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Anna Göldi, acusada de envenenar um menor e
decapitada, deverá ser oficialmente inocentada
pelo cantão de Glarus, na Suíça
Central, em agosto. (notícia de junho de 2008)
Göldi foi a última pessoa executada
na Europa por bruxaria. O caso aconteceu no vilarejo
de Mollis em 1782 e ilustra o fanatismo religioso,
a superstição e o abuso de poder que
vigoravam na época de seu julgamento.
O destino de Anna Göldi voltou à atualidade
depois que o jornalista Walter Hauser publicou, no
ano passado, um livro com novos elementos sobre a
influência excessiva que o patrão da
acusada exerceu sobre as autoridades locais.
Hauser explica à swissinfo a razão
de seu interesse pelo assunto. "Em primeiro lugar
sou do cantão de Glarus (Suíça
Central), é minha terra e também sou
advogado. Pode-se dizer que estava predestinado a
escrever sobre isso."
O reconhecimento de que Anna Göldi foi vítima
de um erro judicial provocou um amplo debate em que
as igrejas Católica e Reformada foram consultadas.
Esta não é a primeira vez que o caso
é abordado. No ano passado, o governo cantonal
(estadual) e o Conselho da Igreja Protestante recusaram
um pedido de reabilitação da vítima.
As autoridades mudaram de opinião depois que
o Parlamento cantonal reabriu o caso, forçando
o Executivo a limpar o nome de Anna Göldi.
"Estou muito satisfeito que o governo de Glarus
tenha mudado de opinião, reconhecendo a inocência
de Anna Göldi, vítima de um escandaloso
erro judicial", afirma Hauser.
"Um feitiço"
Göldi, de 48 anos, era empregada doméstica
do outrora distinto cidadão Johann Jacob Tschudi.
Ela foi acusada de enfeitiçar uma filha de
Tschudi de oito anos, provocando convulsões
na menina.
O médico e juiz Jakob Tschudi, ao que tudo
indica, teve relações sexuais com Anna
Göldi e sua reputação no vilarejo
seria seriamente abalada se o adultério se
tornasse público.
Antes de trabalhar na casa de Tschudi, Anna levava
uma vida miserável. Nascida em uma família
muito pobre, trabalhou como criada desde muito jovem.
Ficou grávida solteira e foi desprezada quando
descobriram que o bebê estava morto.
Três anos depois, engravidou novamente e teve
um menino cujo destino é desconhecido. Anna
mudou de emprego várias vezes até chegar
à casa de Tschudi, onde trabalhou seis anos.
Foi então demitida e acusada de responsável
pela doença de uma das crianças da família.
O julgamento e a decapitação de Göldi
ocorreram em 1782, quando esse tipo de processo já
havia desaparecido na Europa. A última mulher
executada por bruxaria antes de Ana Göldi fora
julgada em 1738 na Alemanha.
Julgamento ilegal
Uma declaração da administração
de Glarus publicada este mês indica que o Conselho
da Igreja Reformada, que julgou Anna Göldi, não
tinha autoridade legal alguma e decidiu antecipadamente
que a mulher era culpada. Além disso, atesta
que Göldi foi executada quando a lei não
impunha a pena capital por envenenamento não
letal.
"Este é o reconhecimento de que o veredicto
foi pronunciado em julgamento ilegal e que Anna Göldi
foi vítima de um assassinato judicial",
afirma o documento.
"A revisão deve ser mais que uma simples
confirmação de sua inocência",
continua o texto. "Isso deve deixar bem claro
que se tratou de um ato estatal incompreensível
e injusto, uma injustiça grosseira que provocou
um veredicto falso."
No entanto, as autoridades de Glarus advertem que
a revisão do caso Anna Göldi não
pode dar a impressão de que a geração
atual assume a responsabilidade pelo passado de seus
antigos habitantes.
Fonte
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