórus"
(no "The Star Ruby" e "Liber V vel Reguli").
Entretanto, o único lugar onde ele explica como faze-lo
é em "Liber O vel Manus et Sagittae", onde isto
é referido como somente uma "típica posição
do Deus Hórus". Isto então parece impossível
que os trabalhos publicados de Crowley sejam a fonte de onde isto
tenha vindo. Outra possibilidade é que tenha derivado do
"A Golden Dawn" de Israel Regardie, o qual contém
instruções da Golden Dawn explicando como faze-lo
(penso que aqui também isto está sempre se referindo
como o "signo do Aprendiz", exceto em uma parte nos
papéis Z2, mas ao ver e falta de outra evidência
material que a LAM derivou do "A Golden Dawn" de Regardie,
isto parece ser implausível também. O melhor candidato
a ser sua fonte, na minha opinião, é um livro recente
de Israel Regardie, "The Tree of Life: a Stydy in Magic",
do qual um par de outras passagens na LAM claramente deriva e
do qual nas págs 142-143 também explica (em termos
que evidentemente vindos do "Liber O vel Manus et Sagittae"
de Crowley) como fazer o signo do Aprendiz.
f) Na pág 98 ou pág 99 da LAM (como menciono, a
numeração original de minha transcrição
é obscura neste ponto) o uso de cordas para amarrar objetos
mágicos é mencionado. Pela terminologia especificamente
usada, isto parece vir originalmente dos papéis Z2 da Golden
Dawn. Os extratos relevantes deles foram publicados primeiro por
Crowley, em sua revista "The Equinox, Volume I, Número
III" (Londres, 1910) na "Parte Z2" de sua coluna
autobiográfica "The Temple of Solomon the King"
e foram publicados posteriormente na íntegra por Israel
Regardie no "Volume 3" de sua obra "A Golden Dawn"
(Chicago, 1939). Uma vez que há pouco material vindo disto
na LAM e é proeminentemente muito superficial (veja item
3, b, abaixo), é evidentemente por Crowley e outro livro
de Regardie do que diretamente da Golden Dawn, eu suspeito que
o compositor da LAM não leu o "A Golden Dawn"
de Regardie e então, que a fonte que isto veio, era de
Crowley mais do que "A Golden Dawn", mas o posterior
pode não ter sido.
g) Um bem conhecido crowleismo que não está na
LAM está na pronuncia "magick": através
da LAM (mesmo em passagens atadas dos trabalhos de Crowley mencionados
acima), a pronuncia "magic", "magician" e
"magical" são usadas mais do que as expressões
de Crowley "magick", magickian" e "magickal"
[NT: em português, o mais próximo seriam: magia,
mágica, mágico, mago, Magista, magicamente, etc.].
isto somente é suficiente para sugerir para mim que o(s)
compositor(es) do material na LAM não eram iniciados da
OTO na época. Se o próprio Crowley o tivesse escrito,
ele certamente o teria entitulado como "The Art of Magick,
vel Liber XL" (ou "Da Arte Mágica", não
"Ye Bok of Ye Art Magical"!).
3) Passagens Ritualísticas. Segmentos intactos
de magia ritual que parecem ter vindo dos trabalhos de Crowley.
São três destes e eles são todos justamente
pequenos, mais elementos ritualísticos do que rituais completos.
a) Pág 29 da LAM tem um pedaço de poesia a qual
é claramente derivada da primeira metade dos poemas de
Crowley, "La Fortune", o qual foi publicado primeiro
na pág 54 do "Seven Lithographs by Clot from the Water-Colour
of Auguste Rodin, With a Chaplet of Verse by Aleister Crowley"
("Rodin in Rime", Londres, 1907, edição
de 500 cópias), reimprimido na pág 120 do "Volume
3"do "The Works of Aleister Crowley" (Foyers, 1907).
No original de Crowley aparece:
"Ave, Tyche! Do amalteano chifre
Derramai o vaso de amor!
Eu lentamente inclino
Diante dela! Eu a invoco no final
Quando outros deuses estão caídos e foram enxotados.
A estes pés são meus lábios; meus sinais
germinais
Crescem, tocam e coroam sua cabeça; eles devotam
Complacente amor. Amavelmente piedosos, descendo
E trazendo-me sorte a quem sou solitário e desprezado"
[NT: não encontrei sinônimo para "forlom",
coloquei "desprezado" por estar dentro do contexto].
De acordo com a pessoa que fez a transcrição da
qual eu tenho uma cópia, a versão da LAM é
mais difícil de ler, uma vez que não está
legível mas está na manuscrita rabiscada de Gardner,
mas parece estar um pouco alterada, com exceção
do nome da Deusa evocada foi alterado: no lugar da Tyche de Crowley
há um espaço em branco, presumivelmente com a intenção
de ser preenchido com o nome de uma divindade wiccan.
b) Págs 44-45 da LAM contém o Ritual Menor do Pentagrama
e há referencias para o uso dele nas partes introdutórias
dos ritos wiccan na pág 46 e pág 94 (isto não
significa que é a única ocorrência na LAM
do uso de material de magia cerimonial de uma natureza claramente
Judaico-Cristão no contexto de um ritual wiccan). Enquanto
o Ritual Menor do Pentagrama parece ser uma criação
da Golden Dawn (possivelmente baseado em uma oração
judaica), dos detalhes das palavras e traduções
do Hebraico indicados com ele, o texto da LAM tem visivelmente
origem dos trabalhos de Crowley do que diretamente da Golden Dawn.
Entretanto, ele está diferente da versão de Crowley
em quatro aspectos significativos.
Primeiro, a transliteração do Hebreu para o alfabeto
romano foi alterado pela versão cristianizada (baseada
naquela usada para transliterar palavras hebraicas na bíblia)
usada pela Golden Dawn e (com uma pequena mudança) por
Crowley, para uma transliteração acurada da pronuncia
hebraica no dialeto asquenazi (Leste e Norte europeu).
Segundo, algumas notas estão anexadas a ele que são
evidentemente comentários por alguém familiarizado
tanto com os trabalhos de Crowley quanto com a magia salomônica
judaico-cristã: um deles usa a frase: "Santo Anjo
Guardião", muito usado por Crowley mas originalmente
vindo da tradução do "The Book of the Sacred
Magic of Abra-Melin the Mage" de S.L. Mac Gregor Mather [NT:
existe uma versão em português deste livro: "O
Livro da magia Sagrada de Abra-Melin, o Mago" de John M.
Watkins, Editora Anúbis, 1997]. Apesar deste aparente crowleismo,
o conteúdo destas anotações não estão
baseadas no material de lugar algum dos trabalhos publicados de
Crowley.
Terceiro, a versão da LAM usa numerais arábicos
onde Crowley usa apenas numerais romanos e em quarto, a versão
da LAM omite muitos dos comentários de Crowley. Entretanto,
todos estes quatro elementos ocorrem em outra fonte publicada:
"The Tree of Life: a Study in Magic" por Israel Regardie
(Londres, 1932). Uma vez que Israel Regardie fala o dialeto asquenazi
do hebreu e defendeu seu uso por magos que falam inglês
nativo e foi secretario de Crowley de 1928 a 1938 (durante o qual,
por sua vez, Crowley nunca ensinou magia, ele evidentemente leu
muitos dos trabalhos publicados por Crowley), nem o fato que esta
versão do Ritual Menor do Pentagrama era baseado no trabalho
de Crowley, nem a natureza das diferenças, são muito
surpreendentes. Na passagem relevante do "The Tree of Life:
a Study in Magic" aparece:
1. Tocando a testa, diga Atoh (a Ele)
2. Tocando o peito, diga Malkus (o Reino)
3. Tocando o ombro direito, diga ve-Gevurah (e o Poder)
4. Tocando o ombro esquerdo, diga ve-Gedulah (e a Glória)
5. Batendo as mãos abaixo do peito, diga le-Olahm, Amem
(por toda a eternidade, amém)
6. Voltando para o Leste, faça um pentagrama da Terra com
a vara ou espada e diga (vibrando) YHVH.
7. Voltando para o Sul, o mesmo, mas diga ADNI.
8. Voltando para o Oeste, o mesmo, mas diga AHIH.
9. Voltando para o Norte, o mesmo, mas diga AGLA.
10. Estique os braços na forma de uma cruz, diga:
11. Na minha frente, Raphiel
12. Atrás de mim, Gabriel
13. Na minha mão direita, Michael
14. Na minha mão esquerda, Auriel
15. Acima de mim, as Chamas do Pentagrama
16. E na coluna está a estrela de seis raios
17. Repetir de 1 ao 5, a Cruz Cabalística
Este trecho pode provar o interesse ao leitor que Aleister Crowley
frisou para aqueles "que pensem neste ritual como um mero
recurso, uma mera ferramenta para evocar ou banir espíritos,
não merece possui-lo. Devidamente compreendido, ele é
a Medicinados Metais e a Pedra do Sábio". Com a encenação
dele existe, como eu frisei, um movimento complexo. O ritual primeiro
invoca e tendo banido pelo pentagrama todos os elementos dos quatro
pontos cardeais com a ajuda dos quatro nomes de Deus, ele então
evoca os quatro Arcanjos como guardiões divinos para proteger
a esfera da operação mágica. De perto, ele
novamente invoca o Ser Superior, então desde o principio
ao fim, a cerimonia inteira está sob a vigilância
do Espírito. Na primeira seção, comprimindo
os pontos de 1 a 5, identifica o Santo Anjo Guardião do
Magista com os aspectos maiores do universo Sephirótico;
de fato ele afirma a identidade da alma com Adão Kadmon.
Na Segunda seção, pontos 6 a 9, o Magista traça
um circulo de proteção, enquanto sua imaginação
está formulando um Círculo de Fogo Astral dentro
do qual prosseguira com seu trabalho. No Norte, Sul, Leste e Oeste
deste círculo, pentagramas de banimento do elemento Terra
são traçados com a vara ou espada. Como estes pentagramas
são formados no ar com a arma elemental, todo esforço
deve ser feito para conceder vitalidade e realidade a eles. A
performance cega deste ritual, como é tão verdadeiro
em todos os aspectos da Teurgia, é um tanto inútil
e é um desperdício tanto de tempo quanto de energia.
A imaginação, simultaneamente, pode ser estimulada
para criar estes pentagramas sobre o Magista no plano astral em
figuras reluzentes de fogo, então que através das
linhas de fluxo de luz e poder, representativos do ente espiritual,
nenhuma entidade menor de tipo algum ousaria atravessar. É
necessário que o Magista tenha certeza que ele não
abaixe a arma elemental após formular o pentagrama no ar.
O círculo deve ser completo, continuo e ligado de pentagrama
a pentagrama. A fulgurante estrela de cinco pontas é como
uma espada chamejante a aquela que expulsou Adão do Paraíso
do Éden. Os quatro arcanjos, os regentes espirituais dos
planetas do Sol, Lua, Mercúrio e Vênus, são
então invocados para dar legitimidade ao trabalho e poder
espiritual e proteção tanto para os pentagramas
circundados e o círculo dentro do qual o Magista está
inserido. A última frase do ritual declara um flamejante
pentagrama acima dele e invoca mais uma vez o Santo Anjo Guardião
para que a operação esteja selada com a marca da
luz divina.
As notas da LAM cobrem muitos dos mesmos pontos como o comentário
dado acima, usando muito as mesmas frases. Elas são muito
mais breves, mas são claramente derivadas dos comentários
de Regardie. Para alguém que quiser fazer uma comparação,
a versão de Crowley do Ritual Menor do Pentagrama pode
ser encontrado no "Liber O vel Manus et Sagittae" no
"The Equinox, Volume I, Número II" (Londres,
1909) na pág 19 e na "Magick in Theory and Practice"
(Paris, 1929) no "Apêndice VII" na págs
379-380. O original da Golden Dawn pode ser encontrado no "A
Golden Dawn" de Israel Regardie, "Volume I" (Chicago,1937),
págs 106-107.
c) Págs 191-193 na LAM contem um pedaço dos escritos
de Crowley, aparentemente planejado para ser clamado pelo HP (
na terminologia da LAM, a Alta Sacerdotisa: o mais moderno "HPs"
ou "HPS" não ocorrem na LAM). Este é um
fragmento de ritual e não é dado no contexto de
um ritual mais extenso. Existem dois lugares nos trabalhos de
Crowley onde isto pode ter sido tirado: o primeiro é da
obra canalizada "O Livro da Lei", Capítulo I,
Versos 61 e 63-65, e o segundo é na Missa Gnóstica,
onde exatamente este extrato do "Livro da Lei" ocorre
e é falado pela Sacerdotisa. Aqui estão os versos
60-66 do Capítulo I do "Livro da Lei":
60. Meu número é 11, como todos os números
dos que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com
um Círculo no Meio & o círculo é Vermelho.
Minha cor é preta ao cego, mas azul e dourado são
vistos pelo aspirante. Também Eu tenho uma glória
secreta àqueles que me amam.
61. Mas para amar-me é melhor que todas as coisas: se
debaixo das estrelas noturnas no deserto tu imediatamente queimares
meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração
puro e a Serpente chamejar nele, tu poderás vir um pouco
para deitar em meu peito. Por um beijo tu irás então
desejar dar tudo; mas aquele que der uma partícula de poeira
irá perder tudo nesta hora. Irás juntar posses e
guardar da mulher e temperos; irás vestir ricas jóias;
irás exceder as nações da terra em esplendor
e orgulho; mas sempre em amor a mim e então virás
para meu júbilo. Eu te comando determinadamente para vir
diante de mim em um manto singular e coberto com um rico penteado.
Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura,
recatado ou voluptuoso, Eu que sou todo púrpura, recatado
ou voluptuoso, Eu que sou todo prazer e púrpura e embriagado
no sentido mais íntimo, te desejo. Ponha as asas e desperte
o esplendor cacheado de dentro de ti: venha para mim!
62. Em todos os meus encontros contigo irá a Sacerdotisa
dizer - e os olhos dela irá queimar de desejo enquanto
ela descansa nua e regozijando em meu templo secreto - A mim!
A mim! Chamando adiante a chama dos corações de
todos em seu cântico de amor.
63. Cante a arrebatadora música de amor para mim! Incense
perfumes para mim! Enfeite-se de jóias para mim! Beba a
mim, porque eu te amo! Eu te amo!
64. Eu sou a filha de pupilas azuis do Crepúsculo; Eu
sou o brilho despido do voluptuoso céu noturno.
65. A mim! A mim!
66. A manifestação de Nuit está no fim.
Crowley escreveu (ou transcreveu) "O Livro da Lei"
em 1904 e publicou privadamente em "Thelema" (The Holy
Books, Londres, 1909) Volume 3, no seu periódico "The
Equinox" no Volume I, Número VII (Londres, 1912) com
uma copia reduzida quase ilegível da versão do original
manuscrito (garrancho) com um comentário, no Volume I Número
X (Londres, 1913), em uma transcrição impressa e
de novo no Volume II Número 3 ("The Equinox of the
Gods, Londres, 1936) em uma transcrição impressa
com um comentário extenso. Isto também foi impresso
privadamente como uma brochura pela "Church of Thelema"
em Pasadena, Califórnia em 1938 e também pela OTO
em Londres, 1938. Crowley tinha o hábito de usar extratos
do "Livro da Lei" (o qual ele recordava como a pedra
fundamental e livro sagrado de sua filosofia-religião "Thelema"
e afirmou que foi ditado a ele por uma "inteligência
alterhumana") em muitos de seus escritos posteriores. Eis
aqui as palavras da sacerdotisa da Missa Gnóstica. Crowley
escreveu a Missa Gnóstica em 1913 e a publicou na revista
americana "The International" em Março, 1918
9como discutido acima, isto pode ter sido bem difícil de
obter na Inglaterra), em seu periódico "The Equinox,
Volume III, Número I" ("The Blue Equinox",
Detroit, Michigan, 1919) e em "Magick in Theory and Practice"
(Paris, 1929), "Apêndice VI". A versão
no "The Blue Equinox, eu acho que foi recomposta, é
praticamente idêntica àquela no "The International",
mas a versão na "Magick in Theory and Practice"
tem um número de diferenças menores (a maior parte
corrigindo pequenos erros nas citações do "Livro
da Lei"), alguns dos quais estão nessas passagens.
As diferenças serão mostradas em pedaços
como: ["The International/"The Blue Equinox"/ "Magick
in Theory and Practice"]:
Mas para me amar é melhor que todas as coisas [;/;/:] se
debaixo das estrelas noturnas no deserto tu imediatamente queimares
meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração
puro, e a [s/s/S]erpente chamejar nele, tu poderás vir
um pouco para deitar em meu peito. Por um beijo irás tu
então estar desejando dar tudo, mas aquele que der uma
partícula de poeira irá perder tudo nesta hora.
Irás juntar posses e guardar da mulher e temperos; irás
vestir ricas jóias; irás exceder as nações
da terra em esplendor e orgulho; mas sempre em amor a mim e então
virás para meu júbilo. Eu te comando determinadamente
para vir diante de mim em um manto singular e coberto com um rico
[penteado/ ornato/ ]. Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido
ou púrpura, recatado ou voluptuoso, Eu que sou todo prazer
e púrpura e embriagado no sentido mais íntimo, te
desejo. Ponha as asas e desperte o esplendor cacheado de dentro
de ti [;/:/:] venha para mim! A mim! A mim! Incense perfumes para
mim! [ / / Enfeite-se de jóias para mim!] Beba a mim, porque
eu te amo [././!] Eu sou a filha de pupilas azuis do [c/c/C]repúsculo
[:/:/.] Eu sou o brilho despido do voluptuoso céu noturno.
A mim! A mim!
A LAM confere coma versão da "Magia em Teoria e Prática"
e da "Missa Gnóstica" em quatro destes oito lugares:
a palavra "serpente" está em maiúsculo,
"penteado" contém hífen [NT: no original:
head-dress], a frase "enfeite-se de jóias para mim"
está presente e "crepúsculo" está
em maiúsculo; mas há uma vírgula após
"coisas" (inconclusivo), uma vírgula após
"dentro de ti" (inconclusivo), uma parada total após
o segundo "eu te amo" (conferindo com versões
recentes) e uma vírgula após crepúsculo"
(inconclusivo). Todavia (particularmente na parte da inclusão
da frase "enfeite-se de jóias para mim") isto
é suficiente para deixar claro que esta passagem na LAM
não foi tirada da versão da "Missa Gnóstica"
do "The International" ou do "The Blue Equinox",
mas sim da versão da "Missa Gnóstica"
do "The Magick in Theory and Practice" ou diretamente
do "Livro da Lei". Dada a coincidência que a LAM
reproduz exatamente os mesmos extratos do "Livro da Lei"
que está na "Missa Gnóstica", começando
e terminando nos mesmos lugares e com a mesma omissão do
"Verso 62" e também mostra-o como sendo dito
pela sacerdotisa, isto me sugere que este material foi tirado
da "Missa Gnóstica" ( como fornecido no "Magick
in Theory and Practice"), mais do que diretamente do "Livro
da Lei". Parece ser plausível que esta passagem na
LAM data do mesmo período de um ou mais passagens na teoria
mágica copiada do "Magick in Theory and Practice"
na LAM que foi discutido acima. Incidentalmente, algum material
similar ocorre no "Capítulo XXII" da novela "Jurgen"
de James Branch Cabell (Nova Iorque, 1919) e eu ouvi sugerirem
que todo material derivado de Crowley na LAM vem desta fonte,
ou que Crowley pegou material de Cabell ou que todos os três
são provindos de um ancestral comum. Uma pequena comparação
textual torna bem claro que não é qualquer um destes
casos: existem materiais em "Jurgen" e na "Missa
Gnóstica" de Crowley, mas não na LAM e em vários
trabalhos de Crowley, mas não em "Jurgen", mas
não há coisa alguma tanto em "Jurgen"
e na LAM, mas não na "Missa Gnóstica".
Similarmente, do material que está nos três, as versões
no "Jurgen" e na LAM mais parece com a "Missa Gnóstica"
mais do que se parecem entre si. Adicionalmente, algo do material
que está no "Jurgen" e na "Missa Gnóstica"
vem do "Livro da Lei" , o qual foi publicado primeiramente
em 1909 e do qual nós temos boas razoes para crer que foi
originalmente transcrito em 1904. Uma vez que Cabell foi um escritor
prolífico, que escreveu mais de 30 livros, parece improvável
que um manuscrito de "Jurgen" existiu em 1904, quinze
anos antes de sua publicação em 1919 e então
é extremamente improvável que Crowley possa ter
tirado material de Cabell do que vice-versa (verdadeiramente,
este tipo de plagiarismo não parece com Crowley: nas únicas
ocasiões que eu estava alerta de em qual ele cometera plágio,
foi nos papéis mágicos da Golden Dawn e foi feita
com malícia planejada após Crowley deixar os autores/editores).
Então está claro que o material em "Jurgen"
vem da "Missa Gnóstica")verdadeiramente, é
basicamente uma paródia dela: "Jurgen" é
um livro de humor distorcido), presumivelmente baseado na versão
que Crowley publicou na revista "The International"
em Nova Iorque, em Março, 1918 (parece que enquanto Cabell
estava escrevendo "Jurgen", que foi concluído
no ano seguinte) e que a LAM é independentemente derivada
de vários trabalhos publicados de Crowley, incluindo (Mas
não limitado a) a "Missa Gnóstica".
4) Reutilização de Material. Frases, sentenças
ou passagens vindas dos trabalhos de Crowley e reutilizadas no
contexto de um ritual wiccan, tipicamente com consideráveis
modificações:
a) Na pág 95-96 da LAM ocorre um par de linhas em um ritual
que é bem similar às linhas do "The Supreme
Ritual" em "Two Fragments of Ritual" supostamente
." (parece ser um . traduzido dos originais germânicos
de Wesihaupt por "Fra. dos muitos pseudônimos de Crowley
e publicados no "The Equinox, Volume I, Número X",
Londres, 1913):
I: Estás armada?
O: Com uma adaga
[O. tira a adaga de seu cabelo]
b) Págs 225-227 da LAM contém um pedaço
de ritual (possivelmente com a intenção de uma continuação
dos pedaços nas págs 191-193). Primeiro o Alto Sacerdote
diz um pedaço o qual (enquanto inclui um par de citações
de partes diferentes do "Livro da Lei") está
claramente provindo da "Missa Gnóstica"(1918,1919,1929).
Na "Missa Gnóstica" o Sacerdote fala:
Oh segredo dos segredos que estão escondidos na existência
de tudo que vive, não a Vós adoraremos pois aquele
que adora sois Vós também. Vós sois Aquele
e Ele sou eu.
[não há quebra de parágrafo aqui no "The
International]
Eu sou a chama que queima em todo coração humano
e no cerne de toda estrela. Eu sou Vida e o doador da Vida [;/;/,]
agora então é o conhecimento de mim o conhecimento
da morte. Eu estou solitário, não há Deus
onde Eu sou.
No "The International" este é um parágrafo,
não dois e a pontuação nas versões
do "The International" e do "Blue Equinox"
diferem como marcadas da versão do "Magick in Theory
and Practice". A LAM o tem separado em parágrafos
de sentenças individuais e tem uma vírgula após
"vida", então de novo isto combina melhor com
a versão do "Magick in Theory and Practice",
acho que a evidência é menos conclusiva do que a
de cima. Existe então um pequeno pedaço, também
falado pelo Alto Sacerdote, o qual parece vir da Maçonaria
e outras fontes. Então o Alto Sacerdote e a Alta Sacerdotisa
juntos dizem outro pedaço pequeno claramente vindo da "Missa
Gnóstica", no qual é falado pelo Sacerdote
sozinho, deste modo:
Há nenhuma parte de mim que não seja dos Deuses.
Outra vez, as três versões da "Missa Gnóstica"
combinam. Enquanto este material contém pequenas citações
do "Livro da Lei" (todas as quais são também
encontradas na "Missa Gnóstica"), muito disto
é encontrado apenas na "Missa Gnóstica"
e está claro que a fonte da qual este material na LAM vem
da "Missa Gnóstica". A evidência não
deixa claro qual versão da "Missa Gnóstica"
ele veio mas de novo ele combina melhor com a versão do
"Magick in Theory and Practice".
c) Págs 263-268 na LAM contém um pedaço
muito interessante, aqui entitulado "Leviter Veslis",
o qual é evidentemente a fonte do material o qual Doreen
Valiente mais tarde reescreveu dentro da Carga da Deusa (inicialmente,
como Stephen Jones indicou, a palavra "carga" é
usada nos círculos maçônicos para significar
"um discurso explanatório ou expositório",
enquanto que em "Uma Evocação de Bartzabel
o Espírito de Marte", Crowley o usou como um discurso
feito para evocar um espírito, saudando-o e dando-lhe instruções).
Eu irei discutir esta parte em detalhes na próxima seção.
d) Págs 271-278 da LAM contém rituais de sabath,
nos quais tem algum material vindo de Crowley o qual é
vindo enfim do "Livro da Lei", provavelmente pela "Missa
Gnóstica". Entretanto, este material de Crowley está
todo presente nos extratos da "Missa Gnóstica"
na pág 225-227 da LAM discutida acima e então isto
parece plausível que estes rituais são mais citações
desta passagem na LAM do que citações de Crowley
diretamente.
Leviter Veslis
A passagem de "Leviter Veslis" é suficientemente
complexa, interessante e é importante que eu sinto que
ela vale ser mostrada inteira aqui e então analisar detalhadamente
as fontes de onde ela vem.
O titulo da passagem "Leviter Veslis" enquanto sem sentido
em latim clássico, é uma frase comum no latim da
Igreja Medieval significando 'levantando o véu" [é
interessante notar que a frase "levantando o véu"
também ocorre na "Missa Gnóstica" de Crowley,
na quarta seção que está entitulada "Da
Cerimônia da Abertura do Véu"). Eu não
posso reproduzir aqui o transcrito que eu tenho do "Leviter
Veslis" uma vez que eu sinto que ele pode ser uma quebra
do meu voto se o fizer e também porque eu não tive
a permissão dos atuais proprietários da LAM. Entretanto,
eu posso evitar isso, uma vez que um transcrito deste pedaço
já foi publicado por Aidan Kelly, tanto no "Crafting
the Art of Magic, Book I" e várias versões
dele em um dos disquetes que ele tem vendido por muitos anos (sob
o título "Os Conteúdos Públicos do Livro
das Sombras"!) e como resultado isto pode ser encontrado
até mesmo publicado na Web em cerca de doze lugares diferentes.
A versão que eu mostro aqui é tirada do "Crafting
the Art of Magic, Book I"; enquanto esta transcrição
não é idêntica a esta em minha posse (realmente,
eu irei mais longe ao dizer que esta versão é malfeita),
ela é parecida o suficiente que as (numerosas mas com duas
exceções menores) diferenças não irão
afetar minha conclusão: uma analise similar da melhor transcrição
que eu tenho conduz aos mesmos resultados, ela apenas providencia
sutilmente evidências coerentes para elas.
Ouça às palavras da Grande Mãe, a qual
pelos antigos era também chamada entre os homens de Ártemis,
Astarte, Dione, Melusine, Afrodite, Cerridwen, Diana, Arianrhod,
Brida e por muitos outros nomes:
Em meus altares os jovens da Lacedemônia em Esparta fizeram
o devido sacrifício.
Sempre que houver necessidade de algo, uma vez ao mês e
melhor que seja quando a lua estiver cheia, reunam-se em um lugar
secreto e adore o meu espírito, que sou a Rainha de todas
as Bruxarias e magias.
Nesta assembléia, aos que estão dispostos a aprender
toda feitiçaria, mas que por ora não venceu seus
profundos segredos. A estes eu irei ensinar coisas que ainda são
desconhecidas.
E serão libertos da escravidão e como um sinal que
são realmente livres, deverão estar nus em seus
ritos, tanto homens quanto mulheres e deverão dançar,
cantar, festejar, fazer música e amor, tudo em meu louvor.
Há uma Porta Secreta que eu fiz para estabelecer o caminho
para sentir mesmo na terra o elixir da imortalidade. Digam: "que
o êxtase seja meu e alegria na terra igualmente para mim,
a mim".
Pois eu sou uma Deusa graciosa. Eu dou inimagináveis alegrias
na terra, certeza, não fé, durante a vida! E na
morte, paz inefável, descanso e êxtase, nem eu exijo
coisa alguma em sacrifício.
Ouçam as palavras da Deusa Estrela:
Eu te amo. Eu anseio por ti: pálido ou púrpura,
recatado ou voluptuoso.
Eu que sou toda prazer e púrpura e embriagada no sentido
mais intimo, desejo-te. Ponha as asas, desperte o esplendor cacheado
de dentro de ti, venha para Mim.
Pois Eu sou a chama que queima no coração de todo
homem e no cerne de todas as estrelas. Que seu intimo divino esteja
perdido no constante arrebatamento da alegria infinita.
Que os rituais sejam corretamente feitos com alegria e beleza.
Lembra-te que todos os atos de amor e prazer são meus rituais.
Então que haja beleza e vigor, risadas saltitantes, força
e fogo por dentro de ti.
E se disseres "eu tenho vagueado em Ti e não fui aproveitado",
melhor que digas "eu Te chamei e esperei pacientemente e
eis, Tu estavas comigo desde o início", pois os que
sempre me desejaram sempre me alcançaram, mesmo no fim
de todo o desejo.
A forma mais fácil de resumir de onde isto vem será
se nós primeiro dividirmos em cinco seções.
Para cada seção eu irei sublinhar as partes as quais
certamente vem de uma fonte ou fontes particulares, uma vez que
elas são idênticas ou uma paráfrase parecida
do material disto. Aquelas partes da transcrição
de Kelly as quais exatamente combinam com o texto das fontes propostas
estarão em negrito (uma vez que a transcrição
de Kelly contem muitos pequenos erros, não será
dada muita atenção a isto). Eu irei aproximar os
pedaços tirados de diferentes lugares na fonte em (parênteses);
aonde o material de diferentes fontes ocorrem na mesma seção
será indicado por usar (diferentes) [estilos] de chaves.
A primeira seção parece ser igual ao original, não
foi tirada de outras fontes que eu fui capaz de localizar:
Ouça as palavras da Grande Mãe, a qual pelos
antigos era também chamada entre os homens de Ártemis,
Astarte, Dione, (Melusine), Afrodite, Cerridwen, Diana, Arianrhod,
Brida e por muitos outros nomes.
Em meus altares os jovens da Lacedemônia em Esparta fizeram
o devido sacrifício.
A única exceção obvia é a enigmático
nome na lista, 'Melusine", que é uma fada serpente
ou com rabo de peixe de uma estória medieval francesa.
O que pelos céus ela está fazendo numa lista de
Grandes Deusas clássicas? Entretanto, este nome ocorre
na "Lei da Liberdade" de Crowley e é bem parecido:
o compositor do "Leviter Veslis" pode ter usado somente
por esta razão (também é possível
que a inclusão da grega Ártemis foi inspirada pelas
referencias a sua equivalente romana Diana no "Arádia
ou o Evangelho da Bruxas" de Charles Godfrey Leland) (como
Kelly já indicou, a frase "os jovens da Lacedemônia
em Esparta fazem o devido sacrifício" pode ser uma
referencia ao uso da flagelação nas práticas
religiosas espartanas).
A próxima seção foi toda tirada de "Arádia
ou o Evangelho das Bruxas" de Leland:
(Sempre que houver necessidade de algo, uma vez ao mês
e melhor que seja quando a lua estiver cheia, reunam-se em algum
lugar secreto e adore o Meu espírito, que sou Rainha) de
todas as Bruxarias e magias. N(esta assembléia), (aos que
estão dispostos a aprender toda feitiçaria, mas
que por ora não venceu seus profundos segredos. A estes
eu irei ensinar coisas que ainda são desconhecidas. E serão
libertos da escravidão)(e como um sinal que são
realmente livres, deverão estar nus em seus ritos, tanto
homens como mulheres e deverão)(dançar, cantar,
(festejar), fazer música e amor, tudo em meu louvor).
A próxima seção é bem curta, apenas
uma meia sentença. Ela difere do material após ela
no que ela não pode ter vindo da "Lei da Liberdade";
ela pode, entretanto, ter vindo do "Livro da Lei" de
Crowley diretamente ou por "Khabs am Pehkt" ou "Uma
Evocação de Bartzabel o Espirito de Marte":
(Há uma Porta Secreta que eu fiz para estabelecer o
caminho)...
A sentença continua na próxima seção,
a qual parece mais com "Leviter Veslis". Ela segue a
Segunda parte do Capítulo II e a primeira parte do Capítulo
III da "Lei da Liberdade" bem de perto, tanto no contexto
e na ordem no qual este contexto aparece é bem provável
que foi tirado por inteira deste texto.
As partes (entre parênteses) pode ter vindo apenas da "Lei
da Liberdade" (e em alguns casos em outras partes dos trabalhos
de Crowley) e aquelas em {colchetes} são encontradas na
"Missa Gnóstica" e no "Livro da Lei"
bem como na "Lei da Liberdade" (e em alguns casos em
outras partes dos trabalhos de Crowley), mas não na "Missa
Gnóstica". Notem que não há material
nesta seção de lugar algum dos trabalhos publicados
de Crowley que não possa ter vindo da "Lei da Liberdade":
...(para sentir mesmo na terra o elixir da Imortalidade).
Digam, "que (o êxtase seja meu e alegria na terra igualmente
para mim, a mim").
(Pois eu sou uma Deusa graciosa. [Eu dou inimagináveis
alegrias na terra, certeza, não fé, durante a vida!
E na morte, paz inefável, descanso e êxtase, nem
eu exijo coisa alguma em sacrifício]).
(Ouçam as palavras da Deusa Estrela.
{Eu te amo. Eu anseio por ti: pálido ou púrpura,
recatado ou voluptuoso.
Eu que sou toda prazer e púrpura e embriagada no sentido
mais intimo, desejo-te. Ponha as asas, desperte o esplendor cacheado
de dentro de ti, venha a Mim}).
Pois {Eu sou a chama que queima no coração de todo
homem e no cerne de todas as estrelas}.
Que (seu íntimo divino esteja perdido no constante arrebatamento
da alegria infinita).
({Que os rituais sejam corretamente feitos com alegria e beleza.
Lembre-se que todos os atos de amor e prazer são meus rituais).
Então que haja [beleza e vigor, risadas saltitantes, força
e fogo] por dentro de ti.
A última seção não tem material da
"Lei da Liberdade" ou do "Livro da Lei", ela
por sua vez vem do "Cordis Cincte Serpente" de Crowley,
diretamente ou possivelmente de "Astarte vel Liber Berylli".
As partes entre (parênteses) pode ter vindo apenas do "Liber
Cordis Cincte Serpente", enquanto que as entre [chaves] são
também encontradas no "Astarte vel Liber Berylli"
tão bem quanto no "Liber Cordis Cincte Serpente":
E se disseres ["eu tenho vagueado em ti e não fui
aproveitado",] melhor que digas, ["eu chamei e][ esperei
pacientemente e eis, tu estavas comigo desde o início"],
pois (os que sempre me desejaram, sempre me alcançaram,
mesmo no fim de todo o desejo).
Agora, eu gostaria de examinar as passagens nos trabalhos de
Leland e Crowley que esta seção veio. Eu sublinharei
as partes que estão citadas, sejam diretamente ou em paráfrase
similares, no "Leviter Veslis".
Primeiro o "Arádia ou o Evangelho das Bruxas"
(Londres, 1899) de Charles Godfrey Leland, o qual ele afirma ser
baseado em uma tradução de um material dado a ele
por uma bruxa tradicional italiana. Dos extratos no "Leviter
Veslis" um vem das traduções de Leland e um
vem dos comentários deste material que é uma extensão
da paráfrase da tradução que a precede.
Do Capítulo I:
Quando eu tiver partido deste mundo sempre que precisar de algo,
uma vez ao mês e quando a lua está cheia, reunam-se
em assembléia em algum lugar deserto, ou em uma floresta
todos juntem-se para adorar o poderoso espírito de sua
rainha, minha Mãe, a grande Diana. Por Ela quem desejar
irá aprender toda bruxaria e se ainda não venceu
seus profundos segredos, então minha Mãe irá
ensiná-lo, em verdade todas as coisas ainda desconhecidas.
E serão todos libertados da escravidão e então
seroa livres em tudo; e como um sinal que são verdadeiramente
livres, estarão nus em seus ritos, tanto homens como mulheres
também: isto deverá durar até o último
de seus opressores estiver morto; e irão fazer os jogos
de Benevento, extinguindo a luz e depois disto irão preparar
seus jantares desta forma:
Do Capítulo II:
...E se a graça for garantida, oh Diana! Em honra a ti
eu irei fazer esta festa, festa e sorver o cálice profundamente,
nós iremos dançar e selvagemente pular. E se tu
garantires a graça que eu peço , então a
dança será mais selvagem e as candeias serão
extinguidas e nós iremos amar livremente! E isto será
feito: todos sentarão para jantar todos nus, homens e mulheres
e a festa terminada, eles irão dançar, cantar, fazer
música e então amor nas sombras, com todas as luzes
extinguidas; pois isto é o espírito de Diana que
as extinguiu e então eles irão dançar e fazer
música em louvor a ela.
Enquanto está claro que Arádia é a fonte
desta parte do "Leviter Veslis", é interessante
notar que uma sentença similar também ocorre nos
trabalhos de Crowley, no Editorial do "The Equinox, Volume
III, Número I" ( "The Blue Equinox", Detroit,
Michigan, 1919) págs 9-10:
As celebrações devem conformar aos costumes e natureza
das pessoas.
O cristianismo destruiu a alegria das celebrações
caracterizadas por musica, dança, festa e fazer amor e
foi mantida somente a melancolia.
A Lei de Thelema oferece uma religião que preenche todas
as condições necessárias.
O resto do "Leviter Veslis" está ultimamente
(mas, como eu indiquei, não necessariamente direto) derivado
do trabalho canalizado de Crowley, o "Livro da Lei",
o qual (como mencionado acima) foi publicado no "The Equinox,
Volume I, Número VII" (Londres, 1912), no "Volume
I, Número X" (Londres, 1913) e no "Volume III,
Número III" ("The Equinox of the Gods",
Londres, 1936) e também em "Thelema" ("The
Holy Books", Londres, 1909), "Volume 3" e como
uma brochura em Pasadena, Califórnia em 1938 e também
em Londres em 1938. Existem aqui seções relevantes
do "Livro da Lei". De novo, eu alterei o texto por sublinhar
as seções das quais o "Leviter Veslis"
foi feito.
Capítulo I, versos 52-62:
52. Se isto não estiver certo; se tu confundires os espaços
marcados, dizendo: eles são um ou dizendo eles são
muitos; se o ritual não estiver mesmo sob mim: então
espere o terrível julgamento de Ra Hoor Khuit!
53. Isto irá regenerar o mundo, o pequeno mundo minha
irmã, meu coração e língua até
quem eu mando este beijo. Também, oh escriba e profeta,
acho que tu és da princesa, isto não o amenizará
nem o absolverá. Mas êxtase são teus e alegria
na terra: até a mim! A mim!
54. Não mude tanto quanto o estilo de uma letra, pois
repare! Tu, oh profeta, não irá testemunhar todos
estes mistérios escondidos dentro disto.
55. A criança de tuas entranhas, ela irá testemunha-los.
56. Não o espere no Leste, nem no Oeste; pois da casa
inesperada vem esta criança. Aum! Todas as palavras são
sagradas e todos os profetas sinceros; salvo somente que eles
entendem um pouco; resolva a primeira metade da equação,
deixe a segunda insoluta. Mas tu tem tudo na luz clara e mais,
mas não tudo, na escuridão.
57. Invoque-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor
sob vontade. Não deixe que os tolos enganem o amor, pois
aqui estão amor e amor. Aqui está a pomba e aqui
está a serpente. Escolha bem! Ele, meu profeta, escolheu,
sabendo a lei da fortaleza e o grande mistério da Casa
de Deus. Todas estas velhas letras de meu livro estão certas,
mas ? não é a Estrela. Isto também é
segredo: meu profeta o revelará ao sábio.
58. Eu dou inimagináveis alegrias na terra, não
fé, durante a vida, chegando a morte, paz inefável,
descanso, êxtase, nem Eu exijo coisa alguma em sacrifício.
59. Meu incenso é de madeira resinosa e cola; e não
há sangue nele: por causa de meu cabelo as árvores
da Eternidade.
60. Meu numero é 11, como todos os números dos
que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um
Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho.
Minha cor é preta ao cego, mas azul e dourado são
vistos pelo aspirante. Também tenho uma gloria secreta
àqueles que me amam.
61. Mas para amar-me é melhor que todas as coisas: se
debaixo das estrelas noturnas tu imediatamente queimares meu incenso
diante de mim, invocando-me com um coração puro
e a Serpente chamejar nele, tu poderás vir um pouco para
deitar em meu peito. Por um beijo tu irás enato desejar
dar tudo; mas aquele que der uma partícula de poeira irá
perder tudo nesta hora. Irás junta posses e guardar da
mulher e temperos; irás vestir ricas jóias; irás
exceder as nações da terra em esplendor e orgulho;
mas sempre em amor a mim e então virás para meu
júbilo. Eu te comando determinadamente para vir diante
de mim em um manto singular e coberto com um rico penteado. Eu
te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura, recatado
ou voluptuoso. Eu que sou todo prazer e púrpura e embriagado
no sentido mais íntimo, te desejo. Ponha as asas e desperte
o esplendor cacheado de dentro de ti: venha para mim!
62. Em todos os meus encontros contigo irá a Sacerdotisa
dizer - e os olhos dela irá queimar de desejo enquanto
ela descansa nua e regozijando em meu templo secreto - A mim!
A mim! Chamando adiante a chama dos corações de
todos em seu cântico de amor.
Capítulo II, versos 5-7:
5. Olhai! Os rituais dos tempos antigos estão maculados.
Que os malvados sejam expulsos, que os bons sejam purificados
pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá certo.
6. Eu sou a chama que queima em todo coração do
homem e no cerne de toda estrela. Eu sou a Vida e o doador da
Vida assim então o conhecimento de mim é o conhecimento
da morte.
7. Eu sou o Magista e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda e o
cubo no círculo. "Venha para mim" é uma
palavra tola: pois este é eu que vou.
Capítulo II, versos 19-21:
19. Pode um Deus viver em um cão? Não! Mas os maiorais
são nossos. Eles regozijarão, nossa escolha: quem
arrepende-se não é dos nossos.
20. Beleza e vigor, risada saltitante e langor delicioso, força
e fogo são dos nossos.
21. Nada temos com o proscrito e o inadequado: deixe que pereçam
na sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão
é o vício dos reis: marca o canalha e o fraco; esta
é a lei do forte: esta é nossa lei e a alegria do
mundo. Não pense, oh rei, sobre esta mentira: que tu morrerás;
verazmente não morrerás, mas viverá. Agora
entenda: se corpo do Rei dissolver, ele permanecerá em
puro êxtase para sempre. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol,
Força & Visão, Luz; estes são para os
servos da Estrela e da Serpente.
Capítulo II, versos 34-36:
34. Mas vós, oh meu povo, levante e acorde!
35. Que os rituais sejam corretamente feitos com alegria e beleza!
36. Existem rituais dos elementos e festas dos tempos.
Capítulo III, verso 38:
38. Então que tua luz está em mim; & esta chama
vermelha é uma espada em minha mão para usar em
tua ordem. Há uma porta secreta que eu fiz para estabelecer
o caminho em todos os quadrantes, (estas são as adorações,
como está escrito), tal como é dito:
A luz é minha seus raios me consomem:
Eu fiz uma porta secreta
Dentro da Casa de Ra e Tum,
De Khephra e de Ahathoor.
Eu sou teu tebano, oh Mentu
O profeta Ankh-af-na-Khonsu!
Por Bes-na-Maut meu peito eu bato
Pelo sábio Ta-Nech eu traço meu encanto
Mostre tua estrela esplendorosa, oh Nuit!
Convida-me adentrar em tua Casa para habitar
Oh serpente alada de luz, Hadit!
Permaneça comigo, Ra-Hoor-Khuit!
Eis aqui o extrato relevante da "Missa Gnóstica"
de Crowley, o qual (como mencionado acima) foi publicada no "The
International" (Nova Iorque) em Março, 1918; no "The
Equinox, Volume III, Número I" ("The Blue Equinox",
Detroit, Michigan, 1919), págs 247-270 e no "Magick
in Theory and Practice" (Paris, 1929), Apêndice VI,
págs 345-361:
Do "Of the Ceremony of the Opening the Veil" ( uma interessante
coincidência de títulos):
[Durante este discurso a Sacerdotisa deve ter se despido completamente
de seu manto. Veja CCXX, I, 62 {NT: aqui o autor duplica este
mesmo período}]
[A Sacerdotisa/A SACERDOTISA].
Mas para amar-me é melhor que todas as coisas [;/;/:] se
debaixo das estrelas noturnas no deserto tu imediatamente queimares
meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração
puro e a [s/s/S]erpente chamejar nele, tu poderás vir um
pouco para deitar em meu peito. Por um beijo tu irás então
desejar dar tudo; mas aquele que der uma partícula de poeira
irá perder tudo nesta hora. Irás juntas posses e
guardar da mulher e temperos; irás vestir ricas jóias;
irás exceder as nações da terra em esplendor
e orgulho; mas sempre em amor a mim e então virás
para meu júbilo. Eu te comando determinadamente para vir
diante de mim em um manto singular e coberto com um rico [penteado,
ornato]. Eu te amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura,
recatado ou voluptuoso, Eu que sou todo prazer e púrpura
e embriagado no sentido mais intimo, te desejo. Ponha as asas
e desperte o esplendor cacheado de dentro de ti[;/:/:] venha para
mim! A mim! A mim! Cante a arrebatadora música de amor
para mim! Incense perfumes para mim! [ / / Enfeite-se de jóias
para mim!] Eu sou a filha de pupilas azuis do [c/c/C]repúsculo
[;/;/.] Eu sou o brilho despido do voluptuoso céu noturno.
A mim! A mim!
[O Sacerdote monta o segundo passo/ O SACERDOTE monta o segundo
passo]
[O SACERDOTE/ O Sacerdote]
Oh segredo dos segredos que está escondido na existência
de tudo que vive, não a Vós adoraremos pois aquele
que adora sois Vós também. Vós sois Aquele
e Ele sou eu.
[Não há quebra de parágrafo aqui no "The
International"]
Eu sou a chama que queima em todo coração humano
e no cerne de toda estrela. Eu sou Vida e o doador da Vida [;/;/']
agora então é o conhecimento de mim o conhecimento
da morte. Eu estou solitário; não há Deus
onde Eu sou.
Como acima, os [colchetes] mostram diferenças entre as
versões no "The International", "The Blue
Equinox" e "Magick in Theory and Practice", respectivamente.
Infelizmente nenhuma dessas diferenças estão na
proporção relevantes ao "Leviter Veslis",
então elas não nos ajudam aqui.
Aqui está o extrato relevante dos Capítulos II e
III da "Lei da Liberdade" de Crowley, o qual foi publicado
no "The Equinox, Volume III, Número I" ("The
Blue Equinox", Chicago, 1919), no "The International"
(Nova Iorque), Janeiro, 1918, foi impresso particularmente como
um panfleto pela OTO em Londres por volta de 1940 e em lugar nenhum
antes de 1970:
Este é o único ponto a levar na mente, que cada
ato deve ser um ritual, um ato de adoração, um sacramento.
Viva como os reis e príncipes, coroados e destronados,
deste mundo, que sempre viveram, como mestres sempre vivem; mas
que não seja auto-indulgência; faça sua auto-indulgência
sua religião.
Quando você beber e dançar e tomar deleite, você
não estará sendo "imoral", você
não estará arriscando sua alma "imortal",
você estará cumprindo os preceitos de sua santa religião
- contando que somente que você lembre de considerar suas
ações nesta perspectiva. Não e rebaixe e
destrua e pechinche seu prazer por abandonar a suprema alegria,
a consciência da Paz que ultrapassa a compreensão.
Não adote somente Marian ou Melusine; ela é a própria
Nuit, especialmente concentrada e encarnada em uma forma humana
para dar-te amor infinito, para propor-te experimentar mesmo na
terra o Elixir da Imortalidade. "Mas êxtase sejam meus
a alegria na terra: sempre para Mim! Para Mim!
Outra vez Ela fala: "Amor é a lei, amor sob a vontade".
Mantenha puro seu supremo ideal; esforça-te sempre em direção
a ele sem permitir que qualquer coisa te pare ou te desvie para
o lado, mesmo quando uma estrela varrer sobre ele incalculável
e infinito curso e gloria e tudo é Amor. A lei de sua existência
torna-se Luz, Vida, Amor e Liberdade. Tudo é paz, tudo
é harmonia e beleza, tudo é alegria.
Pois ouça, o quão graciosa é a Deusa: "Eu
dou inimagináveis alegrias na terra; certeza, não
fé, durante a vida, na morte; paz inefável, descanso,
êxtase; nem Eu exijo coisa alguma em sacrifício".
Isto não é melhor que a morte em vida dos escravos
dos Deuses-Escravos, quando como eles vão oprimindo pela
consciência de "pecado", trajando aspirações
ou simulando monótona e tediosa "virtudes"?
Com isto, nós que aceitamos a Lei de Thelema temos nada
a fazer. Nós ouvimos a Voz da Estrela Deusa: "Eu te
amo! Eu anseio por ti! Pálido ou púrpura, recatado
ou voluptuoso, eu que sou toda prazer e púrpura e embriagada
no sentido mais intimo, te desejo. Ponha as asas e desperte o
esplendor cacheado de dentro de ti; venha a Mim! E então
Ela termina:
"Cante a arrebatadora música de amor para mim! Incense
perfumes para mim! Enfeite-se de jóias para mim! Beba a
mim, porque eu te amo! Eu te amo! Eu sou a filha de pupilas azuis
do Crepúsculo; eu sou o brilho despido do voluptuoso céu
noturno. A mim! A mim!" e com estas palavras "A manifestação
de Nuit está no fim".
III
No próximo capítulo de nosso livro é indicado
a palavra de Hadit, que é o complemento de Nuit. Ele é
energia eterna, o Movimento Infinito das Coisas, o cerne central
de toda existência. O universo manifestado vem do casamento
de Nuit e Hadit, sem o que nada existiria. Este eterno, este perpetuo
casamento-banquete é então a natureza das coisas
em si mesmas; e portanto tudo que é, é uma cristalização
do êxtase divino.
Hadit nos conta dele mesmo: "Eu sou a chama que queima no
coração de todo homem e no cerne de toda estrela".
Ele é então seu próprio intimo ente divino;
este é você e não outro, que está perdido
no constante arrebatamento do abraço da Beleza Infinita.
Mais para frente Ele nos diz:
"Nós não somos para os pobres e tristes: os
senhores da terra são nossos familiares".
"Pode um Deus viver em um cão? Não! Mas os
soberanos são dos nossos. Eles irão regozijar, nossa
escolha: aquele que se arrepende não é nosso".
"Beleza e vigor, risada saltitante e langor delicioso, força
e fogo, são nossos". Mais a frente, sobre a morte,
Ele diz: "Não pense, oh rei, sobre esta mentira: que
tu morrerás: verdadeiramente não morrerás,
mas viverás. Agora entenda: se o corpo do Rei dissolver,
ele irá descansar em puro êxtase para sempre".
Quando você sabe disto, o que resta senão deleite?
E como nós estamos vivendo enquanto isso?
"É uma mentira, esta tolice contra a natureza - seja
forte, homem! Luxuria, desfrute de todos os sentidos e êxtases:
não tema que nenhum Deus irá te negar isto".
Uma e outra vez, em palavras como estas, ele vê a expansão
e o desenvolvimento da alma pela alegria.
Eis o calendário de nossa Igreja: "Mas tu oh meu povo,
levante e desperte! Que os rituais sejam corretamente encenados
com alegria e beleza! Lembre-se que todo os atos de amor e prazer
são meus rituais, devem ser rituais. São rituais
dos elementos e festas dos tempos. Uma festa pela primeira noite
do Profeta e sua Noiva! Uma festa pelos três dias que se
escreveu o Livro da Lei. Uma festa para Tahuti e a criança
do Profeta - segredo, oh Profeta! Uma festa pelo Ritual Supremo
e uma festa pelo Equinócio dos Deuses. Uma festa pelo fogo
e uma festa pela água; uma festa pela vida e uma grande
festa pela morte! Uma festa todo dia em nossos corações
na alegria de meu êxtase! Uma festa toda noite para Nu e
o prazer do inefável deleite! Sempre! Festa! Regozijo!
Não há medo no futuro. Há a dissolução
e eterno êxtase nos beijos de Nu". Tudo depende de
sua aceitação desta nova lei e não pedimos
que acredite em tudo, aceitar um fio de fabulas tolas no nível
intelectual de um colono e o nível moral de um drogado.
Tudo que você precisa fazer é ser você mesmo,
fazer sua vontade e regozijar.
A frase "há uma Porta Secreta que eu fiz para estabelecer
o caminho" é evidentemente derivada originalmente
de "há uma porta secreta que eu fiz para estabelecer
o caminho" do "Livro da Lei", Capítulo III,
verso 38. Isto não ocorre nem na "Lei da Liberdade"
ou na "Missa Gnóstica". Entretanto, isto ocorre
em dois lugares nos trabalhos publicados de Crowley: este verso
é citado no texto do ritual dado no "Uma Evocação
de Bartzabel o Espírito de Marte", o qual foi publicado
no "The Equinox, Volume I, Número IX" (Londres,
1913), págs 117-136 e o verso também ocorre com
um comentário adicionado em "Khabs am Pehkt"
o qual foi publicado no "The Equinox, Volume III, Número
I"( "The Blue Equinox", Detroit, Michigan, 1919),
págs 170-182.
A parte relevante da "Evocação de Bartzabel
o Espírito de Marte" é:
Quando o Mago Mor está satisfeito com a Descida do Deus,
que todos se levantem e então o Mago Mor diga:
Então que Tua luz está em mim; e sua chama vermelha
é uma espada em minha mão para usar por tua ordem.
Há uma porta secreta que eu farei para estabelecer teu
caminho em todos os quadrantes...e que diga:
A luz é minha, seus raios me consomem:
Eu fiz uma porta secreta
Na casa de Ra e Tum
De Khephra e de Ahathoor
Eu sou teu tebano, oh Mentu,
O profeta Ankh-f-n-Khonsu!
Por Bes-na-Maut meu peito eu bato
Pelo sábio Ta-Nech eu traço meu encanto
Mostre tia estrela esplendorosa, oh Nuit!
Convida-me adentrar em tua Casa para habitar
Oh serpente alada de luz, Hadit!
Permaneça comigo, Ra-Hoor-Khuit!
(O Mago mostra [o símbolo triangular do Fogo], e os demais
o apoiam).
(É interessante notar que acima também contém
a frase "A Descida do Deus").
A parte relevante de "Khabs am Pehkt" é:
Anote, ore, o método prático da oposição
superada dada em CCXX,III,23-26.
Mas este não é nosso propósito imediato nesta
epístola. Anote, ore, as instruções nos versos
38 e 39 do terceiro Capítulo do Livro da Lei. Deve ser
citado por inteiro.
"Então que tua luz está em mim; e sua chama
vermelha é uma espada em minha mão para usar por
tua ordem".
Isto é, o Deus é uma chama com a Luz da Besta e
irá Ele mesmo dar a ordem, através do fogo (talvez
significando o gênio) da Besta.
"Há uma porta secreta que eu farei para estabelecer
o caminho em todos os quadrantes (existem adorações,
como já foi escrito) e que diga:
a luz é minha, seus raios me consomem:
Eu fiz uma porta secreta
Na casa de Ra e Tum
De Khephra e de Ahathoor
Eu sou teu tebano, oh Mentu<
O profeta Ankh-f-n-Khonsu!
Por Bes-na-Maut meu peito eu bato
Pelo sábio Ta-Nech eu traço eu encanto
Mostre tua estrela esplendorosa, oh Nuit!
Convida-me adentrar em tua Casa para habitar
Oh serpente alada de luz, Hadit!
Permaneça comigo, Ra-Hoor-Khuit!
No comentário em "The Equinox, Volume I, Número
VII", esta passagem é virtualmente ignorada. É
provável que esta "porta secreta" se refere aos
quatro homens e quatro mulheres falados mais tarde no "The
Paris Working", ou ode significar a criança profetizada
em outra parte, ou alguma preparação secreta do
coração dos homens. É difícil decidir
em tal ponto mas nós iremos ter certeza que o Evento se
mostrará que o discurso exato foi tão obscurecido
para provar-nos um absoluto conhecimento avançado na maior
parte que o Anjo Sagrado expressou no Livro.
Aqui estão as seções relevantes do "Liber
Cordis Cincte Serpente":
Capítulo II, versos 58-61:
58. A montanha não se moveu. Então foi o profeta
até a montanha e falou. Mas o pé do profeta estava
calcado e a montanha não ouviu sua voz.
59. Mas Eu clamei em ti e eu passei por ti e não me avaliaste.
60. Eu esperei pacientemente e tu estiveste comigo desde o inicio.
61. Isto agora eu sei, oh meu amado e nós estamos esticados
em nosso bem estar entre as vinhas.
Capítulo III, versos 62-64
62. Mas assim como tu és o Último, tu és
também o Seguinte e como o Seguinte irei eu revelar-te
para a multidão.
63. Eles que sempre desejaram-te, irão ganhar-te, mesmo
no Fim dos Desejos deles.
64. Glorioso, glorioso, glorioso és Tu, oh meu sublime
amante, oh Ser de mim mesma.
O Capitulo II, versos 59-60 do "Liber Cordis Cincte Serpente"
são também citados em "Astarte vel Liber Berylli",
verso 25, mas o verso 63 do Capítulo III do "Liber
Cordis Cincte Serpente" é a fonte do qual este material
da LAM veio. "Liber Cordis Cincte Serpente" foi publicado
no raro e impresso privadamente "Thelema" ("The
Holy Books", Londres, 1909) págs 63-98 e (juntamente
com os comentários de Crowley) em uma edição
pequena em Ontário em 1952.
De um exame minucioso de todas estas passagens, cinco coisas estão
claras:
1. compositor do "Leviter Veslis" leu o "Livro
da Liberdade" ( como já foi indicado por outros, incluindo
Gareth Medway). Há material no "Leviter Veslis"
que ocorrem no "Livro da Liberdade" e em nenhum outro
lugar nos trabalhos publicados de Crowley. A obra "Livro
da Liberdade" foi publicado no "The Equinox, Volume
III, Número I" ("The Blue Equinox") em 1919,
no "The International" (Janeiro, 1918), foi impresso
privadamente como um panfleto pela OTO em Londres por volta de
1940 e em lugar nenhum antes de 1970.
2. compositor desta passagem pode ou não ter lido a "Missa
Gnóstica". Se sim, não seria surpreendente,
uma vez que o material da "Missa Gnóstica" ocorre
em outros lugares na LAM e uma vez que a "Missa Gnóstica"
estava também no "The Blue Equinox".
3. compositor desta passagem leu o "Liber Cordis Cincte
Serpente", o qual foi também publicado no 'The Blue
Equinox".
4. compositor desta passagem também leu "Khabs am
Pehkt" ou "Uma Evocação de Bartzabel o
Espírito de Marte" ou o "Livro da Lei".
Uma vez que "Khabs am Pehkt" estava também no
"The Blue Equinox", isto não é surpreendente.
5. De fato, dado acesso justamente a uma cópia do "The
Blue Equinox", o compositor do "Leviter Veslis"
pode não ter tido necessidade de acessar a outros trabalhos
publicados de Crowley. Em particular, eles podem não ter
precisado ler o "Livro da Lei" (o qual não está
no "The Blue Equinox), penso que ele estava tanto na edição
anterior e posterior do "The Equinox [não há
Volume II nem um volume III, Número II]).
Assim sendo, eu penso que é importante que o compositor
teve acesso ao "Livro da Lei". Há bastante poesia
boa nele, algumas das quais pode ter sido bastante conveniente
para incluir no "Leviter Veslis" ainda que nada dele
foi usado; o compositor do "Leviter Veslis" mantém
resolutamente ao material que pode ser encontrado no "The
Blue Equinox", ignorando todo o resto do "Livro da Lei"
(exemplos de passagens do "Livro da Lei" que poderia
ser conveniente para usar no "Leviter Veslis", não
foram usadas e não estava no "The Blue Equinox"
inclui: "invoque-me sob minhas estrelas" e "lembre-se
todos de que a existência é pura alegria; que todas
as tristezas são apenas sombras, elas passarão e
acabarão, mas eis aqui o que perdura"). Verdadeiramente,
a impressão que se tem é que o compositor pode ter
deliberadamente combinado o "The Blue Equinox" das citações
do "Livro da Lei" e usou todas aquelas que ele achou
que eram convenientes para seu propósito. Se foi, isto
sugere que eles não tiveram acesso a uma cópia do
"Livro da Lei": porque seguir pelo problema de dragar
através de um grupo de outros artigos por citações
disto se você tiver uma cópia do texto completo?
Eu também acho que é pouco provável que
o compositor foi Crowley ou mesmo algum membro da OTO. Primeiramente,
o "Livro da Lei" é a fundamentação
da filosofia-religião da OTO e nenhum iniciado da OTO não
ficaria sem uma copia - uma é presenteada ao candidato
em sua iniciação de 0° (Minerval) e nós
sabemos que Gardner comprou quatro cópias quando ele foi
iniciado e tentou comprar mais. Segundamente, no Capítulo
I, verso 54 do "Livro da Lei", falando de si mesmo,
diz:
Não mude sequer o estilo de uma letra, pois repare! Tu,
oh profeta, não verá todos estes mistérios
escondidos dentro dele.
(o "profeta" é Crowley), enquanto o Capítulo
II, verso 54 elabora:
Os períodos como tu quiseres; as letras?
Não as mude nem no estilo ou valor!
(ou seja, o caso das letras é inspiração
divina, mas a pontuação fica a cargo de Crowley),
Capítulo III, verso 47 especifica:
Este livro será traduzido em todas as línguas: mas
sempre com o original na escrita da Besta, por causa da forma
das letras e suas posições entre uma e outra: nisto
estão mistérios que a Besta não adivinharia.
(a "Besta" é Crowley e no original manuscrito
este verso tem um curioso diagrama sobreposto) e no Capítulo
III, verso 36 reitera:
Meu escriba, Ankh-af-na-Khonsu, o sacerdote do príncipe,
não irá mudar em uma letra este livro; mas a fim
de que aqui não tenha insensatez, ele comentará
imediatamente pela sabedoria de Ra-Hoor-Khuit.
( o "escriba" Ankh-af-na-Khonsu é Crowley novamente).
Há uma tradição na OTO (verdadeiramente me
contaram que ao menos em uma das modernas vertentes da OTO isto
é um requisito de segredo para todos os iniciados) de seguir
estas instruções com um cuidado escrupuloso: reproduzir
o "Livro da Lei" exatamente, letra por letra. Parece
que isto se aplica (talvez menos estritamente) não somente
quando fazendo cópias completas do "Livro da Lei",
mas também quando citar o "Livro da Lei": deve
ser feito com exatidão, como no caso das letras. Como pode
ser visto das citações do "Livro da Lei"
nos extratos dados acima de seus outros trabalhos, Crowley usualmente
obedecia esta regra: ele citava o "Livro da Lei" exatamente,
palavra por palavra e com a capitalização das letras
e usualmente citava ao menos uma sentença inteira. É
verdade que quando ele estava usando material do "Livro da
Lei" no contexto de um ritual, em poucos lugares ele alterou
superficialmente a pontuação (como pode ser visto
justificado com "os períodos como tu quiseres"
e em seu comentário no "The Temple of Solomon the
King" no "The Equinox, Volume I, Número VII"
ele nota que a pontuação é dele, feita após
o texto ter sido ditado para ele, então presumivelmente
ele sentiu que isto era divinamente inspirado), em ocasiões
parece se sentir livre para mudar entre usar "&"
e "e", e em "Uma Evocação de Bartzabel
o Espírito de Marte" ele não foi além
como omitir uma observação intercalada sequer que
poderia não fazer sentido no contexto (acho que ele indicou
o lugar onde isto foi omitido na citação por uma
elipse) e em poucos lugares ele fez pequenos erros que podem ter
sido tipográficos (na "Missa Gnóstica",
por exemplo, ele corrigiu estes erros em uma versão posterior),
entretanto, mesmo quando usava citações dele como
parte de um ritual, ele ainda tratava o material do "Livro
da Lei" com grande cuidado e respeito. O compositor do "Leviter
Veslis", entretanto, tomou grandes liberdades com o material
derivado do "Livro da Lei" que eles estavam usando.
Não apenas mudou a pontuação e a forma das
letras, eles editaram, parafrasearam, mudaram flexões e
pessoas, refrasearam, combinaram partes de sentenças de
diferentes lugares e por outro lado alteraram o material, nas
ocasiões que alteraram seu significado (algumas vezes sugerindo
que eles não o compreenderam completamente) e mesmo indo
longe a ponto de colocar as palavras de Hadit na boca de Nuit
- algo completamente inapropriado na teologia da OTO. Nem Crowley
nem um verdadeiro iniciado da OTO teria tomado tais liberdades
com o texto ou seu significado: isto está bem perto de
ser uma blasfêmia se fosse possível ter vindo da
OTO.
Eu penso então que nós podemos dizer com certeza
que Crowley não compôs o "Leviter Veslis"
ou os rituais wiccans e que parece ser implausível que
quem o fez era um iniciado da OTO (naquele tempo), ou era particularmente
familiar com os trabalhos impressos de Crowley. Melhor, eu acho
que eles simplesmente tiveram acesso a uma cópia do "The
Blue Equinox". Deve-se admitir que, mesmo após sua
iniciação na OTO, Gardner não era meticuloso
quanto a citações do "Livro da Lei". Em
"O Significado da Bruxaria", capítulo VII, pág
102 ele citou "Faça o que tu queres há de ser
tudo da Lei. Amor é a Lei, amor sob a vontade" como
"Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei.
Amor é a Lei, Amor sob a Vontade". Entretanto, isto
é um erro relativamente menor e foi publicado em 1959,
uma década depois do flerte de Gardner com a OTO no tempo
que ele estava tentando ter um contato com Crowley e muito depois
da última data possível da composição
do "Leviter Veslis" em 1953.
Implicações históricas
Então, o que isto nos mostra? Vamos começar com
o que sabemos sobre os acessos aos trabalhos de Crowley por Gardner
e a Fraternidade de Crotona.
1. A biblioteca da Fraternidade de Crotona, ao menos como doação
para a Universidade de Southampton, não contém nenhum
trabalho de Crowley (nem mesmo algum de Charles Godfrey Leland).
Entretanto, ela tem uma cópia do "A Garden of Pomegranades:
an Outline of the Qballah"(Londres, 1932) de Israel Regardie
e uma cópia da tradução das "Chaves
do Rei Salomão" (Londres, 1889,1909) de S.L. MacGregor
Mather e tem muito material derivado dos trabalhos posteriores
na LAM (também tem traduções do "Livro
da Magia Sagrada de Abramelin o Mago" de Mather, mas eu não
localizei nenhum material na LAM que tenha vindo disto).
2. A biblioteca de Gerald Gardner, ao menos como foi vendida
pelos Ripley à Igreja Wicca do Canadá contém:
De Aleister Crowley:
- Amrita, t |